Os quatro C's que resultam no grande A

Um singelo rascunho de como eu compreendo atualmente a vida. Contemplação. Compreensão. Carinho. Compaixão. Atributos essenciais para trabalharmos nosso Ser...

A MAGIA NOSSA DE CADA DIA.

Milhares de vozes orgânicas transformadas em ondas de rádio e ondas eletromagnéticas que viajam de maneira invisível e imperceptível, na velocidade da luz...

INSATISFAÇÃO SEXUAL E A OBLITERAÇÃO DO SER.

Sexo é pecado? É antinatural? O que é o SER e o que isso interfere na insatisfação sexual...

O Terror do Amor

Ter amor é opiofágico. É um ciclo vicioso. Uma moeda de dois lados – o lado do ter e do não ter. Enquanto há algo para se consumir, o ter prevalece e a falsa felicidade impera, quando já se consumiu todo amor...

A FELICIDADE NÃO É REAL.

Tampouco a infelicidade. Descubra o porquê...

30/07/2011

Pandora, Piratas e O Reino


Três curtas fantásticos. Assista!

25/07/2011

Desmistificando a Massagem Tailandesa

Infelizmente a massagem tailandesa é confundida com sacanagem no Brasil. A grande maioria dos consultórios ou clínicas que tem massagem tailandesa oferece algum tipo de massagem erótica ou garotas de programa. Na verdade a massagem tailandesa é uma massagem antiga e séria, usada na Tailândia para promover saúde e bem estar.

Origem.

A sua origem é tão obscura quanto à do próprio povo tailandês. A Tailândia situa-se no caminho das antigas rotas migratórias percorridas pela sucessão de muitas civilizações e culturas diferentes. O fato de se encontrar próxima da China e de se situar numa das principais rotas comerciais da Índia resultou em inúmeras influências culturais e religiosas, particularmente o Budismo - que floresceu entre os antigos habitantes desta área.

A tradição popular diz que Shivago Komarpaj  foi o fundador da Thai Massage. Amigo e médico de Buda há cerca de dois mil e quinhentos anos, ainda hoje é venerado como "Pai da medicina tailandesa". Tradicionalmente os procedimentos desta massagem foram passados oralmente, de geração em geração. Na língua Pali, existem textos médicos que registraram, em folhas de palmeira, informações pormenorizadas sobre esta técnica, tal como era praticada então. Eram venerados como textos sagrados e encontravam-se bem guardados em Ayutthia. No século XVIII, os invasores birmaneses arrasaram a cidade e muitos dos preciosos textos foram destruídos. Em 1832, o rei Rama III fez gravar em pedra os textos restantes, depositando-os em Wat Pho, o maior templo de Bangkok, sob a forma de epígrafes descritivas.

O templo de Wat Pho.

Os Wat são templos ou mosteiros, que além de serem locais de prática do Budismo, sempre cuidaram da saúde e das necessidades humanas. O mais famoso de todos é o Wat Pho. Com sua origem datada do século XVI, caracterizado pela famosa estátua do Buda deitado, com quarenta e seis metros de comprimento e quinze de altura, possuindo, ainda, a maior coleção de imagens de Buda de toda a Tailândia. Gravados na pedra existem sessenta epígrafes que descrevem os canais Sen, onde estão contidas todas as informações incluídas nos textos Pali que sobreviveram ao reinado do rei Rama III. Fora do templo existe uma coleção de estátuas de pedra que exemplificam as várias técnicas clássicas da massagem tailandesa.

Wat Pho é o centro nacional de ensino e preservação da medicina tailandesa tradicional. Muitos tailandeses são budistas que, ainda hoje, se mantêm fiéis aos ensinamentos deixados por Buda, respeitando a nãoviolência, a bondade e a compaixão. Os monges continuam a ser mantidos pelas oferendas de alimentos aos templos, e aqueles que as praticam regularmente são considerados virtuosos. A monarquia é baseada nos ensinamentos budistas e conta com o apoio popular. O atual rei, Bhumibol Adulyadej, é o nono monarca, numa linha de sucessão direta.

Com origens tão profundamente enraizadas na filosofia budista, não surpreende que, ao longo da maior parte da sua história, a massagem tradicional tailandesa tenha sido considerada como um rito religioso. Até a bem pouco tempo, apenas os monges a praticavam oficialmente e logicamente impediam que as mulheres dela se beneficiassem (os monges tailandeses não podem tocar mulheres). No seio das famílias, praticavam-se e ainda se praticam várias formas de massagem popular, em que os vários membros as aplicam entre si.

As linhas Sen.

Na teoria da medicina tailandesa, a energia vital do corpo flui ao longo de canais designados por Sen. A massagem tailandesa concentra-se nos canais Sen mais importantes. A aplicação cuidadosa de pressões ao longo destes canais ajuda a liberar quaisquer bloqueios e estagnações de energia. O ato de pressionar e alongar os músculos torna-os mais receptivos a este fluxo.

Devido ao intercâmbio e influência cultural da China e da Índia, especula-se que os alongamentos seriam os asanas do yoga, realizados de maneira passiva, e que as linhas Sen estariam correlacionadas como os pontos marmas (Índia) e os meridianos (China).

Qual a utilidade da Massagem Tailandesa?

Você já dever ter escutado que a prática do Yoga é um meio eficaz de manter a saúde e a flexibilidade. Contudo, a massagem tailandesa constitui uma forma mais “preguiçosa” e simples de obter os benefícios do Yoga, sem termos de fazer o esforço por ele requerido. Quando for a nossa vez de massagear outra pessoa, também sentiremos os benefícios de sermos nós a administrar a massagem.

O mundo ocidental encara o endurecimento e a falta de flexibilidade como resultantes inevitáveis do processo de envelhecimento. A forma como nos sentimos - física, mental e emocionalmente - é mais importante do que a mera idade física. A Massagem Tailandesa possui a capacidade excepcional de preservar a juventude!

Por que motivo, aqui no ocidente, a massagem tailandesa foi identificada com a massagem erótica praticada nas casas noturnas?

Em primeiro lugar, por que houve realmente a disseminação do uso erótico desta massagem, porém já totalmente distorcida de sua natureza terapêutica e sagrada. Historicamente, vários fatos contribuíram para essa ocorrência. É suposto que as guerras no Oriente, especialmente no Vietnã, Laos e Camboja, países vizinhos da Tailândia, contribuíram para a disseminação da prostituição, além de outros eventos e circunstâncias socioeconômicas da própria Tailândia. Foi nessa circunstância que nós, os ocidentais, tomamos os primeiros contatos com a Massagem tailandesa e sob a influência desta cruel experiência é que ela passou a ser difundida no nosso meio. Cabe salientar que a Massagem Tailandesa é única e exclusivamente terapêutica e é feita com roupas folgadas e confortáveis. 

Para evitar essa infeliz associação com a prostituição e o sexo, alguns terapeutas se referem à massagem tailandesa como Thai Massage ou Thai Yoga.

21/07/2011

O inutensílio de Paulo Leminski


Paulo Leminski Filho (1944 -1!989) foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Além disso, foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos.


18/07/2011

DOPPELGÄNGER

DOPPELGÄNGER é um termo alemão para sósia ou duplo de uma pessoa, uma espécie de alma gêmea ou mesmo um fantasma que persegue um indivíduo,  confundindo-se com a sua própria personalidade.


O Mito e uma possível explicação.

Existem muitas divergências sobre o mito do doppelgänger: uns dizem que ele anuncia maus agouros, enquanto outros ditam que é uma representação acentuada do lado negativo de um indivíduo. No primeiro caso, diz-se que ver o seu próprio doppelgänger é um sinal de morte iminente, pois a lenda reza que a pessoa está vendo a sua própria alma projetando-se para fora do corpo para assim embarcar para o plano astral. Em outras circunstâncias, se o doppelgänger é visto por amigos ou parentes, isso é um anúncio de má sorte ou de problemas emocionais que se aproximam. No segundo caso, há quem diga que ele assume o negativo da pessoa para tentar sobre a mesma uma influência negra, de modo a converter a pessoa a fazer coisas cruéis ou simplesmente coisas que ela não faria naturalmente. Ainda existem aqueles que especulam que o doppelgänger seja um tipo de "conselheiro" invisível para a pessoa, seja dando avisos ou implantando ideias. Dado este plano, acredita-se que o doppelgänger somente é visível para quem o tem, e mesmo em tal circunstância ele só pode ser visto espiritualmente, pois ele não se reflete em espelhos ou qualquer superfície física. Estima-se também que cães e gatos podem ver os doppelgänger dos seres humanos, embora isso seja ainda não comprovado. Em parte há quem credite o doppelgänger como sendo o polo oposto de seu dono, ou seja, se a pessoa é boa, o doppelgänger é mau, ou o oposto.

De acordo com alguns estudiosos, o fenômeno doppelgänger é provocado pelo mau funcionamento da junção temporo-parietal, ou seja,  uma região do cérebro responsável pela integração de várias sensações (táteis, visuais e de posicionamento do corpo) que constantemente chegam ao cérebro. Montando a forma pela qual se entende o mundo e o posicionamento do corpo em relação ao que está ao seu redor. O mau funcionamento dessa região pode, portanto, acarretar o desacoplamento da percepção inconsciente do corpo e da sua representação no espaço. Quando as sensações táteis, de equilíbrio e visuais não coincidem entre si, a compreensão da localização do corpo e do que é pessoal ou extrapessoal perde-se, e tem-se a origem da intrigante sensação extracorpórea, o que poderia explicar a visão do doppelgänger e a origem deste mito.

No Esoterismo.

Dentro de algumas tradições, principalmente as espíritas, o duplo etérico é o corpo formado pelo perispírito quando revestido com os eflúvios vitais - emanações neuropsíquicas (Ectoplasma) que pertencem ao campo fisiológico, corpo físico. Ou seja, o corpo espiritual que é utilizado nas projeções astrais. Visualmente é o mesmo corpo físico de quem o projeta. Ele pode ser visto nas seguintes ocasiões: em desdobramentos, imediatamente após a morte ou dias e até meses após a morte, se o indivíduo foi muito apegado à sua vida terrena. Esse fenômeno pode, também, ter servido de gatilho para o surgimento do mito doppelgänger.

