Os quatro C's que resultam no grande A

Um singelo rascunho de como eu compreendo atualmente a vida. Contemplação. Compreensão. Carinho. Compaixão. Atributos essenciais para trabalharmos nosso Ser...

A MAGIA NOSSA DE CADA DIA.

Milhares de vozes orgânicas transformadas em ondas de rádio e ondas eletromagnéticas que viajam de maneira invisível e imperceptível, na velocidade da luz...

INSATISFAÇÃO SEXUAL E A OBLITERAÇÃO DO SER.

Sexo é pecado? É antinatural? O que é o SER e o que isso interfere na insatisfação sexual...

O Terror do Amor

Ter amor é opiofágico. É um ciclo vicioso. Uma moeda de dois lados – o lado do ter e do não ter. Enquanto há algo para se consumir, o ter prevalece e a falsa felicidade impera, quando já se consumiu todo amor...

A FELICIDADE NÃO É REAL.

Tampouco a infelicidade. Descubra o porquê...

30/11/2011

MONSTRUARIUM - C


Caamanha
Espírito protetor das matas

CON 18, FR 16, DEX 20, AGI 20
INT 14, WILL 18, CAR 5, PER 28

#Ataques [0], IP 0, PVs 20 (ferida apenas por rituais)

Poderes Possíveis: Gravetos que induzem ao coma (Teste de CON x WILL da criatura).

Fraquezas Conhecidas: Fogo Mágico (cada graveto queimado com fogo mágico causa 1d6 de dano. 
Caso todos os gravetos sejam encontrados e queimados a criatura morre e todos saem do coma).

Caamanha ou Mãe-do-mato é uma criatura mítica do Pará. Nos acampamentos dentro das matas, os trabalhadores ao se encaminharem para o serviço desatam as redes ou desarmam as camas com medo de que a Mãe-do-mato. Protetora dos animais fabulosos, ela coloca em cada leito um graveto de madeira, que os induz a um profundo coma – um estado perfeito para que os animais venham e  devorem os trabalhadores e todos aqueles que machuquem e destruam a natureza.


Cabra Cabriola
Fada de Halzazee

CON 20, FR 18, DEX 14, AGI 20
INT 18, WILL 14, CAR 0, PER 18

#Ataques [1], IP 0, PVs 20

Mordida 40/0 dano 1d6+2

Coiçe 30/0 dano 1d10

Poderes Possíveis: Detectar crianças malcriadas, Abrir portal para Arcádia (ativo 1d3 rodadas).

Fraquezas Conhecidas: Cada ponto de fé gasto em uma oração causa 1d6 pontos na Cabra Cabriola.

A Cabra Cabriola é a personificação do medo, um animal com pés de  cabra, um animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças. A lenda conta que a Cabra Cabriola é um animal monstruoso que come crianças travessas.

Ela invade casas para pegar e comer as crianças que não obedecem aos pais. No Brasil quem conta a lenda diz que quando uma criança começa a chorar de repente, a Cabra Cabriola esta fazendo outra vítima.

Quando isso acontece, as pessoas começam a rezar.


Camenas
Ninfas

CON 8-18, FR 5-8, DEX 10-14, AGI 10-12
INT 18, WILL 14-18, CAR 18-28, PER 16-18

#Ataques [0], IP 0, PVs 10

Poderes Possíveis: Dom da Profecia, Proteção aos recém-nascidos (ativo 1d6 meses).

Fraquezas Conhecidas: Ferro Frio, Perdem 1d3 pontos de CON a cada dia longe de sua fonte original.

Camenas eram as ninfas das fontes que profetizavam  as coisas verdadeiras e protegiam os nascimentos. A camena mais famosa foi Numa, uma ninfa que tinha encontros secretos com o rei de Roma, durante os quais ela lhe dava lições de sabedoria e direito que foram concretizadas nas instituições da jovem nação. Depois que essa camena morreu, ela tornou-se muito leve e transformou-se em uma fonte.


Cwn Annwn
Criatura / Grupos de 2d6

CON 16-18, FR 16-18, DEX 6, AGI 18-24
INT 6, WILL 3-6, CAR 6, PER 18-24

#Ataques [3], IP  2 a 4 (pelos), PVs 10-15

Garras (x2) 45/45 1d6 + bônus de Força

Mordida 45/0 2d6 + bônus de Força

Poderes Possíveis: Sopro de Gelo (congela as pernas da vítima), Perícia (Rastreio 60%).

Fraquezas Conhecidas: Sal grosso, água benta.

No folclore bretão, estes eram os cães de caça de Annwn, Um grupo de cachorros de pelo branco, orelhas vermelhas e aparência espectral que habitam os Reinos Subterrâneos e que, às vezes, conseguem vir caçar no mundo dos vivos. Eles estão associados com o som emitido pelos gansos quando eles migram e dizem que, quando se escuta esses sons à noite, sua alam está sendo perseguida por estas criaturas infernais.

29/11/2011

Conheça a Editora Chakpori



A Editora Chakpori foi fundada em 1988 por Williams Ribeiro de Farias e sua esposa Dra. Yeda Ribeiro de Farias.

Trata-se de uma editora especializada na tradução e na edição de livros sobre medicina Ayurvédica e Sinotibetana.

A Editora Chakpori dedica-se à publicação de livros na área da saúde e bem-estar. A lista de títulos traduzidos consiste das obras clássicas e de autores reconhecidos no campo do Ayurveda e da medicina Sinotibetana utilizadas para o estudo e formação de médicos em seus países de origem.

A Editora Chakpori está disponibilizando todas as suas obras traduzidas para download gratuito ou leitura online, não sendo autorizada a reprodução dos textos para fins comerciais. O objetivo é conservar e preservar a medicina tradicional Ayurvédica e Sinotibetana como parte de uma rica herança cultural, científica e filosófica, que deve ser mantida em sua forma original para estudos subsequentes.

Clique nos Livros pra Acessar a Editora.

28/11/2011

História da Rosacruz


"A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz."

25/11/2011

Breve estudo sobre os 5 elementos parte 1 de 2



Para os gregos, os elementos fundamentais da vida eram quatro: água, fogo, terra e ar. Este último elemento corresponde ao elemento metal dos chineses. Estes incluíram ainda um quinto elemento, a madeira, representando a primavera e a origem da vida.

