30/10/2011

Ela matou Deus


Abri meus olhos. E o que vi?

Cabelos aurorescentes, ondulados e sísmicos. Um rosto delicado, sobrancelhas fortes, olhos penetrantes e lábios entreabertos. Lábios que me revelavam a fonte de todos os prazeres. Lábios que procuravam dizer algo.

Estendi minha mão.

O gesto pretendia ser de aliança, mas o rosto angélico se afastou e deixou o corpo feminino se revelar. Quando vislumbrei tamanha obra prima, a peça em sua totalidade, conclui o que mais temia.

Deus estava morto.

Morto.

A mulher que estava diante de meus olhos não poderia existir sem ter sido concebida ao custo do  consumo de toda essência divina.

Deus estava morto.

Ela estava viva.

Minhas mãos tremiam. O coração em síncope.

Ela se afastou um pouco mais. Era a Eva que concebia Adão para ser seu consorte. Era o sol que aquecia toda uma galáxia. Era o centro do universo. Era vida. Era fogo alquímico. E como todo fogo  precisa consumir algo para existir, ela havia consumido Deus.

Tentei me aproximar uma vez mais. Ela se afastou. Mas foi aí que percebi, mais uma vez a faísca de lucidez, que não era ela que se afastava de mim. Mas sim eu que caía em um abismo infinito toda vez que tentava me aproximar.

Desisti.

Deus estava morto.

Ela estava viva.

Isto era o suficiente para mim.

Escrito por Leonardo Triandopolis Vieira.

2 comentários:

Curti o conto leo! Congrats! 2 perguntas que nao querem calar!! Essa musica ai é tua? e segunda quem é esta mulher que ao ser parida roubou toda vitalidade de deus?

abraços

Pedro, a música e Morrow of the Earth do Opeth e a mulher é a protagonista do conto.

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