Casos Clássicos.

A mais conhecida história envolve Emili Sagée, uma professora de francês da Letônea. Em 1845, diversos alunos teriam visto Emili "bilocar". Certo dia, sua sósia teria sido vista ao lado dela, imitando seu gesto de escrever no quadro-negro, mas sem usar giz. Em outra ocasião, a sósia teria sido vista parada, enquanto Emili de carne e osso caminhava.

O escritor francês Guy de Maupassant  disse ter sido perseguido pelo seu doppelgänger. Certa vez seu sósia teria entrado no seu quarto, se sentado diante dele e começado a ditar o que Maupassant estava escrevendo.
Consta também que o poeta alemão Johann Wolfgang Von Goethe cavalgava um dia por uma estrada, quando teria visto um outro homem, seu sósia perfeito, vindo em sentido contrário, também montado a cavalo e vestindo um traje cinza com detalhes em dourado. Oito anos mais tarde, Goethe cavalgava novamente pela mesma estrada, mas no sentido contrário. Foi quando teria se dado conta de que vestia uma roupa semelhante à do sósia que vira oito anos atrás. Teria Goethe vislumbrado seu próprio futuro? 

A rainha Elizabeth I da Inglaterra ficou chocada ao ver seu doppelgänger repousando em seu leito. A rainha morreu pouco tempo depois. A ocasião foi, inclusive, assunto dos jornais da época.

John Donne, poeta Inglês do século XVI, cujo trabalho muitas vezes aflorou assuntos voltados para metafísica, foi visitado por um doppelgänger enquanto ele estava em Paris - e não o seu, mas o de sua mulher. Ela apareceu-lhe para mostrar um bebê recém-nascido. Sua esposa estava grávida na época, mas a aparição foi um sinal de grande tristeza. Ao mesmo momento que o doppelgänger apareceu, sua esposa havia dado à luz um filho natimorto.

15/07/2011

O Livro Tibetano dos Mortos

Já vimos sobre o Livro dos Mortos do Antigo Egito, agora vamos saber um pouco mais sobre o livro que traz com advertência: “Somente para aqueles que têm fome de sabedoria este livro foi escrito” – o Bardo Thödol.

O Bardo Thödol é uma obra que fala da concepção Lamaísta sobre a experiência pós-morte. Foi escrito no século VII, compilado por mestres budistas. Seu conteúdo, porém, muito mais antigo, reúne crenças tibetanas sobre o que acontece depois da morte do corpo físico humano.

Também chamado de O Livro dos Mortos Tibetano, a expressão "Bardo Thödol" é mais apropriadamente traduzida como "A Libertação Pelo Entendimento na Vida após a Morte". "Bardo" é uma palavra composta: BAR significa "Entre" ― DO, significa "Dois".



Lama Samdup (1868-1923), que traduziu o texto para o inglês, definiu "Bardo" como "estado incerto", referindo-se à situação intermediária da Mônada ou espírito humano entre a vida biológica, orgânica, que chegou ao fim e o período que transcorre até o próximo renascimento.

A "Libertação" mencionada no Bardo Thödol relaciona-se ao fim do ciclo de reencarnações produzidas pelo carma, pelos sentimentos de culpa, pelo apego à vida. É a libertação da "roda samsárica" que obriga o espírito a renascer em uma das seis categorias de mundos inferiores:

1. mundo dos Devas ( equivalente aos anjos na visão cristã);
2. mundo dos Asuras (semideuses e heróis, apaixonados, sujeitos a paixões);
3. mundo dos Humanos;
4. mundo dos Brutos, seres inanimados e/ou imobilizados;
5. mundo dos Pretas ou dos infelizes;
6. mundo dos Rakshasas, demônios dominados pelo ódio.

O Bardo Thödol é um livro de instruções que objetiva fornecer as informações necessárias para que o espírito obtenha a Libertação alcançando o "estado de Buda", de Iluminado, habitando "Terras Búdicas", livre da reencarnação inevitável, porém, ainda capaz de voltar a viver em um dos cinco mundos de seres animados (a exceção é o mundo dos Brutos), por vontade própria, se desejar auxiliar os encarnados em seu processo de evolução.

De certa forma, o Bardo Thödol é a ciência de que permite ao espírito transcender a lei do carma pelo entendimento do fenômeno da vida em sua TOTALIDADE CONTÍNUA. Um entendimento que permite superar a forte cadeia que prende o SER humano [em todas as suas manifestações] a uma existência de sofrimento.

Vamos descobrir mais sobre este intrigante livro no seguinte documentário:





13/07/2011

Aniversário - dies sollemnis natalis

Uma vez por ano você faz uma festa, convida amigos (que lhe trazem presentes), fica diante de um bolo, todos cantam parabéns, uma vela é acesa, você faz um pedido e depois assopra a chama da vela... Nuca se perguntou o porquê disso? Da onde veio esta espécie de celebração? Por que é assim? Pois é, eu sim. E vou compartilhar com vocês o que descobri!

Etimologia.

A palavra tem sua origem no latim. Resultante da união dos vocábulos annus (ano) e vertere (voltar), podendo ser traduzida como aquilo que volta todos os anos.

História.

Até hoje, não se sabe a data exata de quando os nascimentos começaram a ser celebrados. Ainda nos dias atuais, a comemoração é um costume ocidental nem sempre seguido por outros povos.

A tradição de sempre festejar a data em que uma pessoa completa mais um ano de vida tem sua provável origem nas festas de culto aos deuses da Antiguidade. Suas origens acham-se no domínio da mágica e da religião. Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração - com o requinte de velas acesas - nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro. Os gregos dizem que cada um tinha um espírito protetor ou gênio inspirador que assistia seu nascimento e vigiava sobre ele em vida (daemon ou daimon). Este espírito tinha uma relação mística com o Deus em cujo aniversário natalício o indivíduo nascia. Os romanos também endossavam essa ideia, Desde a Antiguidade eles comemoravam o dia do nascimento de uma pessoa, conhecido como dies sollemnis natalis. O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos. Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares do templo de Ártemis. As velas de aniversário, na crença popular são dotadas de magia especial para atender pedidos. Acreditava-se também que as saudações natalícias tinham poder para o bem ou para o mal, porque a pessoa neste dia supostamente estava perto do mundo espiritual.

Os cristãos e  o aniversário.

Até o século IV o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício, pois a considerava como um costume pagão.

Alguns especialistas acreditam que o bolo de aniversário foi incorporado a partir da idade média. Segundo eles, esta tradição surgiu na Alemanha medieval, onde se costumava preparar uma massa de pão doce no formato do menino Jesus no Natal. Depois essa guloseima seria adaptada para a comemoração do aniversário de crianças.

O Parabéns incompleto.

A canção Parabéns pra você (original parabéns a você) hoje em dia é cantada só com a primeira estrofe, mas o que poucos sabem, ou lembram, é que ela possui mais três!

Parabéns a você,
nesta data querida,
muita felicidade,
muitos anos de vida


Hoje é dia de festa

vivam as nossas almas
para o/a menino(a) ...
uma salva de palmas,

Tenha tudo de bom
do que a vida contém,
tenha muita saúde
e os amigos também".


Hoje o/a faz anos

Porque Deus assim quis
O que mais desejamos
É que seja feliz!

Curiosidade: No Brasil  a música chegou ainda cantada em inglês. Almirante, da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, organizou em 1942 um concurso para escolher uma letra que casasse com a melodia de "Happy Birthday To You". Dentre cerca de 5 mil participantes, a vencedora escolhida por um júri composto por imortais da Academia Brasileira de Letras foi Bertha Celeste Homem de Mello, paulista de Pindamonhangaba. Bertha, até sua morte, em 1999, fazia questão de que as pessoas cantassem a letra do jeito que ela escreveu.

Uma visão Esotérica.

Por Marcelo Del Debbio.

- O Ritual do Aniversário –

A Origem deste Ritual remota o Antigo Egito. Ele é realizado por magistas em todo o mundo (e imitado praticamente por todas as pessoas do Planeta, sem que estas tenham conhecimento do que poderiam realizar se soubessem o que estão fazendo).

Durante cerca de 15 minutos por ano, o Sol entra em Conjunção Perfeita (zero graus) com o Sol do Mapa de cada pessoa da Terra. Isto ocorre no dia do aniversário de cada um e é o período mais forte do ano para a realização deste ritual de transmutação.


Para ampliar ainda mais o poder do magista para este ritual. Neste dia ele reúne seus melhores amigos que, através de presentes (que normalmente são pequenos objetos feitos pelas mãos de quem presenteia, de maneira a serem receptáculos da emanação da Divindade de cada um dos convidados) emprestam sua energia pessoal para que o magista realize uma evocação.

Os presentes funcionam como transmissores da energia daquela pessoa para o magista (objetos ficam impregnados com as intenções de quem os toca), mas podem ser substituídos por abraços (com intenção magística). O importante é que cada convidado saiba o que está fazendo; que a INTENÇÃO e vontade seja sincera.

No instante da conjuração, imbuído da energia emprestada de TODOS os convidados, o Magista poderá “fazer os seus pedidos” (evocar um Elemental do Fogo que, durante o próximo ano, tentará realizar o desejo expresso pelo magista no melhor de suas habilidades).

Esta conjuração é feita acendendo uma vela (magia do elemento fogo) e expressando o desejo do mago, da maneira tradicional. A vela não deve ser apagada e é removida para o altar ou para algum outro local na residência e deixada queimar até o final.

Após este pedido, o Magista devolve a energia emprestada aos convidados, através do verbo (sopro), para o bolo ou pão que será repartido entre eles (é a origem das comemorações envolvendo bolos e velas, com a diferença que não é a vela que se deve assoprar, mas o bolo). Esta parte do ritual chama-se “ágape”.
Todo o processo é um fluxo de energia vindo de todos os convidados para o Magista; usada na evocação e depois à devolução desta energia repartida entre todos os convidados.