A energia dos cinco elementos deve se manifestar igualmente tanto no macrocosmo como no microcosmo.

Elemento é uma tradução aceitável da palavra chinesa xing. São cinco processos básicos, ciclos ou capacidade de modificação de um fenômeno da natureza.

Esta teoria foi desenvolvida pela mesma escola yin e yang. Seu expoente principal foi Zou Yan (350 a.C. – 270 a.C.).

No Oriente, ela é relacionada aos diversos aspectos da vida social e utilizada para, por exemplo, avaliar a compatibilidade de casais e realizar inaugurações de entidades; está presente na poesia, na pintura e nas artes em geral.

A teoria dos cinco elementos é básica para a medicina tradicional chinesa, na medida em que relaciona a natureza e sues elementos à atividades físicas e psíquicas do ser humano. Assim como a do yin e yang [Leia Aqui], ela pode ser aplicada a qualquer campo da atividade humana.

Os cinco elementos – madeira, fogo, terra, metal e água –, junto com a teoria yin e yang, são fundamentais para a avaliação energética do organismo e para a terapêutica bem-sucedida relativamente a cada patologia.
A ordem manifestada por meio deste movimento está relacionada aos fenômenos da natureza, aos órgãos dos sentidos, às estações do ano, aos alimentos e às cores, e é utilizada nos sistemas de palpação (pulsologia, massagem etc.), na visualização (fisiognomonia) e na classificação de odores, entre outras formas de avaliar aspectos orgânicos. Os cinco elementos são instrumentos fundamentais também no I-Ching e no Feng-Shui.

A utilização dos elementos contidos na natureza humana é básica para compreender a complexidade da própria existência.

Madeira
O elemento madeira está ligado à vida, ao nascimento, ao crescimento, ao desenvolvimento, e assegura o livre fluxo de qi.

Representa o movimento expansivo

Estação: Primavera
Clima: Vento
Órgãos: Fígado, vesícula biliar
Órgãos dos sentidos: Olhos
Partes do corpo: Tendões, unhas
Secreção: Lágrimas
Sentimento: Raiva
Som: Grito
Sabor: Ácido
Cor: Verde

Fogo
O elemento fogo relaciona-se com o verão. É o mais yang: aquece nossos corpos, ativa o processo de crescimento das plantas e está ligado à cordialidade e ao entusiasmo nas relações humanas.

Representa movimento ascendente.

Estação: Verão
Clima: Calor
Órgãos: Coração, intestino delgado, circulação sexo, triplo aquecedor
Órgãos dos sentidos: Língua
Partes do corpo: Vasos sanguíneos
Secreção: Transpiração
Sentimento: Alegria
Som: Riso
Sabor: Amargo
Cor: Vermelho

Terra
Relaciona-se ao tempo da colheita. Tudo que é absorvido como nutriente corresponde a esse elemento.

Representa movimento de estabilidade/neutralidade.

Estação: Final do verão
Clima: Umidade
Órgãos: Baço-pâncreas, estômago
Órgãos dos sentidos: Boca
Partes do corpo: Tecido, músculos
Secreção: Saliva
Sentimento: Obsessão/ansiedade
Som: Canto
Sabor: Doce
Cor: Amarelo

Metal

Está ligado à força e à estrutura, É o principal componente de comunicação, fornecendo material para a condutividade elétrica e magnética.

Representa movimento de contração.

Estação: Outono
Clima: Seco
Órgãos: Pulmões, intestino grosso
Órgãos dos sentidos: Nariz
Partes do corpo: Pele, pelos
Secreção: Muco
Sentimento: Tristeza
Som: Choro
Sabor: Picante
Cor: Branco

Água
O corpo humano tem aproximadamente 75% de água, e somos gerados dentro de uma bolsa contendo o líquido amniótico. A água é o elemento mais yin. É essencial para a vida e possui a capacidade de fluir sempre e de forma mutante. Na psicologia, a água rege o equilíbrio entre o medo e o desejo de dominar.

Representa movimento descendente.

Estação: Inverno
Clima: Frio
Órgãos: Rins, bexiga
Órgãos dos sentidos: Ouvido
Partes do corpo: Ossos, medula óssea
Secreção: Urina
Sentimento: Medo
Som: Gemido
Sabor: Salgado
Cor: Preto

Continua...
Texto retirado do livro Shiatsu dos Meridianos de autoria de Wanderley de Souza.

23/11/2011

Sabrina e o Deus da Montanha



O sábio estava sentado no topo da montanha. Emanava de sua constante meditação as formas-pensamentos que, acreditava, ajudavam a todos os humanos que viviam aos pés da imensa formação rochosa.

No vilarejo, aos pés da montanha conhecida pelo nome de Montanha do Deus, os singelos habitantes viviam de orações e do cultivo de algumas leguminosas e cereais. O Deus da montanha nunca deixava de prover e atender as ininterruptas orações. Todos acreditavam na imortalidade e na eternidade da benévola deidade.

Menos Sabrina.

A jovem carregava em seu coração a latente suspeita da inexistência de um deus no topo daquela montanha. Nunca revelou sua inquietação, pois rebelar-se contra o Deus era crime punido com morte em um sacrifício ritual. Fim que Sabrina não desejava para si e para ninguém. Com toda certeza não duvidava dos milagres e das bênçãos, mas questionava a necessidade de ser fruto de alguma vontade superior residente no topo daquela montanha. Por isso havia resolvido colocar seu plano em prática.

Como previa a tradição milenar do vilarejo, a oração ao Deus da Montanha não deveria ter término nunca. Por isso os habitantes se revezavam  de hora em hora no posto de mantenedor da oração perpétua. Havia uma cabana afastada da vila,  no início da íngreme inclinação de terra que  formava os pés da montanha, onde um membro da comunidade se isolava e dava continuidade à oração. O posto e  a oração eram mantidos todos os dias e durante as três partes do dia. Todos os moradores eram obrigados a se revezar, dos quinze aos setenta anos – a faixa de idade em que era obrigatória a ocupação do posto.

Aquela noite, na primeira hora da terceira parte do dia, o posto foi ocupado por Sabrina.

