Este tal de amor muito me aterroriza!
Não falo deste Amor, mas do amor banal – daquele que está no
mainstream, no intento mundano, no obséquio do ter!
E falo com propriedade, pois já fui, também, um carrasco
deste falso amor.
As pessoas dominadas pelo ego querem ter amor e estão
pouco, ou nada, preocupadas em ser amor. Simplesmente porque ter
é muito mais fácil do que ser. Ter não requer esforço próprio,
mas sim o consumo do outro. Consumir os outros nos dá prazer, é óbvio, mas um
prazer destinado a acabar e renascer como sofrimento.
Explico.
Por que ter amor está atrelado a um término e ao
sofrimento?
Porque antes de ter algo é preciso, primeiro, não ter
este algo. E para concretizar o ter é preciso querer. E só o ego quer
algo, pois o ego é vazio, é trôpego e ilusório. Precisa se preencher com algo
que lhe faça acreditar numa “consistência”, numa ilusão de solidez e
estabilidade. O ego é ilusório, pois é criado a partir da resultante do ter
de um indivíduo. E seja no budismo, no ocultismo, na filosofia etc. há um consenso:
a causa principal de todo e qualquer sofrimento é a ilusão. A identificação com
algo finito e insubstancial. E como vimos o ter é finito, pois teve um
início (o querer o que. Ilusoriamente, não se tem) e, como tudo que teve um
início (ego), está fadado a ter um fim. Não é a toa que a palavra egoísmo é de
conotação pejorativa.
Ter amor é opiofágico. É um ciclo vicioso. Uma moeda
de dois lados – o lado do ter e do não ter. Enquanto há algo para se consumir,
o ter prevalece e a falsa felicidade impera, quando já se consumiu todo
amor, o sofrimento aflora até um novo amor ser obtido (através do ter),
consumido e todo o ciclo ilusório reestabelecido. Até a ciência já chegou a
esta conclusão.
Essa ideia de ter amor me aterroriza.
Não nos esqueçamos de que somos criaturas duais, somos seres
humanos. O ser é infinito e usa a finitude do humano para se
autoconhecer. Só que, infelizmente, a regra geral é que o humano acaba,
através do ter, obliterando o ser.
“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque
[já] nem o homem nem o rio são os mesmos.” (Heráclito)
Eis uma lei universal: tudo está em constante e interrupta
transformação e fluidez. Daí a importância de se viver no Agora. O Agora é
fluídico e nunca estático. Não se pode ter no Agora, mas se pode ser
o Agora.
É por isso que as pessoas que tentam se prender a outras,
isso quando não obrigam os outros a se prenderem nelas (numa esquizofrenia lamentável),
acabam sofrendo e levando o sofrimento para onde forem.
Por que ser amor acaba com o terror do amor?
Simplesmente porque o ser é infinito, sempre existiu,
existe e existirá. É a divindade (ou Deus) que se pergunta “quem Eu Sou?”
e responde “Eu Sou o que Eu Sou. Eu Sou o SER”. O ser simplesmente
é. E a descoberta e harmonização com este “é” cabe apenas a você desvelar em
seu interior, ao humano que se permite ser. Ser amor!
Ser amor não é tarefa fácil, mas também não é impossível.
Quando se é amor, o sofrimento se desintegra e o real
se manifesta. Ser o amor é como se tornar o sol central do universo.
Ser amor significa que você não precisa mais ter
o amor do outro, mas que agora você pode prover amor ao outro!
E como visto, o ser é infinito e inesgotável! Somente
através do ser é que o amor se faz eterno e isento de sofrimento.
Experimente ser mais do que ter!
Façamos do amor sinônimo de liberdade e liberação kármica!
Chega de fazer do amor sinônimo de posse, apego e sofrimento!!!
Acabe com o terror do amor passando a Ser o Amor!
Namastê!
Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira.




3 comentários:
Isso é a mais pura verdade. Namasté!
Isso é a mais pura verdade. Namasté!
Concordo com sua maneira de enxergar os relacionamentos humanos. O sentimento de querer possuir alguém sob a justificativa de ama-la destrói uma das coisas mais bonitas nas uniões: a liberdade.
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