Claro que hoje em dia praticamente todo este significado está perdido… presentes viraram meras formalidades, compradas sem nenhuma intenção ou amor ou amizade, mais como obrigação do que como desejo de prosperidade para a pessoa; a comemoração propriamente dita virou uma algazarra e a vela é assoprada no final, para que desejo seja apagado junto com o elemental (que nem chega a ser invocado, já que quem acende a vela não faz a menor ideia do que está fazendo ali ou do por quê está acendendo aquela vela).

O bolo também virou apenas um evento gastronômico, sem nenhuma meditação ou entendimento do que está sendo feito naquele momento entre todas aquelas pessoas ou que energias poderiam ser trabalhadas ali.

09/07/2011

Você sabe o que é uma egrégora?

Você sabe o que é uma egrégora? Como ela pode nos influenciar e como nós podemos influenciar todo o mundo através dela?

Segundo Carl Jung, podemos ter percepções intuitivas por meio da exploração do inconsciente coletivo. Para ele o inconsciente pessoal descansa sobre outro extrato mais profundo, que não se origina nem da experiência, nem de uma aquisição pessoal, mas é inato no ser humano: o chamado consciente coletivo (ou Egrégora). A expressão designa uma natureza universal e, em contraste com a psique individual, tem conteúdo e modos que são os mesmos em todos os indivíduos. Esta existência psíquica coletiva somente pode ser reconhecida quando seu conteúdo se torna consciente. Isso quer dizer que qualquer aglomerado humano, seja um pequeno grupo de pessoas, uma cidade ou mesmo um país tem seu consciente coletivo – sua egrégora.

O termo Egrégora provém do grego egregoroi que significa envolvimento; estado de espírito resultante de fatores internos e externos; música; odor; misticismo... Em suma a conjugação de diversos fatores criando no indivíduo um estado emocional próprio, de fé, de contemplação, etc. Designa a força gerada pela soma de energias físicas, emocionais e mentais de um grupo de pessoas, quando se reúnem com alguma finalidade.

Uma egrégora é uma intenção, criada dos pensamentos e sentimentos de um grupo de pessoas. Quanto mais focadas, poderosas e coesas forem as mentes destas pessoas, mais poderosa e evidente a egrégora será.

Para melhor entendermos o conceito de egrégora, vamos recorrer a outro conceito. O da forma-pensamento. Você sabe o que é uma forma-pensamento? Explico.

Todos nós somos cientes da existência de nossos pensamentos. É lógico que não podemos objetivá-los como o estender de nossas mãos para firmar um cumprimento, mas todos – mesmo os mais céticos – estamos em total acordo que, por mais que não possamos ver, materializar  ou delimitar, nossos pensamentos existem e são reais.
Por que isso? Simplesmente porque nossos pensamentos pertencem ao plano mental, assim como nossas mãos pertencem ao plano físico. O plano físico é fácil de ser provado, pois é objetivo. Já os planos mental e emocional são subjetivos, mas podem ser objetivados através de ações realizadas no plano físico etc. Um bom exemplo é o refrão da música dos Titãs: Não existe o amor, apenas provas de amor.  Em relação ao plano físico esta oração está corretíssima. Mas como vimos não existe apenas o plano físico. O amor pode não existir no plano físico, mas existe no plano emocional. E podemos objetivá-lo no plano físico através de ações que correspondam com o que acreditamos ser o amor – com base em nossa experiência emocional.

Percebeu? O amor pode ser enquadrado dentro do conceito da egrégora. O amor é uma egrégora!

Mas voltemos à forma-pensamento. Faça o  seguinte exercício:

Imagine um bolo de chocolate. Pense na sua forma, textura, tamanho, cor, cheiro, aroma, sabor. Agora imagine uma fatia desse mesmo bolo. Ainda em pensamento, a toque e deguste o delicioso sabor do cacau misturado ao leite, açúcar e outros condimentos que deixam o bolo extremamente saboroso.

Ok.

Pode parar de pensar no bolo. É capaz até de você ter começado a salivar mais. Se isso aconteceu (o salivar) é porque, apesar de você saber que o bolo existe apenas na sua cabeça, seu corpo físico o considerou como real e se preparou para digeri-lo! Isso é forma-pensamento! Por um curto período, através da força do seu pensamento, você deu forma, criou um verdadeiro bolo de chocolate! O bolo foi pura ilusão? Diga isso para o seu corpo que começou a salivar enquanto você apenas pensava no bolo.

Após algum tempo sua mente irá se reorganizar com outros pensamentos e divagações e você acabará se esquecendo do bolo e, logo, em seu pensamento e para o seu corpo ele não irá mais existir.

Agora imagine se você se reunisse com um pequeno grupo de amigos e todos os dias começassem a pensar juntos e sincronizados nesse bolo. Se você sozinho já foi capaz, mesmo que inconsciente, de fazer seu corpo encarar o bolo como real. Imagine se o grupo de amigos se estendesse para uma sociedade, depois um continente e depois todo o mundo civilizado e todos pensassem no mesmo bolo todos os dias por milênios a fio! Isso mesmo! De forma-pensamento o bolo passaria a ser uma egrégora! E a egrégora estaria tão solidificada no plano mental/emocional que seria capaz de existir mesmo sem a existência dos seus criadores, mas ficaria mais forte quando mais pessoas pensassem nela ou mais fraca quando poucos pensassem nela, porém sem deixar de existir.

Amor, Paz, Racismo, Ignorância, Evolução, Jesus, Allah, Diabo, União, Família, Dinheiro etc. São exemplos de grandes egrégoras. E como você pode perceber nem todas foram criadas para o bem comum (da forma dual como percebemos). E lembre-se do bolo e da sua boca salivando, perceba a dimensão da influência destes conceitos no mundo físico!

Cabe somente a você decidir qual egrégora alimentar no seu dia-a-dia.

Lembre-se. Um filho é criado por um pai e uma mãe, mas um pai e uma mãe só existem a partir de um filho!

Namastê!


Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira

08/07/2011

Saúde da Mulher - A Yoni e o Pompoar

No Tantra, nenhuma parte do corpo da mulher é menos importante, feia ou discriminada. É por isso que no oriente se estabeleceu uma técnica milenar conhecida como Pompoar - com a finalidade de , através do entendimento e do domínio da yoni, permitir à mulher conhecer-se melhor e desfrutar de uma qualidade de vida mais elevada!

A Yoni.

Yoni é uma palavra sânscrita que significa "passagem divina", "lugar de nascimento", "fonte de vida", "templo sagrado" e se refere ao órgão sexual feminino.

É considerada um símbolo de Shakti e de outras deusas de natureza similar.

No Tantra, a yoni é uma parte tão sagrada e natural como qualquer outra parte do corpo feminino. Nela está contido todo o mistério de criação da deusa Shakti – o poder natural de todas as mulheres.

O Pompoarismo.

O pompoar  é uma antiga técnica oriental, derivada do tantra, que consiste na contração e relaxamento dos músculos circunvaginais, buscando como resultados a saúde da yoni, o autoconhecimento (e autocontrole) fisiológico e emocional, e a potencialização e o domínio do prazer sexual. Na técnica do pompoar são utilizados os ben-wa, que consistem em pequenas bolas ligadas através de um cordão de nylon, conhecidas também como bolinhas tailandesas.

História do Pompoarismo.

É uma técnica milenar do Oriente. Nasceu na Índia e foi aperfeiçoada na Tailândia e no Japão. Os primeiros exercícios surgiram com uma transformação dos exercícios tântricos preparatórios para o Maithuna (ritual do sexo sagrado). Essa transformação foi desenvolvida inicialmente pelas sacerdotisas dos templos da Grande Mãe para ser utilizada nos rituais de fertilidade. Com o passar do tempo, a técnica foi se expandindo e tornando-se popular. Na Tailândia é costume passar a técnica de mãe para filha.

O Pompoar ocidental?

Prática semelhante foi desenvolvida na década de 1950 pelo ginecologista Arnold Kegel. Em 1952 Kegel "desenvolveu" alguns exercícios para mulheres que tinham problema de incontinência urinária. Com pesquisas ele descobriu que o músculo pubococcígeo estava fora de forma e não funcionava de maneira adequada. Exercitando esses músculos, o problema médico era resolvido e o potencial para sensações genitais e orgasmo era aumentado. Em parte porque o fluxo sanguíneo aumenta em músculos exercitados, e o aumento do fluxo de sangue está relacionado com a facilidade para excitação e orgasmo. Quando se aumenta a força de um músculo, aumenta-se seu suprimento de sangue, o efeito colateral: o aumento do fluxo de sangue para a pelve implica níveis mais elevados de excitação e orgasmos mais intensos.

Benefícios do Pompoar.

É consenso entre os ginecologistas e as praticantes de pompoar que a técnica é muito saudável, pois:

- Ajuda na prevenção de problemas com a musculatura da pélvis;

- Evita cirurgias de períneo, e corretiva de incontinência urinária;

- Evita a flacidez, e faz com que os músculos fiquem bem fortes, assim o homem sente mais o órgão da mulher e vice versa;

- Dependendo de cada organismo, diminui a cólica menstrual, em alguns casos elimina totalmente;

- Com o fortalecimento dos músculos, evita-se a queda do útero e da bexiga;

- Com o fortalecimento e controle dos músculos a mulher passa a dominar totalmente a técnica, assim ela passa a ser uma Pompoarista, e no parto normal consegue com mais facilidade expelir o bebê, tornando o parto mais rápido, claro quando não há qualquer problema;

- A Pompoarista proporciona e sente muito mais prazer. Pois, além da musculatura ficar mais forte, o órgão fica mais sensível e os orgasmos mais intensos!

- Quando a mulher se torna uma Pompoarista, ela fica muito mais segura de si, e tem sua autoestima elevada;

- A Pompoarista proporciona e sente muito mais prazer sexual, melhorando o relacionamento do casal;

- É comum desencadear nas Pompoaristas um processo de mudanças para melhor, tais como mudar a maneira de andar, olhar, se vestir, enfim passam a se cuidar melhor.