A garota esperou que o mantenedor anterior estivesse se afastado o suficiente e abandonou o posto, correndo com todas as suas forças rumo ao topo da montanha. Inspirava fundo. Ofegava. Lançava-se com toda determinação, pegando impulso ao projetar o corpo com a ajuda dos resistentes braços que a alavancavam a partir dos arbustos e pedras que apareciam no caminho. Se pudesse sanar sua dúvida e levar a certeza para os moradores do vilarejo, com certeza seria perdoada e não sofreria o castigo.

Chegou, enfim, no topo.

Lá encontrou um homem magro, quase cadavérico, sentado de pernas cruzadas, cabelos e barbas tão compridos quanto o esquelético corpo – da onde brotavam os fios. Apenas uma tanga branca a cobrir suas intimidades.  Abriu os olhos.

– Então é verdade! – exclamou a garota. – Você é o deus da montanha... Você existe!

– Deus? – uma voz rouca e quase inaudível. – Da montanha?

– Isso mesmo – sorriu a jovem. – Você realmente existe!

– Eu existo, de certa forma – agora o homem deixou um sorriso escapar. – Mas não sou, de forma alguma, Deus.

– Como assim? – Sabrina ficou confusa.

– Sou apenas um homem. Mortal como qualquer outro. Simplesmente medito neste local em agradecimento aos habitantes do vilarejo abaixo, que me salvaram das feridas que sofri de um ataque de dragões do umbral.

– Mortal? – ela estava em choque. – Minha família e todos os moradores da vila o cultuam como um deus há milênios! E dragões do umbral foram extintos há séculos!

– Séculos? Milênios? – disse o homem.

– Sim! – exclamou a jovem.

– Não pode ser, fui curado recentemente por Amônio. O xamã de seu povo...

– Amônio é bisavô do bisavô do bisavô de meu avô! – Sabrina tremia de nervoso. Como isso pode estar certo, ela se questionava.

O homem pôs-se a meditar por um curto período.

Respondeu.

– Talvez o veneno dos dragões, que foi absorvido por meu corpo, tenha aniquilado o tempo em mim. Sou apenas um siddhartha. Simplesmente medito em agradecimento. Nada mais.

Sorriu.

Aquele sorriso derrubou Sabrina com a força de uma avalanche. E assim ela caiu até o início da montanha. E lá os moradores do vilarejo a esperavam. Com tochas em chamas e fogo nos olhos. Ela se levantou. Toda machucada e arranhada pela queda. Demorou um pouco para se recuperar.

– A incrédula interrompeu a oração e foi castigada pelo deus! – alguém berrou.

– Não! – ela disse, meio tonta.

– Devemos sacrificá-la e nos redimirmos perante nosso deus! – outra voz inflamou o vilarejo.

– Bruxa! – a turba começou a gritar seguidas vezes.

– Bruxa!

Sem ter uma oportunidade sequer para se explicar, Sabrina foi apedrejada pelos seus parentes e conhecidos. Amarraram e a jogaram dentro de um poço. O poço dos sacrifícios. Jogaram óleo sobre ela e atearam fogo.

Sabrina gritou.

E gritou.

A dor e o desespero da jovem subiram a escada formada pela fumaça de seu sofrimento e atingiram o topo da montanha. Lá as narinas do homem foram bombardeadas com o cheiro de carne queimada. Com o cheiro de um ato cruel e irreparável.

Olhos draconianos despertaram.

Eram os olhos do siddhartha que ganhavam a forma de olhos reptilianos.

E, após séculos, um novo dragão do umbral surgiu. Do topo da montanha a criatura, colossal e aterrorizante, mergulhou em direção ao vilarejo. Tomou a vida de cada um dos habitantes e chorou pela crueldade cometida contra a jovem buscadora da verdade.

Uma lágrima dracônica caiu sobre as cinzas do que um dia fora Sabrina. E como uma fênix ela renasceu. Sabrina estava novamente viva. Apenas uma coisa não havia renascido, a sua complacência para com os seres humanos. Ela olhou para o Dragão. O Dragão olhou para ela.

Um meteoro atingiu o lado escuro do planeta.

Da união entre mulher e dragão a magia nasceu. E a trindade – mãe, pai e vontade – espalhou pelo mundo o terror sobre todos aqueles que cultuavam e matavam em nome de falsos deuses.


Escrito por Leonardo Triandopolis Vieira.

22/11/2011

MONSTRUARIUM - B



Barão Samedi
Espírito-Loa/ Único

CON 46, FR 46, DEX 20, AGI 28
INT 20, WILL 46, CAR 18, PER 28

#Ataques [1], IP 0, PVs 46 (ferido apenas por rituais e armas que atinjam espíritos)

Poderes: Armas espectrais 3 (dano 1d6+2), Detectar Mentiras, Materialização 4, Vozes 1.

Fraquezas: Aprecer apenas em cemitérios e encruzilhadas.

Considerado o guardião das encruzilhadas, o local onde os espíritos conseguem cruzar do mundo dos mortos para o mundo dos vivos.

O Barão Samedi é o senhor dos cemitérios e das encruzilhadas, possui linguagem obscena e adora rum e charutos. Ele é descrito como sendo negro, com cartola branca, terno preto, óculos escuros e às vezes algodão em suas narinas.

O Barão Samedi é o senhor dos mortos, que ressuscita deste reino justamente no sábado. É o imperador dos cemitérios, dos ritos fúnebres.


Batibat
Espírito-Entidade/ Único

CON 50, FR 36, DEX 12, AGI 12
INT 18, WILL 36, CAR 10, PER 18

#Ataques [1], IP 0, PVs 46 (ferida apenas por rituais e armas que atinjam espíritos)

Poderes: Causar pesadelos ( dano 1d6 na WILL e 1d3 na COM)

Fraquezas: Ligação com a árvore.

As Batibat são espíritos de mulheres muito obesas que ficam ligadas a árvores e podem ser encontradas durante algumas noites do ano. Caso a árvore onde vivam seja cortada e utilizada para construir camas, a Batibat seguirá a madeira desta árvore até a casa de quem tiver feito ou comprado a cama e causará nessa pessoa terríveis pesadelos. A única maneira de se livrar de uma Batibat é destruindo a cama ou fazendo uma oferenda especial aos espíritos das árvores, pedindo desculpas pela destruição da casa da Batibat. Se isso for feito, o espírito retornará para a floresta e estará livre de sua maldição.


