27/10/2011

De quantas vidas eu preciso para atingir a Iluminação?


De nenhuma. Você  É iluminado.

Com certeza muitos reagirão com extrema repulsa a esta resposta. Dirão que isto é um absurdo, que é preciso muito esforço e dedicação para se chegar ao “elevadíssimo posto” de ser iluminado. Outros, um pouco alterados, replicarão: e os assassinos, criminosos etc. Também são todos iluminados? Claro que sim, retorno com um sorriso. Por que não seriam? Porque eles causaram sofrimento. Mas o que é o sofrimento? Porque eles são maus. Mas o que é a maldade? Para quem come carne, por exemplo, pagar para matar outro ser humano é um crime imperdoável. Para um vegetariano, alguém que compre carne e produtos derivados comete o mesmo crime de pagar a alguém para que se mate um ser vivo (afinal, homens e animais pertencem ao mesmo reino, são sensíveis - sencientes). Todas as discussões e conflitos externos sempre caem em um loop infinito, se tornam um muro de isso e aquilo que cresce incansavelmente, se solidificando cada vez mais e ofuscando o horizonte.

Por que isso acontece?

Ontem, amanhã, séculos, eras, encarnações, reencarnações, bem, mal... Tudo isso é Maya. Ou seja, invenções e obstáculos criados pela mente. Em A Voz do Silêncio lemos a seguinte oração: “A mente é o maior aniquilador do Real. Que o discípulo aniquile o aniquilador.” A mente é, portanto, má? A mente não é má e nem bondosa, ela apenas É. É como uma criança. Quanto mais você brinca com ela, mais ela quer brincar com você. Você pode até se cansar de brincar com ela, mas ela continuará a te incomodar querendo que não saia jamais da brincadeira. Aniquilar não é ser maldoso com a mente, é apenas não se identificar com ela. Não se identificar não é uma atitude negativa e nem positiva. Não pode ser uma atitude, tem que simplesmente Ser. Ignore uma criança e você verá o que acontece com ela. Mas aprenda a lidar com uma criança, assim como uma mãe que a cria para o mundo e não para si mesma, e você verá o que ela realmente É.

Se todos nós somos iluminados, por que este mundo – que você chama de Maya (Ilusão) – ainda existe? Ou seja, se sou um iluminado por que estou aqui preso nesta ilusão?

Ninguém está preso. Nós apenas estamos construindo muros de sombra ao nosso redor. Mas não estamos nos prendendo, pois da mesma forma que construímos o muro podemos derrubá-lo.

Deixe-me ser um pouco mais ilustrativo. Por que nós percebemos a luz? Por que nós sabemos que a luz existe? Simplesmente porque as sombras dão forma à luz. Se as sombras não existissem nunca saberíamos o que é a luz. Tudo seria apenas luz. Mas se tudo fosse apenas luz, não teria definição, não teria forma, não haveria consciência. Tudo seria plena inconsciência. Nada existiria, apenas a não-existência.

Quando nós buscamos respostas e explicações no exterior, nós apenas edificamos mais muros ao nosso redor e, ao invés de darmos forma à luz, apenas a ofuscamos. É por isso que as grandes fontes de sabedoria sempre nos obrigam a voltar para o nosso interior. Porque dentro de nós todos somos luz. Todos nós somos iluminados! Nós criamos as sombras para perceber uns aos outros, para poder ter consciência de que somos luz.   O que aconteceu foi que, em algum ponto, nossos muros ficaram tão densos e altos que provocamos a separação da luz. Esquecemos-nos de Ser e nos viciamos no Ter. Ter um corpo, ter várias vidas, ter medo, ter felicidade, ter dor, ter alegria, ter dinheiro, ter alguém...

Somos lâmpadas com medo de queimar. Mas o que acende uma lâmpada? A eletricidade. A eletricidade que acende as lâmpadas é a mesma, não importa a cor, tamanho, forma ou tempo de utilidade. Mesmo se uma lâmpada queimar ou quebrar, a energia será a mesma e continuará a existir no mesmo lugar. Mesmo se trocar uma lâmpada por outra, a energia que a anima ainda continuará sendo a mesma.

Por isso que sempre respondo à pergunta que dá título a este artigo com a seguinte resposta:

Você não precisa de nenhuma vida para se iluminar. Você  É iluminado.

O segredo é só não exagerar na construção de seu muro de sombras.

Se preocupe com o Ser e não com o Ter.

Namastê!

Texto de Leonardo Triandopolis Vieira.

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