Prática e Exercícios.

A técnica do pompoar não possui contraindicação e pode ser praticada por mulheres de qualquer idade (dos 18 aos 100 anos!).

Exercícios Básicos.

Identificando e sentindo os músculos: Ao fazer xixi, interrompa o fluxo e segure um pouco. Os músculos usados para interromper o fluxo da urina são os mesmos que você irá treinar.

IMPORTANTE: Este exercício serve apenas para que aprenda a reconhecer os músculos. Cuidado! Pois existem muitos "terapeutas" ensinando esse exercício como se fosse pompoarismo e orientando para que faça todas vezes em que for urinar, o resultado disso será uma cistite, faça os exercícios certos.

1º exercício:  Sente-se numa cadeira (evite poltronas), sua coluna tem que permanecer ligeiramente inclinada para a frente, sem causar desconforto, mãos nos joelhos, pés paralelos.

Inspire contraindo os músculos da vagina, como se segurasses algo dentro dela, conte até 30 e relaxe expirando. Repita este exercício por mais ou menos dez minutos.

2º exercício: Em pé – braços ao longo do corpo – mantenha os pés paralelos e ligeiramente separados. Contraia as nádegas e tente uni-las o máximo que puder. Conte até dez e relaxe.

3º exercício: Em pé, contraia e relaxe a musculatura da vagina, como se estivesse pulsando, faça este exercício por mais ou menos dez minutos.

Esses são exercícios fáceis, que irão tonificar a musculatura vaginal.

Exercícios intermediários.

1º exercício: Com o Ben-wa (bolinhas). 

Coloque uma das bolinhas no órgão genital e tente puxar a outra para dentro com os músculos (no início, você pode empurrá-la com os dedos). Contraia 3 vezes e depois tente empurrá-las para fora (no começo, puxe o cordão para ajudar).

2º exercício: Com um Vibrador ou Consolo.

Introduza a ponta do vibrador/consolo na vagina, tente sugá-lo e contraia com a musculatura do início do canal vaginal. Depois, coloque-o mais para dentro e aperte-o com o músculo do meio da vagina. Faça o mesmo com o canal todo. Em seguida procure empurrá-lo para fora.

Entendendo o 2º exercício:

Primeiro você precisa saber que o canal vaginal pode ser dividido em três partes:

Primeiro anel: fica na parte mais externa da sua Yoni;

Segundo anel: fica no meio do canal;

Último anel: fica bem no finzinho do canal vaginal, já bem próximo ao útero.

Deite com as costas apoiadas no colchão (ou no chão) e (utilizando lubrificante)  introduza o consolo na yoni.
Agora imagine que o consolo tem três partes (a que está mais dentro da yoni, a do meio e a que está na pontinha).

Seu objetivo agora é apertá-lo em cada uma dessas áreas. Mas uma área de cada vez.

Comece pelo primeiro anel, depois vá para o do meio e finalmente tente o terceiro.

Relaxe e comece tudo de novo.

No começo será difícil distinguir a diferença dos anéis. Mas insista. Em alguns dias você começará a perceber a diferença, à medida que seus músculos são tonificados e a sensibilidade é aumentada.

Referência

- O livro de Ouro do Pompoarismo. Autora: REGINA RACCO Editora: Pompoarte
- Pompoarismo: o Caminho do Prazer. Autor: Carlos Kadosh Editora: Eden 

05/07/2011

Ser infantil é ser imaturo?

"Nesta vida pode-se aprender três coisas de uma criança: Estar sempre alegre; nunca ficar inativo; e, chorar com força por tudo aquilo que se quer." (Paulo Leminski)

Infantilidade: Característica ou qualidade de infantil; PUERIL. Comportamento, atitude ou dito próprios de crianças.

Imaturidade: Qualidade ou estado de imaturo; o contrário de MATURIDADE.

Fonte: Aulete (Dicionário Digital)

“Deixa de ser infantil e vê se cresce!”

Onde está o problema desta oração? O problema não está na oração em si, mas sim em nós que, culturalmente, assimilamos “ser infantil” com ser “imaturo”. O que é ser infantil? O que é ser imaturo? São questões que deveriam ser trabalhadas e assimiladas para que não caíssemos na cilada de termos nossas virtudes embotadas.

 Como vimos, acima, a palavra infantilidade está diretamente ligada ao comportamento de uma criança e não com a maturidade em si – já esta, um antônimo de imaturidade. Por que será? Simplesmente porque a criança já é naturalmente madura. Ela sabe o que é  e não tem medo disso, não teme mostrar o que realmente é. Quando ela quer alguma coisa, quando se ofende, quando se sente triste ou feliz, não pensa duas vezes em expor sua veracidade.

E a criança não pensa duas vezes, não porque não tem a capacidade de refletir, mas sim porque a mesma está integralmente presente  no agora. Quando se vive no agora não tem como deixar o presente momento ser ofuscado e perdido por uma nuvem de pensamentos ou por uma tempestade do raciocínio. Coisa que nós adultos somos mestres! Não é?

Maturidade: Estado de desenvolvimento completo; Estado de perfeição, de excelência ou de plenitude. (Aulete)

Que outro adjetivo se enquadra melhor a uma criança do que plenitude? Acredito que nenhum. A criança é plena em todas as suas ações (físicas, mentais e espirituais). É por isso que o Cristo disse: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará." (Lucas 18,15-17)

...é daqueles que se parecem com elas. Viu só? Ser maduro, ou seja, ser pleno, completo e perfeito é ser como uma criança! Ser infantil!

“Todo menino vive sozinho e tem dentro de si um Sol. Vem um adulto com seu balde d’água e apaga este Ser num tchau.” (Duend’s – Banda Cartoon)

Toda criança é um indivíduo maduro que é distorcido pela imaturidade de um adulto. Não há como negar. Sempre em busca de algo que o complete, se achando imperfeito e numa eterna busca pela plenitude são atributos de um adulto e, pelo menos a maioria, não mede esforços e nem escrúpulos para tentar obter isso. Obter o quê? A sua infantilidade! Nós somos como mendigos sentados em cima de um baú repleto dos mais valiosos tesouros! Por que não abrimos este baú? Simplesmente porque o julgamos como uma caixa velha, abandonada por alguém há muito tempo. E se foi abandonda não deve ter valor algum. Ledo engano! Esquecemos que fomos nós mesmos que abandonamos nosso mais precioso tesouro e o envolvemos nesta caixa velha e abandonada!

Isso é ser imaturo! Castrar, negar e ignorar a própria infantilidade é o oposto de ser maduro!

“Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.” (Rubem Alves)




Namastê!


Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira

04/07/2011

Os Tulkus

Para a cultura Tibetana um tulku é como se fosse um Buda vivo, a emanação de uma sabedoria específica que se manifesta de mestre a mestre, formando uma linhagem. O exemplo mais famoso é a linhagem dos Dalai Lamas.

Siginificado da palavra tulku.

O termo tulku é a tradução para o tibetano do termo budista nirmanakaya. De acordo com o sistema filosófico do trikaya, ou "três corpos do Buda", o nirmanakaya é o "corpo" do Buda, no sentido de "corpo/mente" (do sânscrito: nāmarūpa). Assim, a pessoa de Sidarta Gautama, o Buda histórico, é um exemplo de nirmanakaya. No contexto do budismo tibetano, o tulku costuma se referir à existência dos mestres iluminados budistas reencarnados em outros corpos.

O termo tulku pode ser traduzido como "aparecer num corpo", "transformar o eu de alguém", "modificar um corpo" ou "tomar a posse de um corpo". Mas o termo abrange outros fatos como o de criar um segundo corpo temporário, criar um corpo permanente para ser usado quando necessário e usar o corpo de uma outra pessoa viva ou imediatamente após a sua morte.

Tulku no Lamaísmo (Budismo Tibetano).

Um tulku é, no lamaísmo, um lama que conseguiu, através da phowa e da siddhi, escolher conscientemente ser reencarnado, às vezes por mais de uma vez, de maneira a continuar seu juramento de bodisátva.

O mais famoso exemplo é a linhagem dos Dalai Lamas; o atual Dalai Lama,Tenzin Gyatso, é tido como a décima-quarta encarnação de Gendun Drup (1391–1474). Na tradição vajrayana acredita-se que a linhagem mais antiga de tulkus seja a dos Karmapas (líderes espirituais da linhagem de Karma Kagyu), que se iniciou com Düsum Khyenpa (1110-1193).

O Tulkuismo Vertical e Horizontal.

O tulkuismo é muito pouco conhecido fora do esoterismo budista, sendo um termo bem íntimo dos lamas do Tibete, que o utilizam para expressar a linhagem de seres que se ligam a um Ser Central. Dentre esses, o primeiro na linha direta de descendência do Dalai Lama, seu Chefe Supremo, será o seu substituto, quando este vier a falecer.

Os monges saem, então, em peregrinação pelo mundo afora, tentando encontrar o tulku do seu líder espiritual recém-falecido. Esse tulkuismo é o de sentido vertical, formado por seres preparados para receber estados de consciência de um Ser espiritualmente muito evoluído.


Os tulkus horizontais pertencem ao plano físico, e seus corpos estão preparados para que neles vibre, ocasional ou permanentemente, a consciência de um Ser também espiritualmente evoluído, que irá levá-los a influir em diversos setores das atividades humanas. Os tulkus horizontais costumam ser, geralmente, verdadeiros sósias, uns dos outros, como se fossem irmãos gêmeos, apresentando as mesmas tendências psíquicas e emocionais, geralmente encontrados em gêmeos uni-vitelinos.

Os tulkus horizontais, portanto, possuem missões relacionadas à evolução da criatura humana, em suas atividades no plano físico. Esses grupos tulkuistas agem em diversas áreas da sociedade, sob a regência de um comando superior, com a intenção de inspirar novas conquistas e favorecer a evolução da humanidade.


O Tulku na Teosofia.