Besta Questionadora
Criatura/ Único

CON 20, FR 20, DEX 18, AGI 40
INT 38, WILL 20, CAR 18, PER 38

#Ataques [1], IP 10 (pele), PVs 20

Coice 40/0 dano 1d6+3

Poderes: Uivo mortal (dano 1d10)

Fraquezas: Ferro frio.

Um dia, quando o Rei Arthur parou para descansar em uma fonte, ele foi surpreendido por um som igual ao de trinta lobos uivando. Um estranho animal com cabeça de serpente, o corpo de um leopardo, as patas traseiras de um leão e os cascos de um alce apareceu das matas, perseguido pelo rei Pellinore. Pellinore estava caçando a Besta Questionadora durante toda sua vida, mas nunca conseguiu capturá-la.


Boiúna
Criatura/ Único

CON 20-36, FR 20-36, DEX 0, AGI 12 (40 na água)
INT 5-6, WILL 3, CAR 0, PER 12

#Ataques [1], IP 3 (pele), PVs 30

Mordida 65/0 dano 2d6

Esmagamento 50/0 dano 2d6+8

Poderes: Ilusão.

Fraquezas: Agilidade reduzida fora da água.

A cobra preta, popular mito amazônico, que assombra e ataca para matar e pode se transformar em figuras da região (barcos, raios a lua...). Seu barulho assemelha-se ao rebolo de corredeiras ou hélices de navios. Seus olhos parecem duas tochas, e dizqem que aparece à noite nas proximidades de Manaus. 

17/11/2011

Diálogos Impertinentes - Ocultismo


Excelente debate sobre ocultismo, ministrado pelo filósofo Mário Sérgio Cortella. Lucidez, clareza e respeito.

16/11/2011

Os Quatro Elementos - Combate de Magos


Hoje trago para vocês o jogo Quatro Elementos – Combate de Magos, lançado pela Xalingo Brinquedos no ano de 2005.

Sinopse

No passado, quando a magia e a natureza eram as únicas fontes do conhecimento, imperavam os grandes magos. Estes usavam os quatro elementos para superar obstáculos em seu caminho. Muitos se tornaram poderosos e a disputa pela supremacia foi inevitável. Para colocar ordem no caos, o Conselho dos Anciãos decidiu realizar, então, um torneio anual, onde, numa disputa equilibrada, fosse revelado um verdadeiro Mestre. Para a disputa foi criada uma arena especial na Cidade Sagrada de Mantor, onde todos estariam limitados ao uso de apenas três magias (apenas o melhor saberia a hora correta para usar seus poderes).

Características & Componentes

Número de Jogadores: 2 a 4

Idade Recomendada: a partir de 7 anos.

Itens: 1 tabuleiro, 4 peões coloridos (representando os magos), 91 marcadores brancos, 16 cartas de feitiços mágicos e 1 manual de regras.


O Jogo

Cada jogador representará um mago especialista em um dos quatro elementos da natureza e sua peça colorida deverá ser posicionada sobre uma das casas (com o símbolo Yin Yang) correspondentes à cor do mago.

As casas amarelas pertencem ao elemento Terra; as azuis, ao Ar; as verdes, à Água e as laranjas, ao Fogo. Todos receberão, então, 4 cartas mágicas do elemento que escolheram. Estas deverão ser embaralhadas com a face voltada para baixo, descartando-se uma, sem olhá-la, em nome da deusa Gaia. Somente as 3 restantes é que poderão ser usadas ou não, durante o jogo, a critério de cada competidor.

O jogo segue uma sequência de três movimentos (realizados na vez de cada jogador):

1 – Usar ou não usar uma das magias ( O mago só pode utilizar uma magia quando todos os demais possuem a mesma quantidade de magias à mão).

2 – Mover o mago para uma casa adjacente, em qualquer direção.

3 – Colocar um marcador de piso em qualquer casa vazia do tabuleiro (de acordo com sua estratégia), para mobilizar os adversários.

Vence o jogo o mago que por último conseguir se mover em campo, após imobilizar os outros adversários.


Opinião

O jogo, apesar da simplicidade nas regras, é super estratégico e divertido. Dependendo dos jogadores a partida pode ir de 15 até 60 minutos. O material utilizado na produção do jogo é de qualidade mediana, o que justifica o preço baixo de 30 reais. Mas nada que prejudique ou desmereça a diversão e utilização do mesmo.

Créditos

Quatro Elementos – Combate de Magos foi criado e Ilustrado por Lucio Abbondati Junior.

Avaliação Geral

Estratégia: OOOOO
Sorte: OOOOO
Festa: OOOOO
Blefe: OOOOO
Diversão: OOOOO

OBS: a avaliação é feita com base na avaliação das 5 estrelas, comumente utilizada para avaliar hotéis. Quanto mais bolas riscadas 

14/11/2011

Monstruarium - A

Monstruarium é um guia de Criaturas Mitológicas (retiradas da Enciclopédia de Mitologia) para servirem como antagonistas ou adversários dos Jogadores de toda linha Trevas/Arkanun.
Toda semana postarei, em ordem alfabética, as criaturas adaptadas para o sistema daemon!

Aaba
Demônio – Succubus/ Único

CON 36, FR 30, DEX 18, AGI 24
INT 18, WILL 36, CAR 48, PER 18
#Ataques [2], IP 4(Pele), PVs 85
Chifres 50/0 2d6 + bônus
Chicote 40/30 1d6 + Bônus

Poderes: Forma Humana (Changeling), Ataques Extras 2, Controle Mental (Hipnoses, Blenden), Paixão 3, Sangue Ácido 1.

Fraquezas: Decapitação, Água Benta, Locais Religiosos, Necrofagia e Símbolos Religiosos.

Succubus com poder de se apresentar aos humanos na forma de uma mulher irresistível, que pode seduzir quem quiser. Em sua forma natural possui pele avermelhada e grandes chifres retorcidos.


Aatxe
Metamorfo – Espírito/ Solitário

CON 12 (48), FR 30, DEX 8, AGI 20 (36)
INT 15 (8), WILL 18, CAR 8-18 (0), PER 20
#Ataques [1], IP 8(Couro), PVs 40
Chifres 60/0 2d6 + bônus

Poderes: Forma Taurina (quando possui um corpo o Aatxe pode transformá-lo no corpo de um touro [1 rodada]).

