10/01/2012

O Terror do amor


Este tal de amor muito me aterroriza!

Não falo deste Amor, mas do amor banal – daquele que está no mainstream, no intento mundano, no obséquio do ter!

E falo com propriedade, pois já fui, também, um carrasco deste falso amor.

As pessoas dominadas pelo ego querem ter amor e estão pouco, ou nada, preocupadas em ser amor. Simplesmente porque ter é muito mais fácil do que ser. Ter não requer esforço próprio, mas sim o consumo do outro. Consumir os outros nos dá prazer, é óbvio, mas um prazer destinado a acabar e renascer como sofrimento.

Explico.

Por que ter amor está atrelado a um término e ao sofrimento?

Porque antes de ter algo é preciso, primeiro, não ter este algo. E para concretizar o ter é preciso querer. E só o ego quer algo, pois o ego é vazio, é trôpego e ilusório. Precisa se preencher com algo que lhe faça acreditar numa “consistência”, numa ilusão de solidez e estabilidade. O ego é ilusório, pois é criado a partir da resultante do ter de um indivíduo. E seja no budismo, no ocultismo, na filosofia etc. há um consenso: a causa principal de todo e qualquer sofrimento é a ilusão. A identificação com algo finito e insubstancial. E como vimos o ter é finito, pois teve um início (o querer o que. Ilusoriamente, não se tem) e, como tudo que teve um início (ego), está fadado a ter um fim. Não é a toa que a palavra egoísmo é de conotação pejorativa.  

Ter amor é opiofágico. É um ciclo vicioso. Uma moeda de dois lados – o lado do ter e do não ter. Enquanto há algo para se consumir, o ter prevalece e a falsa felicidade impera, quando já se consumiu todo amor, o sofrimento aflora até um novo amor ser obtido (através do ter), consumido e todo o ciclo ilusório reestabelecido. Até a ciência já chegou a esta conclusão.

Essa ideia de ter amor me aterroriza.

Não nos esqueçamos de que somos criaturas duais, somos seres humanos. O ser é infinito e usa a finitude do humano para se autoconhecer. Só que, infelizmente, a regra geral é que o humano acaba, através do ter, obliterando o ser.

“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque [já] nem o homem nem o rio são os mesmos.”  (Heráclito)

Eis uma lei universal: tudo está em constante e interrupta transformação e fluidez. Daí a importância de se viver no Agora. O Agora é fluídico e nunca estático. Não se pode ter no Agora, mas se pode ser o Agora.  

É por isso que as pessoas que tentam se prender a outras, isso quando não obrigam os outros a se prenderem nelas (numa esquizofrenia lamentável), acabam sofrendo e levando o sofrimento para onde forem.

Por que ser amor acaba com o terror do amor?   

Simplesmente porque o ser é infinito, sempre existiu, existe e existirá. É a divindade (ou Deus) que se pergunta “quem Eu Sou?” e responde “Eu Sou o que Eu Sou. Eu Sou o SER”. O ser simplesmente é. E a descoberta e harmonização com este “é” cabe apenas a você desvelar em seu interior, ao humano que se permite ser. Ser amor!

Ser amor não é tarefa fácil, mas também não é impossível.

Quando se é amor, o sofrimento se desintegra e o real se manifesta. Ser o amor é como se tornar o sol central do universo.

Ser amor significa que você não precisa mais ter o amor do outro, mas que agora você pode prover amor ao outro!

E como visto, o ser é infinito e inesgotável! Somente através do ser é que o amor se faz eterno e isento de sofrimento.

Experimente ser mais do que ter!

Façamos do amor sinônimo de liberdade e liberação kármica! Chega de fazer do amor sinônimo de posse, apego e sofrimento!!!

Acabe com o terror do amor passando a Ser o Amor!

Namastê!

Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira.

3 comentários:

Isso é a mais pura verdade. Namasté!

Isso é a mais pura verdade. Namasté!

Concordo com sua maneira de enxergar os relacionamentos humanos. O sentimento de querer possuir alguém sob a justificativa de ama-la destrói uma das coisas mais bonitas nas uniões: a liberdade.

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