Helena Blavatsky alegava que não era a autora do livro A Doutrina Secreta, mas que este teria sido escrito pelos Mahatmas, utilizando o seu corpo físico, em um processo denominado Tulku, que, segundo a autora, não era um processo mediúnico.
Os Tulkus, dentro da teosofia, podem ser emanações, projeções ou veículos fabricados por um Ser de elevada espiritualidade, com a finalidade de ficar às suas ordens ou serviço, uma espécie de estátua viva, da mais alta qualidade espiritual e física. São seres ligados ao seu escultor ou Senhor (de cérebro para cérebro ou de inteligência para inteligência) e coexistem com ele, embora esse não fique completamente encarnado naquele, numa forma de “continuidade de consciência”. São os veículos dos quais se utilizam os Buddhas, Christos e Bodisátvas para continuar a sua missão de restaurar o Dharma e reencarnar continuamente até que a última alma se ilumine.

O teósofo tem por meta se preparar para ser tulku de Homens que aprenderam, por meio de árduo treinamento oculto, como se retirar, temporariamente, de suas próprias constituições exteriores e penetrar em outras para transmitir o poder, o conhecimento e a influência deles. A esses Homens a teosofia chama de Mahatmas.

Curiosidades sobre os Tulkus.

Com a expansão do budismo, alguns ocidentais foram reconhecidos como tulkus. Eles podem ser encontrados logo na infância, treinados e entronados, ou não aceitarem receber treinamento formal, como é o caso do ator Steven Seagal (reconhecido por Penor Rinpoche). Isso mesmo! Segundo Penor Rinpoche, Steven Seagal é um Tulku!

Tulkus no Cinema.

Um filme que aborda sobre os Tulkus, sem recorrer a este termo, é  O Pequeno Buda. Que você pode conferir na íntegra logo abaixo!

02/07/2011

O Feminino no Tarô

Excelente texto de Betoh Simonsen sobre os aspectos do feminino dentro da tradição do Tarô.

É frequente hoje em dia falar-se em desenvolver o lado feminino. O que poderia ser isto? Quando percebemos a natureza em seu estado mais intocado, podemos perceber inúmeras nuances de sons, odores, cores e formas entrelaçadas em um todo orgânico e ondulado. Quando ela sofre a ação do ser humano, percebemos formas retas, retangulares e quadradas, que é a ação da mente, que procura entender, separar, organizar, controlar. Normalmente as ruas organizam-se em retângulos. As casas, prédios e edifícios são quadrados. Os animais, grosso modo, são confinados. As plantas que nascem espontaneamente são chamadas de ervas daninhas – que fazem o mal, que prejudicam. Estes fatos cotidianos nos mostram quanto nos afastamos do feminino planetário em poucos milênios. É claro que isto não é uma realidade absoluta, e uma planta que nasce ao lado de uma penitenciária demonstra isto (já vi uma foto com este tema). O lado feminino pressupõe acolher, sentir-se em unidade, expressar reconhecimento e compaixão, envolver-se, nutrir, cuidar, mas verdade seja dita, também limitar (o ovo que nutre, mas prende), liberar, expulsar, dissolver e destruir. Estas recentes chuvas mundiais demonstram isto e mostram também como as destruições ativam os aspectos valorizados do feminino, como compaixão e solidariedade.

Alma como contraponto da Mente. O papel da Consciência.

A alma, o aspecto feminino dos seres sencientes (usando uma expressão muito usada pelos tibetanos, que significa os que sentem), pode ser considerada como um aspecto do ser que passa por um processo de evolução. Ela, como o nome diz , anima e dá vida a um corpo. Sente-se atraída e atrai um objeto de manifestação (atração magnética), envolve-se, identifica-se, funde-se, e passa pela experiência até o esgotamento e liberta-se deste corpo. Isto em diversos níveis de organização. Acrescida desta experiência, muda de foco, inicia um novo campo de experiência e assim sucessivamente ad infinitum. A imersão pode ser parcial ou total, pois é muito fluida. Pode associar-se com outros focos de expressão. No ser humano, suas principais formas de manifestação são os instintos, emoções, imaginação, sensitividade e, eventualmente, a intuição, onde tem a possibilidade de se reconectar a uma fonte de vibrações mais sutis. As qualidades do feminino citadas anteriormente podem ser consideradas expressões da alma. A maior parte do tempo procura fatores de convergência e assimilação, em diversos níveis. Sua polaridade pode ser considerada negativa, receptiva ou feminina.

A mente, por outro lado, pode ser considerada o aspecto masculino ou ativo da manifestação. É responsável pelos projetos, planos, análises, articulações, diferenciação, individualização, ideias, controles. No ser humano, seu principal foco de manifestação são os pensamentos. Tem passado por um longo processo de involução, apenas a partir de certo ponto interagindo diretamente com a alma. Eventualmente integra-se com a alma, integração esta simbolizada pela estrela de seis pontas, e surge um novo ser. A personalidade, em um nível mundano, é formada pelo encontro parcial da alma, da mente e da consciência. A maior parte das personalidades humanas ainda não está integrada. O ego, que gosto de chamar de complexo de identidade, pode ser considerado a cristalização de aspectos mais repetitivos e padronizados da personalidade. É um aspecto muito periférico do ser total, diretamente relacionado aos papéis que representamos.

A consciência (com ciência), que é neutra, participa da alma e da mente. Pode se manifestar simultaneamente em todos os corpos de expressão.

Um dos grandes problemas do que está dito acima, é o fato do ser humano ter sido criado a partir de focos de manifestação que têm um histórico completamente diferente e, portanto, tem dificuldade de juntar coisa com coisa; apesar de estar em um processo de integração. A partir desta junção, poderá ser realizada uma reconexão com o Grande Oceano de Luz. Para isto que estamos aqui.

Poderíamos dizer que o evolucionismo e o criacionismo são parcialmente verdadeiros.

Esta é minha breve história do tempo.


Bom, nos últimos 2000 anos o masculino esteve excessivamente atuante, e agora é o momento de procurarmos o equilíbrio.

Vamos então falar de aspectos do feminino em alguns sistemas simbólicos, com ênfase no Tarô.

A Alta Sacerdotisa

É uma carta de muita sensibilidade. A Alta Sacerdotisa normalmente está sentada, envolta em um azul profundo. O azul é um dos símbolos da unidade; imaginem o fundo do oceano ou a abóbada celeste em uma noite estrelada. Carrega um livro, símbolo do conhecimento.  No Tarô Mitológico ela está de pé, Perséfone, casada com Hades, o rei dos infernos (representação do subconsciente na mitologia grega), metade do tempo abaixo da superfície e metade acima (consciente e subconsciente). As duas colunas, também presentes em outras cartas, trabalham as polaridades, as forças cósmicas e telúricas, mãe terrestre e celestial. Em vários mitos, a Mãe é simbolizada pela abóbada celeste, em outros sobre o planeta. Podemos pensar em Gaia, Maria, Sophia, Isis, Kwan Yin.

O feminino é um aspecto interessante da divindade; quando se fala em feminino, logo se pensa na mãe abraçando ou amamentando seu filho, e na energia do amor. A Alta Sacerdotisa pode estar grávida, mas não teve ainda seu filho; podemos até dizer que seu amor e compreensão amorosa não estão dirigidos a um único ser, mas é impregnado de um caráter universal e incondicional.

Vocês já refletiram sobre o amor? Fundamentalmente, quando amamos queremos estar tão próximos do ser amado que sejamos uma unidade; sentimos que fazemos parte da mesma energia, da mesma essência, queremos proteger e nutrir. Quando este sentimento é inclusivo é chamado de compaixão. A compaixão é sempre assimilada a uma grande sensibilidade e profunda compreensão do outro ser, participando de uma grande intimidade. Este aspecto do sentimento humano é simbolizado pela Alta Sacerdotisa.

Existe uma diferença importante entre simpatia e empatia. Na simpatia, quando uma pessoa não está legal, nossa energia também ficará mais pesada, e na empatia, mesmo vibrando nossa compreensão amorosa, conseguimos manter nossa frequência, sendo mais fácil ajudarmos a quem amamos. A Alta Sacerdotisa não perde a dimensão espiritual quando entra em contato com a dor e o sofrimento... Imaginem se a Madre Tereza fosse ficar desesperada com as crianças que entrasse em contato... Ela não teria realizado sua obra. Ela é uma santa justamente porque consegue trabalhar, manter-se firme e manter a coragem espiritual de emanar amor incondicionalmente, mesmo em situações extremamente desafiadoras.

Como todos os arcanos, a Alta Sacerdotisa se expressa em diversos níveis; no nível mais mundano, pode ser uma carta muito passiva, mas pode mostrar a importância de ouvir, de saber esperar, de dar tempo ao tempo; e no nível mais profundo, como vimos, pode ser uma carta de compaixão, de sensibilidade e de intuição.

Muitos anjos, que são mensageiros da compaixão, são simbolizados com asas; isto porque pessoas sensitivas percebem que as energias emanadas por estes grandes seres saem da nuca ou das escápulas, dão uma semi-volta em seus corpos em movimentos ondulatórios, dando-nos uma sensação de alegria e leveza (mas não em todas as situações, não vamos nos esquecer do aspecto assertivo de Deus), como um voo.  A associação com asas é muito boa.

A Imperatriz

Uma antiga visão de integração de tudo com tudo foi se perdendo gradualmente, inicialmente com a lógica de Aristóteles e a religião judaico-cristã, colocando toda a natureza e seres viventes como separados da humanidade e tendo como missão principal servir ao ser humano. Esta tendência de separação continuou no espírito inquisitorial e conquistador contra todas as tendências pagãs e concluindo com o espírito mecanicista que foi impregnando o pensamento científico.

Hoje está começando a haver um resgate da consciência de unidade em diversos campos da experiência humana. Para citar apenas um, podemos nos lembrar do pensamento ecológico. Capra nos lembrou de que existem dois tipos de ecologia, um que se chama de ecologia superficial, que ainda enxerga o homem comandando a natureza, mas fundamentalmente fora dela; e a visão ecológica profunda percebendo o homem como fazendo parte da natureza.