Fraquezas: Sol.

Espírito da mitologia basca, que, ao possuir o corpo de uma pessoa (Teste de WillxWill), passa a se esconder em cavernas durante o dia e sair na forma de um touro enfurecido durante a noite.


Abatwa
Fada/ Grupos de 1 a 7

CON 1-5, FR 2-5, DEX 5-8, AGI 12-18
INT 15-18, WILL10-18, CAR 8-18, PER 12-20
#Ataques [0], IP 0, PVs 5
mordida 20/0  1d3

Poderes: Linguagem das formigas.

Fraquezas: Ferro Frio.

São as menores criaturas de forma humana em existência. Estas pequenas pessoas coexistem pacificamente com as formigas nas colinas do sudoeste da África e moram em raízes de capim e de outras plantas. São muito tímidas, mas podem revelar-se para crianças pequenas, magos e mulheres grávidas (com o aprimoramento Afinidade com fadas).


Abshe
Criatura/ Único

CON 30, FR 30, DEX 5, AGI 18
INT 18, WILL10, CAR 0, PER 20
#Ataques [2], IP 4 (couro), PVs 50
Mordida 50/0  1d10 + veneno (Teste de CON difícil).

Poderes: Veneno: se o personagem falhar em um teste difícil de CON começa a perder 1 ponto de CON e PER por rodada (quando os atributos chegarem a zero o personagem morre).

Fraquezas: Água do Nilo (o Abshe pode ser aprisionado em uma garrafa contendo água do rio Nilo - Controlar Água/ Espíritos 3).

Abshe é um crocodilo monstruoso que guarda a sétima sessão do reino dos mortos. A Cidade de Crocodilópolis, no Egito, era sede de seu maior templo, que consistia em um suntuoso palácio com um enorme fosso ao seu redor, onde ficavam diversos crocodilos do Nilo, pequenos animais eram jogados ao fosso em diversas ocasiões. Abshe pode se materializar no plano físico se invocado por cultistas, através de sacrifícios humanos, geralmente de inimigos do seu culto – capturados em combate.


08/11/2011

Insatisfação Sexual e a Obliteração do Ser.



Antes uma breve definição sobre satisfação.

Buscando rapidamente em alguns dicionários pude encontrar as seguintes palavras que definem satisfação: saciedade, contentamento, realização e retribuição.

Ok.

Tendo esta definição como base, me parece que as pessoas andam bem insatisfeitas com o sexo.

Insatisfeitas, mas não infelizes de um modo objetivo e consciente, é claro. Insatisfeitas e irrequietas comportamentalmente.

Não percebo saciedade, contentamento, realização e muito menos retribuição em relação ao sexo por parte dos seres humanos.

Há esta fome interminável, este vazio impreenchível, uma síncope no adágio senciente. Reflexo disso está na fugacidade das relações sexuais, na banalização, na glamorização ou repulsão extrema, na comercialização, e na forma como vem sendo explorado, e estampado, o sexo pela sociedade contemporânea.

Sexo é pecado? É antinatural? É óbvio que não. Sexo é função biológica? Sim, em termos biológicos. Por mais que você utilize preservativos, anticoncepcionais, se relacione com um parceiro de mesmo sexo, utilize brinquedos sexuais ou se masturbe; toda vez que faz sexo, o seu corpo se prepara pra gerar uma nova vida. Esta pode não ser sua intenção, mas o seu corpo, assim como uma máquina programada para produzir X efeitos de acordo com X estímulos, age conforme sua biologia. Se fosse o contrário, nós nunca precisaríamos dos tais métodos contraceptivos. Pois só nos reproduziríamos quando assim desejássemos.

E é aí que reflito. Por que não temos o domínio completo e consciente sobre nossas funções biológicas? O corpo não é meu? Não sou “dono” de meu corpo? Se este corpo não é meu, porque me percebo nele e sendo ele? Porque só tenho controle consciente de algumas funções de meu corpo?

O ser humano, diferente dos animais, consegue, em certo nível, negar algumas funções biológicas, até driblá-las, em prol de alguma escolha sua – como obter prazer sexual sem objetivar a reprodução da espécie. Os golfinhos, assim como os seres humanos, podem fazer sexo apenas por prazer, mas não conseguem driblar a função biológica (se estiver errado, biólogos, por favor, me corrijam).

Por que isso é diferente conosco, seres humanos?

Porque o ser humano não é uma unidade, mas sim uma composição. Nós somos Seres que vivem dentro de animais humanos. O humano é um animal que está atado às leis da natureza, já o ser é uma consciência que toma o humano por um veículo de aprendizado. Nós perdemos a unidade (encontrada em toda a natureza) e nos tornamos duais.

Numa forma mais ilustrativa, recorrendo a um mito bem difundido, humano é o corpo que Deus moldou no barro e o ser é o sopro divino que animou o corpo humano.  

Ser é o que conhece e humano é o que permite ao ser conhecer.

E qual é o papel do ser?

O papel do ser é o de servir (ser/vir). E como o ser pode servir? Através do aprendizado, do autoconhecimento, do vir a ser. Do perfeito equilíbrio entre o ser e o humano.

É por isso que há tanta insatisfação no sexo.

Em nossa sociedade as pessoas estão mais preocupadas em possuir do que em servir. O cocheiro (ser) está dormindo e deixando os cavalos (desejos) levarem a carruagem (humano) para a beira do penhasco em busca de capim fresco.

E não é só no sexo! Utilizo aqui o sexo como exemplo, pois é um tema mais suscetível ao desejo de posse (possuir conhecimento para possuir algo). Grande parte de nossa sociedade está estruturada nesse desequilíbrio, em possuir ao invés de servir.

Nós não compramos algo para que possamos utilizá-lo em prol do servir, mas sim de possuir. Nós não namoramos, casamos, ficamos e o que mais existir em termos de relacionamento humano, com a intenção de servir ao próximo. Mas sim com a intenção de possuir alguém que preencha esse vazio que ocupa nosso âmago desde o momento em que abdicamos do nosso ser.