Se conseguirmos imaginar ondas de ressonâncias inter-relacionadas, poderemos perceber a relação dos animais selvagens e nossos instintos; que se nossos rios estiverem poluídos, nossas emoções estarão atrapalhadas e vice-versa; se esburacamos nosso planeta de uma maneira desmedida teremos um grande aumento de osteoporose, se não cuidarmos de nosso ar, nossos pensamentos também estarão escurecidos e assim por diante. Nossa Terra e nossos corpos estão interligados. Nossas vontades internas, nossas emoções mais violentas, nossos pensamentos mal resolvidos são verdadeiros redemoinhos, furacões, vulcões, terremotos, etc.

A força da Imperatriz pode ser traduzida pela força da natureza selvagem, no sentido de natural; nossa natureza exuberante e criativa que aparece quando agimos sem bloqueios e quando estamos em harmonia com a energia de nosso ambiente.

Uma dama sentada em uma poltrona vermelha, em meio a uma vegetação abundante e a um trigal, simbolizando a colheita e prosperidade. Cetro de poder, simbolizando autoridade sobre o reino natural.

A Justiça

Uma dama sentada, com uma roupa vermelha, entre duas colunas, com uma balança de dois pratos em uma das mãos e uma espada na outra. Pode ser considerada uma carta que busca o equilíbrio e a integração de polaridades nas relações de todos os níveis.

Sempre quando procuramos avaliar ou interagir com uma pessoa ou uma situação, o fazemos a partir de um sistema de crenças, de expectativas que alimentamos e daquilo que valorizamos. Esta modelagem ou programação pode ser considerada um dos pratos da balança em nosso arcano.

Podemos nos lembrar de que a balança serve para medir e pesar e que as balanças de dois pratos tinham em um dos lados, pesos que serviam como modelo e no outro era colocada a mercadoria avaliada, procurando se chegar ao equilíbrio entre um e outro. Procurando o justo, no sentido de ajustado ou sintonizado. Podemos nos lembrar, também, que na procura do equilíbrio às vezes se aumentava ou diminuía a mercadoria (atuação assertiva sobre nossas experiências, através de uma atuação limitadora ou libertadora, conforme o caso) e em outras se modificava o peso (redimensionando nossas expectativas, nossos sistemas de valores ou nossa programação).

No símbolo é a espada que processa estas diversas modificações, que simboliza nossa mente, nossos discernimento e nossos decretos. As colunas mostram que este trabalho se processa em diversos planos, como no nível físico, sexual, emocional e mental.

Tive uma vez uma experiência que me ampliou bastante a ideia deste arcano: fui conduzir um trabalho, juntamente com outros profissionais, em uma chácara perto de São Paulo, ao lado de uma pedreira.

Chegamos à noite, no dia anterior do inicio do trabalho. Não conseguia dormir; tinha a nítida sensação que havia serezinhos agitados e bem pequenos que não queriam me deixar em paz. De repente, ouvi nitidamente uma voz dizendo: Cuidado! Ele é um dos justos! O outro respondeu, satirizando-o; Só se for justo para os animais! Ficou claro para mim que não tinha me harmonizado com a energia da casa e que me consideravam uma espécie de invasor; e também que os justos bíblicos eram aqueles seres integrados e sintonizados, considerados a coluna do mundo. 

Os acordos e pactos são importantes para que possa haver boas trocas de energias, assim como a coragem de romper acordos que deixaram de ser justos, aceitando o preço do rompimento. Não por acaso, na oração do Cristo, clamamos ao Pai pela liberação de nossas dividas Karmicas, assim como nos comprometemos a liberar a nossos devedores, desta forma nos livrando de miríades de laços que nos aprisionam, independentemente do lado que ocupamos.

Sintetizando, a Justiça representa o equilíbrio, a justa medida em todas as relações e trocas de energias; até onde pode ir à liberdade e onde deve haver limites; até onde podemos ceder às expectativas e vontades dos outros em relação a nós e onde devemos ser firmes para que nosso espaço seja respeitado, da mesma forma que estaremos procurando respeitar os espaços dos outros. A maestria da força deste arcano é muito importante para que se estabeleçam as corretas relações humanas e planetárias, por mais difícil que seja.

A Roda da Fortuna

Roda da Fortuna mostra, em primeiro lugar, uma roda ou um círculo. É aquilo que gira e se movimenta, com seus altos e baixos, com suas diversas experiências relacionadas e um determinado tema de nossa vida. No início de cada processo muitas vezes não sabemos muito bem para onde estamos nos dirigindo. Muitas vezes cheios de esperanças e expectativas, mas também alimentando muitas ilusões. No período representado pela Roda da Fortuna, já não podemos alegar inocência.

Muitas vezes ficamos presos a determinadas situações, com padrões de altos e baixos que se repetem inúmeras vezes. Podemos chamar este aspecto de círculo vicioso ou rodar em círculos. Acontece em inúmeras situações, nos mais diversos tipos de relações. De outro lado, podemos observar também que temos círculos de amigos, as diversas formas de associações e agrupamentos, que podem ser entendidos como círculos, que completam um processo em nossas vidas, quando encerramos ou realizamos alguma coisa depois de uma longa história. Podemos entender, ainda, um círculo como uma ideia de perfeição e equilíbrio, e a alquímica quadratura do círculo procuravam unir o transcendente com o mundano, à semelhança do trazer o reino dos céus à Terra dos templários.

Quando aparece este arcano, podemos estar certos de que estamos em um momento de conclusão. Será que encontramos o que esperávamos e, por isso, nos sentimos realizados e dispostos a continuar neste caminho? Ou será que perseguíamos uma ilusão, um fogo-fátuo, e tivemos uma verdadeira tomada de consciência de que é melhor seguir outro caminho?

No início de qualquer atividade humana, raramente temos uma boa noção para onde estamos nos dirigindo e com o que teremos que lidar. Isto não acontece quando somos experientes. Mas mesmo a experiência deve ser invocada com cautela, para não ficarmos presos ao passado.

Podemos então fechar uma Gestalt, podemos perceber: é isso aí!

Até certo tempo atrás, achava que a Roda da Fortuna estava invariavelmente ligada ao sucesso e à realização. E, de fato, uma visão clara não deixa de ser uma forma de realizações, mas o fato é que nem sempre bate com nossas expectativas iniciais. Um sinal disto, no baralho de Waite, é que os seres nos cantos parecem meio etéreos, não totalmente formados, enquanto que no Mundo os mesmos seres já estão plenamente formados. É interessante também notar que eles estão lendo um livro, como se estivessem ainda aprendendo.

Neste estado de nosso desenvolvimento já podemos ter a compreensão de que tudo que percebemos em nosso exterior tem alguma coisa a ver com nossos estados interiores. Enquanto que, no Mundo, podemos com maior facilidade exercer nossos poder radiante, fazendo com que o exterior responda às nossas disposições interiores.

Existe mais uma indicação importante neste arcano: pode ser um bom momento de decisão ou de uma resposta bem aguardada. Podemos sair do círculo; podemos completar o que tínhamos começado; uma resposta virá de uma maneira ou de outra; ou podemos continuar neste caminho, com maior consciência. Está em nossas mãos.

A Força

Se refletirmos um pouco, todos os arcanos expressam algum tipo de força. O Mago expressa a força da criatividade; a Alta Sacerdotisa a força da sensibilidade e compaixão; a Imperatriz a da natureza; o Imperador a da autoridade racional; o Hierofante a espiritual e de cura; os Enamorados das decisões; o Carro a força de conquista de novos espaços; a Justiça do equilíbrio nas relações; o Eremita a da busca; a Roda da Fortuna a de completar um ciclo; do Enforcado da doação, dedicação e sacrifício; a Morte da transformação; a Temperança da harmonização; o Diabo do desejo intenso; a Torre da liberação; a Estrela da revelação e inspiração; a Lua da imaginação e de nosso arquivo emocional; o Sol de nossa autoexpressão; o Julgamento da aceleração de frequências, o Mundo de nossa obra e o Louco de nossa entrega e total desprendimento.

Por que, então, um arcano específico que fala da força? Simplesmente porque mostra como acessar qualquer força que se faça necessária na circunstancia considerada.

Alcançamos a Força quando conseguimos harmonizar e integrar nossos desejos, nossas emoções e nossa mente com a energia de nossa alma.

Uma personalidade integrada pode se abrir como uma flor de lótus à energia divina. O ego pode ser entendido como um foco aglutinador de nossas identificações que poderíamos chamar de complexo de identidade, com a função inicial de simplesmente sintonizar e ajustar o fluxo de nossas disposições internas com as condições externas, uma espécie de termostato psíquico. Evidentemente, ele ultrapassou de muito os limites da função para que foi criado, surgindo daí o sentimento de separação, pois sua função é justamente comparar tudo com tudo, perceber as diferenças (o que continua fazendo muito bem), para depois procurar equalizar (o que tem procurado fazer por diversas formas de manipulação), o que se não for feito dentro do principio do amor e do respeito à toda criação, gera desarmonia e isolamento.

Houve uma tomada de consciência de que isto precisaria ser equilibrado e as antigas escolas e centros de formação religiosos e militares procuravam disciplinar o ego através da quebra da vontade, a qualquer custo. Não foi uma ideia muito boa.

Até hoje podemos perceber estas atitudes na maneira como ainda muitos educam suas crianças, como a maior parte das pessoas domam seus cavalos e nas diversas formas de manipulação através da disciplina rigorosa e culpa. Existe a saudável exceção das escolas de equitação modernas, onde pode se perceber que os cavalos são extremamente sensíveis e cooperam muito mais quando tratados com suavidade e equilíbrio.
Esta atitude é simbolizada por Hercules que matava o leão da Nemeia, ou São Jorge matando o dragão da Lua. Hoje, felizmente, não mais precisamos matar o leão ou o dragão. Podemos apenas orientá-los, como a suave dama com o infinito em sua cabeça que delicadamente repousa suas mãos na boca do Leão; ou o menino que monta o dragão celeste (na obra-prima de Michael Ende, A História sem Fim). Esta é a melhor maneira de desenvolvermos nossa criatividade e força, amadurecer nosso sentido de pessoalidade, e orientarmos nossas crianças internas e externas de uma maneira muito mais natural e saudável, sem traumas e criando condições e dando suporte para o pleno florescimento de cada ser.

Hoje podemos perceber que a antiga maneira tornava os seres demasiadamente passivos ou perigosamente rebeldes; perdiam o brilho e se tornavam neuróticos e o aspecto natural ou selvagem era reprimido e suas manifestações satanizadas, isto é, excluídas de qualquer possibilidade de aceitação e integração.

O mal foi projetado nas bestas, nos marginais, nos loucos, nos inimigos de diversas ordens, criando um grande desserviço à consciência de que trabalhamos em rede, e o que afeta uma parte, afeta a todas. O que negamos em algo ou alguém, negamos também em nós mesmos e a nós mesmos. Todos e tudo são nossos outros eus, e é chegado o momento de abraçarmos qualquer realidade, e então, só então, nos movimentarmos criativamente e prazerosamente de acordo com nosso intento, que é nossa verdadeira força.
Estamos começando a mudar. Estamos começando a nos relacionar de uma maneira mais humana com nossos animais e a endente-los melhor; está começando a haver uma maior ênfase na criatividade, motivação e vocação; estamos revendo os conceitos de insanidade, inclusive revalorizando os estados alterados de consciência, deixando de taxar automaticamente como patológico muitas de suas manifestações, estamos começando a rever nossa relação com a Natureza. Estamos apenas no inicio de uma revolução aquariana de consciência, como já podemos percebê-la.

Agora estamos prontos para o viver e deixar viver, trabalhar nossa autoexpressão em perfeita sinergia com nossa consciência de grupo.

A Morte

Entre o término de um ciclo e o início de outro, existe um espaço que pode ser chamado momento de passagem ou de transformação profunda, simbolizado pelo arcano da Morte.

Em nossos processos normais, sempre temos alguma coisa a fazer, resolver, ou mesmo nos preocuparmos. Nos momentos de transformações, como da ocasião de uma perda importante, de um fechamento de qualquer ciclo como o término da faculdade e antes de encontrar um emprego; no período de adaptação logo após um casamento ou uma separação; no momento de ser despedido; no conhecimento de uma doença grave nossa ou de alguém extremamente próximo; situações em que nos sentimos totalmente desamparados, impotentes e fora de controle das coisas; muitas vezes não existe nada a fazer.

O desafio é justamente entregarmo-nos e confiarmos no vazio da transformação, onde poderemos atravessar uma verdadeira revolução de consciência e sairmos regenerados e engrandecidos, prontos como bebes para a nova fase, ou, ao contrario, com uma grande perda de energia psíquica quando nos fixamos em nosso medo e dor.

Nossa cultura trabalha mal a sensação de vazio, o medo e as incertezas; e assim normalmente temos muita dificuldade em atravessar estes períodos, sentindo-nos solitários, infelizes e perdendo uma enorme energia psíquica.  O ciclo completo é vida, morte e renascimento. Saímos de uma experiência, passamos por uma profunda transformação e entramos em outro ciclo de experiências.

Existem diversos símbolos na Natureza que representam esta transição como, por exemplo, as seivas (energia vital) das plantas que descem para as raízes (fundamentos) no inverno, tirando a energia das folhas e galhos, sendo um bom período para a poda dos galhos que estão mais fragilizados, que são, muitas vezes, aqueles que mais produziram no último ciclo. Na primavera as energias voltam à expressão com toda força. Quando um ser humano se identifica ou fixa-se em demasia com o que perde, assemelha-se a cortar um galho com seiva, quando há perda real e não apenas aparente de energia.

Temos nestes momentos que aprender a nos recolhermos à nossa essência, passarmos por uma profunda reflexão simbolizada pelo vazio ou fogo da transformação, e à semelhança de Phoenix, o pássaro mítico, renascermos de nossas cinzas.

Outro símbolo é a lagarta que se transforma em borboleta. Durante o tempo de lagarta ela provoca muito mais destruição do que construção. Durante sua fase de borboleta, com sua função de polinização, ela repõe com folga o que destruiu, alem de irradiar beleza e harmonia com suas cores e ensinar a confiança radical na existência, entregando-se ao sabor do vento.

A lagosta muda de tempos em tempos de casca, quando de recolhe em uma toca, e apesar de vulnerável é quando se prepara para uma nova fase de crescimento.

Como fomos acostumados a controlar todas as situações, nos sentimos muito aflitos quando entramos em uma fase de incertezas. Porém é exatamente nestes momentos que podemos dar enormes saltos de consciência. Se estivermos centrados, procurando o silencio interior e em comunhão com nossa alma, saímos destas experiências, transformados, como um novo ser. Recebemos a benção do Graal, como no mito dos cavaleiros da Távola Redonda.

Todos os xamãs nos ritos de passagens encontram a experiência da quase morte, que é a entrega à Força Maior. Na experiência do Graal, o último passo é sobre o abismo, a noite escura da alma, aonde eventualmente chegamos a desenvolver a confiança radical. São muitos os que desistem neste momento, e precisam começar tudo de novo. Na Cabala, a misteriosa esfera de Daath pode ser considerada o teto do inferno e o chão do paraíso.

Existe ordem até no aparente caos. Não precisaria ser tão doloroso, o que torna este processo tão doloroso são nossos apegos. No Tibete existe toda uma tradição de como lidar com estes momentos, chamado de Bardo, e os monges passam toda uma vida preparando-se para isto.

Na prática quando temos uma sensação de vazio, perda, medo ou pânico, o caminho é não tentar controlar, resolver ou mesmo entender esta situação, pois nenhuma de nossas funções emocionais e mentais consegue operar neste nível de frequências, mas abrirmo-nos para a Presença divina, Shekina, através da entrega total.
Por enquanto vocês podem receber estas ideias como sugestões ou hipóteses de trabalho, mas garanto que muitos já têm esta experiência assimilada. Quando uma pessoa consegue operar neste nível, sua presença torna-se fortemente magnética e curadora.

Quando no Tarô sai a Morte, dificilmente é uma grande morte, mas talvez uma das centenas ou mesmo milhares de transformações e mudanças que acontecem em nossas vidas, todas potencialmente importantes e reveladoras. Nosso planeta está também atravessando um destes períodos e por isso somos todos afetados fortemente por esta experiência.

A Roda da Fortuna junto com a Morte nos ensina que encerrado um ciclo podemos nos entregar ao período do vazio da transformação, ao fogo criador, conservando apenas a Presença, sabendo que a Vida, ressurgindo das cinzas, mais uma vez virá em todo seu esplendor.

A Temperança

No Tarô existem três arcanos que estão diretamente relacionados com o equilíbrio: o Hierofante, a Justiça e a Temperança.

No Hierofante, o equilíbrio vem através da maestria sobre os cinco elementos, com a consequente integração do físico, emocional, mental e energia motivacional pelo espiritual, permitindo, dessa maneira, a cura e expressão em diversos níveis.

No arcano da Justiça, o equilíbrio se dá através do, muitas vezes difícil, ajuste nas relações, trabalhando-se desta forma as crenças, expectativas, limites, resistências e experiências. É um processo dinâmico e intenso.
Na Temperança, o equilíbrio chega junto com a paz e a harmonia. Traz, sempre que aparece em uma leitura, a indicação de que haverá uma ordem, que tudo estará bem, que podemos nos tranquilizar ou, simplesmente, nos sugerir umas férias ou um repouso. Poderemos nos abrir ao poder curativo do Universo.

Em tempos muito antigos, que fugiram à memória do homem atual, existia uma ordem natural em que o alto vibrava em ressonância com o baixo, onde a experiência da criação se fundia com a do Criador, em que a Vontade do Pai atuava na Terra como nos Céus. Mas esse equilíbrio foi rompido no aspecto lunar da experiência humana, ameaçando o aspecto solar.

Como verdadeiramente havia o perigo de contaminação, a Terra foi colocada em uma espécie de quarentena, abaixando sua vibração através, primeiro, de uma barreira de frequência e, finalmente, através da desconexão de uma rede de energia planetária e humana, chamada de rede axial nos humanos. Esta etapa final foi catalisada por um grupo de mestres ancestrais da civilização que deu origem aos maias, há cerca de 12.000 anos, deslocando também o eixo da Terra.

Agora, este mesmo grupo está presente para reativar as linhas, e esta reconexão é um processo que se dá em diversas dimensões, em direta sintonia com a atenção do Criador e afeta a tudo e a todos. Estamos nos dirigindo do isolamento para a união. Isto estará sendo possível porque descobrimos o antídoto para toda a negatividade, que é oferecer um abraço amoroso, inclusive para o negativo ou o que nos causa dificuldades. Assim, nossa luz não se entristece. Somos seres de feixes luminosos, inicialmente flexíveis e interativos, por uns bons tempos rígidos e secos, e partir desta nova compreensão nos dirigindo novamente a um estado de fluidez e harmonia.

Hoje sabemos que poderemos atravessar situações extremas sem perder a esperança quando conseguimos manter uma visão do processo. Esta visão vem da confiança e certeza de que em algum tempo, em algum lugar, tudo estará certo. A Temperança nos mostra como nos sintonizar com esta energia agora e encontrarmos a confiança e a paz, a verdadeira paz. Alguns guias nos falam que este é o verdadeiro encontro de nossos seres passados com nossos seres futuros no foco do agora, em termos de frequências e energias, simbolizado pelo fluído que percorre as taças seguras pelo anjo.

No símbolo, no baralho de Waite, poderemos perceber um disco solar na cabeça do anjo, revelando sua conexão com o Eu Superior; um triângulo no peito, um símbolo de integração que um de meus guias, muito ligado a um dos aspectos da Mãe, me sugere que também pode significar paz, amor e harmonia; o lago e a terra, o racional e o emocional; flores amarelas, simbolizando o plexo solar; a montanha da aceleração das frequências e os cálices, trazendo o encontro do passado com o futuro através do presente, formando um símbolo que lembra o signo de Aquário.