É óbvio que o sexo é insatisfatório, pois não há a retribuição, contentamento e nem a realização. Há sim uma tributação, o desejo de possuir mais, a fome e a aniquilação do ser

E não importa se o orgasmo dura mais de uma hora. Não importa se seu sexo é tântrico (me refiro ao sexo tântrico vendido como “super sexo”). Perceba a própria origem e significado da palavra Tantra: do sânscrito, significa “o que conduz ao conhecimento”. Logo, é essencial o ser, pois só o ser conhece!

Se duas pessoas se relacionam sexualmente e procuram servir integralmente uma a outra, não tem como o sexo ser desgastante ou insatisfatório. Como ambas estão guiando o humano pelo servir e não pelo possuir, aí temos uma perfeita retribuição. Saciedade. Contentamento enfim. O ser possui o livre arbítrio e a consciência. Não há desequilíbrio!

A insatisfação no sexo (bem como em todos os demais aspectos da vida humana) é facilmente resolvida pela simples, e natural, mudança da atitude de possuir pela atitude de servir!

“Quem não vive para servir, não serve para viver.” (Mahatma Gandhi)
“Não devemos servir de exemplo para ninguém. Mas podemos servir de lição.” (Mário de Andrade)
“Sentir-me-ia feliz em servir; o que me repugna é servirem-se de mim.” (Alexander Griboiedov)
“A grandeza do amor repousa invariavelmente na conjugação do verbo servir.” (Chico Xavier)

.’.

Lembrando que este artigo é uma reflexão minha, que compartilho aqui no simples intuito de servir. Não é uma sentença, muito menos um tratado sobre a conduta perfeita. Mas o que reflito, atualmente, sobre o que pode ser um desequilíbrio na harmonia do ser humano. Fique livre para discordar e servir este espaço com seu conhecimento e argumentos. Aprender e compartilhar é o lema deste espaço. E para isso é preciso que sempre estejamos cientes de que os melhores encerramentos são as vírgulas e as interrogações e não os pontos finais e exclamações.

Namastê!

Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira 

06/11/2011

A Importância da Teoria do Yin e Yang nas Terapias Orientais.


Os chineses creditam a estas energias todos os fenômenos e reações animadas ou inanimadas. Elas seriam também responsáveis pela criação do universo por meio de seus aspectos opostos/complementares: Yin e Yang. A visão do mundo dos chineses, formulada há aproximadamente 4 mil anos, baseia-se na concepção de que o universo é dividido entre esses dois polos e de que todas as coisas a ele pertencentes são regidas por essa polaridade. O yin, escuro e negativo, e o yang, claro e positivo, são ao mesmo tempo forças antagônicas e equilibradoras.

A energia yin (negativa) tem, em princípio, o mesmo valor da yang (positiva). A exacerbação ou deficiência de uma delas gera um desequilíbrio, intervindo na harmonia homeostática. Isso significa que o fluxo harmonioso dessas duas energias, em intensidade e qualidade, é responsável pelo equilíbrio do organismo.


Observe o símbolo yin e yang: o círculo representa a totalidade, a forma arredondada do planeta, as polaridades são expressas pelas partes clara (yang) e escura (yin). Como se pode observar na figura acima, o yin penetra no yang e vice-versa, dando a ideia da existência de movimento constante. Isso significa que não há elemento totalmente yin ou totalmente yang; cada aspecto da energia contém a semente do elemento oposto, chamada popularmente de jovem yin ou jovem yang.  Tudo é relativamente yin e yang, não existindo neutralidade absoluta. De maneira mais radical, yin pode produzir yang e vice-versa.

Na síndrome de calor, o predomínio é yang e leva ao consumo energético de yin. Tanto no calor como no frio, a predominância será e excesso (shi) ou deficiência (xu). O xu implica baixa resistência do organismo, enquanto shi representa a exacerbação de energia atuante. Ambos levam a patologias derivadas de desequilíbrio orgânico.

O yang é representado pelo dia na alternância cíclica entre dia e noite. Por isso a atividade, dia, refere-se ao yang, e o descanso, noite, tem polaridade yin.

A partir di fato de que o Sol nasce no leste e se põe no oeste, observa-se que sul e leste = yang, e oeste e norte = yin.

A teoria do yin e yang é de suma importância na aplicação das terapias orientais (derivadas da Medicina Tradicional Chinesa) que utilizam os meridianos como forma de ação nos tratamentos, identificação das patologias e diagnóstico, além do seu aspecto fisiológico. Assim, os órgãos e vísceras contêm duas polaridades em proporções distintas.

Qi = energia. Sua função é aquecer, proteger, ascender e transformar todas as funções tipicamente yang.

Xu = sangue em forma de qi mais denso e material; por tanto, mais yin. Sua função é nutrir e umedecer todas as funções de características yin.

O professor Sohaku R. C. Bastos diz que:

No Nei Ching, por exemplo, há referências a dois tipos de sangue: yang, com as características do princípio da vida, e yin, com as do princípio escuro da destruição. Hoje, conhecemos os dois tipos de sangue como arterial, rico em oxigênio e em substâncias nutritivas, e o venoso, carregado de substâncias a serem eliminadas e pobre em oxigênio.

Yin
Yang
Lua
Sol
Terra
Céu
Frio
Calor
Feminino
Masculino
Repouso
Atividade
Escuro
Claro
Direita
Esquerda
Baixo
Alto
Pesado
Leve
Sangue (Como um todo)
Energia
Doenças Crônicas
Doenças Agudas
Pressão baixa
Pressão alta
Norte-Oeste
Sul-Leste
Concentração/retração
Expansão/dilatação
Interior
Exterior

Diz o livro Nei Ching que yin e yang constituem a base de todo o universo, sendo o princípio de todas as coisas e da criação. O céu foi criado por acúmulo de yang, e a terra por acúmulo de yin.

A energia yang desce do céu para a Terra e se desenvolve em energia yin, que retorna ao céu e se transforma em yang, havendo constantes interações e mudanças de uma única energia que se manifesta por meio de duas polaridades: yin e yang.