Só tem sentido o esforço da busca em harmonia com a arte do encontro. Existem muitos buscadores abnegados que nunca se permitem perceber que o verdadeiro lar é exatamente o lugar e o momento em que estão – a base orgânica de sua presença.

A Torre

Uma torre sendo atingida por um raio que lhe arranca o topo coroado; duas pessoas, o senhor e o servo caindo. Destruição de nossos projetos que já cumpriram suas funções ou não atingiram força cinética de sustentação; decepções e queda de nossas fantasias sem base real; liberação de nossos bloqueios e abertura de nossas defesas, mudança de paradigmas.

Muitos procuram se proteger isolando-se em uma torre de marfim. Ou procuram se apoiar excessivamente em um relacionamento ou projeto de vida, ou procuram isolar-se para evitar contatos pelo medo do sofrimento e incertezas. Nossa alma parece uma criança, não gosta de coisas paradas ou estagnadas. Se nos falta habilidade ou disposição para, continuamente, oferecermos ou até mesmo reconhecermos novos projetos que possibilitem uma expressão de nossos seres interiores, nossa alma pode se desinteressar pela brincadeira, retirando sua chama, ou, muito melhor, provocar uma mudança dramática no jogo. Criando com este choque, pelo menos, uma oportunidade razoável para nossos despertar.

Quer estejamos conscientes ou não, temos um compromisso com o Criador, de focalizarmos nossas melhores energias na concretização de nossos sonhos que estejam alinhados com a energia do Centro. O resultado até importa menos do que nossa energia projetada, pois em algum tempo, em algum lugar, ela irá aterrissar, se for firme, intensa e radiante.

Mas para que isso seja possível precisaremos encontrar coragem e desprendimento para nos soltarmos de nossos bloqueios e amarras, liberando-nos muitas vezes de situações viciosas. Normalmente é bastante difícil aceitarmos as perdas, as mudanças e decepções; mas é sempre importante para que possamos estar preparados para novos passos sem a escravidão do passado.

O raio é uma energia dinamizadora e libertadora do passado; é uma energia que vem dos céus. Tenhamos este reconhecimento, por mais destruidor que pareça. Ao lado de seu aspecto destruidor, traz a semente do novo.

A Estrela

Dos pontos que recebemos maior quantidade de impressões, os mais próximos e diretos são o Sol e a Lua. Mas quem já não ficou maravilhado com a beleza de uma noite estrelada, com a sensação de imensidão, de profundidade e de unidade? Nesses momentos, parece claro que o Universo canta e, se estivermos bem abertos, poderemos receber uma mensagem.

Imagine que, de toda esta imensidão, em perfeita harmonia exista um ponto, talvez apenas uma estrela, que seja um foco de conexão maior. Que este ponto seja o foco orgânico de manifestação de nosso Espírito. Que haja um grupo, talvez um pequeno grupo de estrelas, eventualmente apenas oito, que seja o foco de nossas almas companheiras, visíveis e invisíveis. Que a todo o momento recebemos orientações, intuições, direcionamentos, padrões de frequências, sendo apenas necessário que possamos nos abrir e permitir este contato.

Este arcano mostra uma mulher despida, com um pé no lago e o outro em terra firme, com dois jarros derramando um líquido; um jarro sobre a água, que derrama uma quantidade maior e outro que derrama uma quantidade menor sobre a terra. Podendo imaginar que a água representa nossas emoções e a terra nosso lado racional, poderemos ver que a intuição alimenta com maior abundância nossos sentimentos, emoções e imaginação, desde que estejam tranquilas como um lago; mas também derrama energia no lado racional. As estrelas mostram as conexões cósmicas.

Uma pergunta que me fazem sempre é como poderemos perceber se é uma intuição real ou uma ilusão a impressão que nos chega. Bem, a resposta final será quando conseguirmos perceber a assinatura de frequência daquela ideia, que é uma sensação muito sutil de leveza, confiança e certeza internas. Enquanto isto, poderemos confiar em nossos sentimentos temperados pela nossa razão.

Quando aparece a Estrela em uma leitura, ela nos mostra que poderemos confiar naquele caminho, naquela ideia ou no que aquela pessoa está sugerindo ou representando. É, também, uma carta de esperança. Indica, também, trocas de energias interdimensionais.

A Lua

Temos neste arcano, a representação de um lago; de um caminho que relaciona o lago com a montanha; dois cachorros ou lobos; duas torres; um caranguejo e a própria Lua, gotejando o que pode ser sangue.

O lago, em termos psíquicos, pode representar o território de nossas emoções; o caminho conectado com a montanha, nosso consciente; as torres nossos projetos; os lobos ou cachorros, nossos censores e o caranguejo uma espécie de mouse ou foco de atenção. Ficava com peninha de o caranguejo ter que subir a estrada, quando me lembrei de que ele anda para trás, lidando com assuntos passados na medida em que entra no lago das emoções.

Se pensarmos que cada vez que temos uma frustração não integrada, sonhos não realizados ou mal resolvidos, paixões e emoções intensas não harmonizadas e isto provavelmente por varias vidas, poderemos ver como nosso ser está fragmentado e o trabalho que teremos para juntar nossos cacos. Felizmente, todos estes focos criam padrões intermitentes de manifestação, trazendo situações da mesma frequência para que possam ser curadas, o que nem sempre fazemos. Uma das funções da Lua é ser guardião de toda nossa bagagem psíquica e ciclicamente trazê-la à nossa consciência. Enquanto não fizermos isto, estaremos perdendo energia e vitalidade, simbolizadas pelas gotas de sangue.

A Lua funciona também como filtro de impressões. Se imaginarmos que tudo que os outros emanam a nosso respeito, bom ou mau, chega ao nosso campo áurico, poderemos imaginar o quanto nossa percepção consciente estaria sobrecarregada, se tivesse acesso direto a todas estas impressões. Mas estas impressões não se perdem, ficam armazenadas no limiar de nossa consciência, até que nos posicionemos em relação a elas, com a atenção equilibradora do Hierofante, o que nem sempre fazemos; tendo como consequência a energia psíquica não trabalhada caindo de vibração, criando uma espécie de poluição. De outro lado, também não gostaríamos que os outros soubessem tudo o que pensamos e sentimos a seu respeito, e a função da Lua atua como filtro também nesse sentido. Não deixa de ser uma forma de proteção.

Ela modula aquilo que queremos passar ao nível da receptividade de quem está recebendo. Nem sempre é saudável passarmos todas nossas impressões sobre os outros ou toda a informação que temos disponíveis e precisamos sintonizá-la com quem a recebe.

Representa também a função da imaginação e visualizações e estamos cada vez mais conscientes como esta função é importante na criação de nossa realidade e nas comunicações intrapsíquicas.

Gostaria de relatar uma historia ocorrida há alguns anos. Estava participando de um seminário onde o orientador estava conduzindo um trabalho de visualizações. Visualizamos nossa casa, que na época estava a uns 300 km do local do evento, com suas mobílias, compartimentos, etc., quando ele pediu para nos comunicarmos com alguém da família. Pensei em ir ao quarto de minha filha, na época com três anos, que naquele momento deveria estar dormindo, e qual minha surpresa, em minha fantasia ela antes veio até mim e me perguntou o que estava fazendo lá. O mais interessante é que no dia seguinte, quando efetivamente fui até lá, ela me perguntou se não estivera na noite anterior lá. Este limiar entre mundo mágico e concreto, muito percorrido em todas as formas de magia, é simbolizado pela Lua.

Ainda dentro deste rico arcano poderíamos falar de canalizações. Sem entrar em grandes detalhes, que não é o objetivo aqui, estou convencido que sempre existe uma relação entre a energia que está sendo contatada e a psique de quem está servindo de canal.

É importante percebermos isto para evitar uma atitude excessivamente crédula, que poderia ser perigosa, ou excessivamente cética, e poderia eventualmente nos fazer perder uma boa oportunidade. Sugiro nos ocuparmos mais com a qualidade da informação. Para isso, poderemos confiar mais em nosso discernimento e sensibilidade do que nos preocuparmos com autoridade do comunicador; inclusive porque, particularmente, se for uma força de manipulação, ela procurará se encaixar em nossas melhores expectativas quanto às suas credenciais. Sugiro recebermos todas as informações com respeito e prudência, conscientes de que nada substitui a sinalização de nossa voz interior.

As Rainhas

Todas as rainhas são representantes do elemento água em cada naipe, demonstrando a força das emoções e sentimentos, diversas formas de afeto, amorosidade e expressões do feminino.

Rainha de copas – compaixão, empatia, capacidade de perdoar e acolhimento.

Rainha de ouros – expressão de afeto através do cuidado de uma maneira prática e concreta.

Rainha de espadas – afeto através do desapego e sentimento liberalizador, como um águia que induz seus filhotes ao voo, quando estão prontos.

Rainha de paus – expressa o afeto de uma maneira mais intensa e assertiva, com muita firmeza, às vezes até de uma maneira dura. Algumas pessoas precisam de um choque adicional para acordar. O cuidado a ser tomado aqui é se realmente estará se expressando afeto a partir de uma real compreensão amorosa ou se será julgamento e manipulações emocionais mal disfarçados. O grande diferencial é se a pessoa que está expressando está incomodada e não aceitando a outra; ou se, ao contrário, aceita a outra mesmo que esta não mova um palito na direção desejada. Se não houver esta aceitação, não estaremos falando de dama de paus.

Conclusão

A busca e prática do feminino é o caminho para nos integrarmos com nossas polaridades (em alquimia chamado de casamento alquímico), para nos curarmos, para percebermos os outros, para nos harmonizarmos com nosso planeta e nos libertarmos de nossos padrões já superados, para nos tornarmos seres mais compassivos e eventualmente nos sintonizarmos com o Grande Oceano de Luz. Pode ser chamada de via úmida. Que tal?


Revisado e adequado às novas regras de ortografia, do texto original, por: Leonardo T.