04/11/2011

Índia: Cultura e História



A Índia foi berço das principais correntes do pensamento oriental, inclusive do Budismo, que depois emigrou. A cultura indiana propriamente dita é “mestiça”, pois surgiu após a invasão dos ários (povo loiro e de pele clara que vivia junto ao que hoje é o deserto de Gobi), que penetraram pelo noroeste da Índia (região de Punjab) em 1500 a.C., onde eles se mesclaram com os drávidas (povo de pele escura que habitava o vale do rio Indus). Os invasores brancos constituíram-se como classe dominante e os nativos como classe dominada. Dessas duas classes originou-se o sistema de castas, inicialmente composto de quatro classes: os brahmanes (sacerdotes), os kshatryas (nobres e guerreiros), os vaishyas (comerciantes e agricultores) e os shudras (trabalhadores servos).

A Índia antiga quase não conheceu a fome,  nela havia um equilíbrio entre o estatal e o privado. Até mesmo a agricultura foi desenvolvida de um lado por aldeias independentes, e de outro pelo Estado, em terras públicas com mão-de-obra assalariada ou de apenados. Os indianos tinham uma agricultura diversificada e uma alimentação muito rica, e cabia ao Estado prover a armazenagem e o abastecimento de cereais. Extraía-se madeira dos bosques, domesticavam-se elefantes nas selvas, pescava-se com redes, praticava-se a mineração, fundia-se o cobre, mas não o ferro, e se fabricavam joias e tecidos. Os indianos viviam nas aldeias, florestas e bosques ou cidades, mas a maioria da população habitava aldeias de cem a quinhentas famílias.

A Índia tinha uma consciência nacional precária, porque se compunha de pequenos estados independentes cujos reis eram chefes militares e governavam com poder absoluto, mas buscando o apoio popular. No palácio real vivia o rei, sua família, a corte, e havia ainda parte da administração pública, podendo o povo, em determinados momentos, peticionar diretamente ao monarca. Muitos reis foram sábios filósofos que no final da vida transformavam-se em ascetas. Nenhuma cultura, como a hindu, baseou-se tanto na sabedoria filosófica.

Podemos dividir os principais períodos da história da Índia, aproximadamente, em:

1 – Século XXXVI ao XVI a.C.: fase de florescimento da cultura do Indus.

2 – Século XVI ao VIII a.C.: invasão dos ários e surgimento da cultura védica.

3 – Século VIII ao V a.C.: eclosão de conflitos no norte do subcontinente entre pequenos estados surgidos da urbanização de cidades fortificadas; aparecimento do Jainismo e do Budismo; o império Aquemênida anexa com Ciro II a bacia do rio Kabul em 539 a.C. e com Dario I a bacia do rio Indus em 522 a.C.

4 – Século IV ao III a.C.: em 327 a.C. chegada de Alexandre Magno à bacia do Indus; a dinastia Maurya inaugura o primeiro estado universal; o imperador Ashoka em 216 a.C. converte-se ao Budismo, que inicia sua expansão.

5 – Século II a.C. ao III d.C: os gregos invadem a Índia e surgem principados ao noroeste; os sakas ocupam o vale do Indus; o império Kushan domina o Hindu Kush até ser anexado pelo império Sassânida; surge um comércio ativo com o  mediterrâneo e a influência cultural indiana se expande no sudeste da Ásia e na Indonésia.

6 – Século IV ao VI: período Gupta (320-535); o império é restaurado ao norte da Índia; domínio dos hunos (510-527) que, mesmo derrotados, permanecem, convertendo-se ao Hinduísmo.

7 – Século VII ao X: vários impérios com estados subalternos; chegada dos árabes a Sind e dos turcos ao Hindu Kush; nascimento do filósofo Shankara (Vedanta).

8 – Século XI ao XIV: presença muçulmana ao norte e em Deccan; império Hindu ao Sul; nasce Ramanuja (Vedanta) no século XI e Nanak (Sikhismo) no ano 1419.

9 – Século XV ao XVII: império Mongol.

10 – Século XVIII ao XX: os ingleses dominam gradualmente a Índia a partir de 1757, até anexá-la ao império britânico de 1858 a 1947; Gandhi lidera a resistência não-violenta aos ingleses; a Índia britânica torna-se independente, dividindo-se em novas nações: Paquistão, Birmânia e Ceilão.

A cultura hindu constituiu-se a partir da antiga religião védica, assim chamada por basear-se em textos antiquíssimos, do segundo milênio antes de Cristo, intitulados Vedas (Rig-Veda, Sama-Veda, Atharva-Veda e Yajur-Veda), que foram o ponto de partida das escolas filosóficas indianas. A palavra Veda significa “visão”, no sentido de “conhecimento”, e tal literatura, sob forma de hinos, fórmulas e preceitos, contém já a ideia fundamental de todas as filosofias da Índia: a profunda unidade entre homem, divindade e natureza, realizada pela libertação das ilusões sensoriais que nos escravizam. O Vedismo como religião caracterizou-se pelos sacrifícios rituais que só podiam ser executados pelos brahmanes, que viveram então o seu apogeu como casta, pela dependência das outras ao seu sacerdócio. Na época, o deus principal era Brahma, que, aos poucos, foi cedendo espaço a Vishnu e Shiva, formando os três em conjunto a Trimurti (trindade principal do hinduísmo).

Brahma era o deus dos brahmanes, de concepção muito abstrata como deus criador e imagem e semelhança da alma (atman). Vishnu é o “conservador dos mundos” que, no início de cada Grande Idade do Mundo, encarna na Terra como animal ou homem, para ensinar a salvação à humanidade. As principais encarnações de Vishnu foram como Rama e como Krishna (o “Cristo” da tradição hindu), cuja epopeia é narrada no Bhagavad Gita, uma das mais importantes obras da cultura indiana. Por último, Shiva é a representação do poder transformador e destruidor, que incorpora em si o bem e o mal, o masculino e o feminino, e possui múltiplas representações: o Senhor das Feras (Pashu-Pati), o Grande Asceta (Mahadeva), o Bailarino Cósmico (Nataraja) etc.

O Hinduísmo equivale ao período em que os deuses védicos, de origem ariana e de representação humana, cederam lugar a divindades mais antigas, de culto dos nativos drávidas, ligadas a representações animais, sexuais e simbólicas. Os deuses da Trimurti, por exemplo, aparecem montados em vários animais: touro, cisne, falcão e serpente, e a divindade passa a ser abordada também em seu aspecto feminino. Nessa época, surge uma literatura nova, que reconhece os Vedas, mas que os reinterpreta à luz de um outro espírito. Por exemplo, o sacrifício védico (tapas) torna-se sutil e simbólico: respirar ritmicamente, meditar e extinguir desejos passam a ser formas de sacrifício. Dos comentários aos textos religiosos védicos surgem as ideias que formarão o substrato moral, cosmológico e metafísico hindu.

Os Upanishads são o conjunto de textos mais representativos desse período. Comentando os Vedas, eles desenvolvem as ideias filosóficas, já mais afastadas da mitologia, que constituem a base do pensamento indiano. Um dos prováveis significados etimológicos de Upanishad é “sentar em círculo”, uma possível alusão à transmissão oral do conhecimento feita de boca a ouvido, de um mestre aos seus discípulos. Existem hoje em torno de 112 Upanishads, que inspiraram os textos (sutras) das escolas filosóficas hindus, particularmente das que seguem a tradição védica.

Foram os Upanishads que, ao serem traduzidos para o persa e deste para o latim, influenciaram a filosofia ocidental através de Schopenhauer e Nietzsche. E também é neles que aparece pela primeira vez, de modo claro e explícito, a doutrina do karma e da reencarnação. No Katha-Upanishad está escrito:

“Quem existe por si mesmo domina os sentidos voltados para as coisas exteriores. O homem dá atenção a essas coisas exteriores, não às internas, mas o sábio, desviando do mundo exterior seu olhar, desejando a natureza imortal, contemplará a alma absoluta.
(...) O sábio não se entrega à aflição. Ele não ignora que a alma com que se apercebem as imagens de sonho e da vigília é a mesma grande alma que penetra tudo.”

Bibliografia: Iniciação ao Orientalismo, de Antônio Henriques (editora Nova Era).

03/11/2011

A felicidade não é real.


TAMPOUCO A INFELICIDADE.

O que é a felicidade?

Para um ocidental de classe média é ter muito dinheiro para poder comprar seus desejos materiais; para um homossexual é ter sua sexualidade e sua pessoa respeitadas; para um morador do deserto pode ser um copo d’água; Para um religioso extremista pode ser aniquilar todos aqueles que não se encaixam na sua concepção de fé; Para um... Enfim,  a concepção de felicidade é tão diversificada e vasta quanto o número de seres humanos caminhando sobre o solo deste planeta. Faça um teste, pergunte para as pessoas que moram, ou vivem, próximas a você o que é felicidade. Aposto que você não encontrará duas definições iguais. Similares sim, mas iguais muito dificilmente.  

E a infelicidade? Dentro deste horizonte, é a mesma coisa que ocorre com a felicidade. Cada um terá sua própria concepção. Sua idiossincrasia.

Para entender melhor se a felicidade e a infelicidade são reais ou não, é preciso, antes, discorrer sobre o que é “existir”.

Acredito que o problema não seja o “existir” por si só, mas sim o emprego, equivocado, como sinônimo de “real” (Realidade). Etimologicamente a palavra existir vem do latim  ex(s)istere; que significa “sair de”, “nascer de”, “mostrar-se de”, “manifestar-se de”. Aí  refletimos: sair, nascer, mostrar-se, manifestar-se, de onde? De quem? Do quê?  Para a maioria das culturas e religiões seria de Deus. Daí, religião ser uma palavra derivada do latim religare. Que significa “ligar-se a”, “retornar a”, “voltar a”. E o que seria Deus? Desconsiderando as recentes religiões que tomam Deus por uma entidade antropomórfica, veremos que as antigas e ancestrais tradições consideram e classificam Deus como a Realidade Última. A única coisa Real. O incognoscível. O infinito, de onde todas as coisas passam a existir, ou seja, se tornam finitas (ilusórias) – com um início, meio e fim.

Os hindus chamam a tudo isso que consideramos “real” (mundo, universo, sentimentos, nascimento, morte, eu, você...) de Maya, ilusão. Eles não negam que nós existimos, mas afirmam que não somos reais. Nos Vedas lemos que Brahman é a única realidade, a única coisa real. Brahman não é Brama. Brahman é o não-manifesto dos budistas, que se manifesta em Ishvara. Ishvara seria o equivalente de Brama dos hindus, Demiurgo dos gnósticos e o Deus dos cristãos (da forma como o culto exotérico o apresenta).

Se Deus (Brahman, o Incognoscível...) é a única Realidade, tudo o que existe não é real. A existência vem da realidade, mas não é a realidade per si. Tudo é ilusão, pois ilusão é tudo aquilo que desvanece. Que uma hora acaba. Que não se sustenta infinitamente. Nossa vida teve um início (nascimento) e terá um fim (morte), este universo teve um início (Big Bang [em teoria]) e também terá um fim (Big Crunch [em teoria]), a felicidade teve um início (quando a infelicidade cessou) e terá um fim (quando a infelicidade começar). Tudo é um ciclo ilusório.

Só levantei esta questão, pois os seres humanos, muito preocupados em existir e com a existência, se cegam em busca da felicidade e se matam com medo da infelicidade. Por que se cegar e se matar por coisas irreais?

Figuradamente é como se o oceano fosse a Realidade e suas ondas a Existência. Não é possível falar ou provar que o oceano seja uma onda, mas sabe-se que ela veio e foi formada por ele. Uma onda faz parte do oceano, mas o oceano não é uma onda. Uma onda se faz e desfaz a todo momento,  o oceano é sempre o mesmo. É preferível se agarrar a uma onda ou  se entregar ao oceano? Mesmo que se agarre a uma onda, chegará um momento em que ela irá se desmanchar e, mesmo que não queira, o levará pra dentro do oceano.

Então não se agarre a felicidade alguma e nem tema nenhum tipo de infelicidade! Ambas irão se desintegrar no oceano da Realidade.  Apenas aprenda e caminhe igualmente com ambas, sem se apegar! Felicidade e infelicidade existem, mas não são reais!

Não seja como uma represa, que retém suas águas em prol de coisas finitas e irreais. Mas sim um rio que flui constantemente, e não importa o curso que tome, não importa as coisas finitas que se usufruam de suas águas, retorna integralmente e livremente, sem se apegar a nada, para o oceano! Mas não deixa de existir, não deixa de cumprir sua função, não deixa de ser o que é!

Namastê! 
Texto de Leonardo Triandopolis Vieira.