09/09/2011

Sufismo: A doutrina dos Faquires parte 1


O ocidente, que se orgulha com alguma razão de ter salvo do esquecimento muitos aspectos da cultura e do conhecimento orientais, foi profundamente influenciado pelo tasawwuf, a doutrina dos faquires. No entanto, quantas pessoas são capazes de dizer o que é isso?

Ioga, shinto, budismo, taoismo e confucionismo, todos tem seus devotos na Europa e na América. O sufismo, no entanto – última das sanções místicas dos árabes, persas, turcos e do resto do mundo mulçumano – permanece como o último livro fechado do Oriente misterioso.

É o sufismo uma religião? Um culto oculto? Um modo de vida? É, em parte, todas essas coisas e em parte nenhuma delas. Dentre os 400 milhões de seguidores do islamismo, o tasawwuf detém um poder que nenhum credo político, social ou econômico conhece ali ou em qualquer parte.

Organizada de maneira semimonástica, semimilitar essa incrível filosofia era partilhada por elementos tão distintos quanto os antigos alquimistas árabes – os irmãos da pureza – os guerreiros  Mahdist do Sudão e os grandes poetas clássicos da Pérsia. Sob o nome de faquir (literalmente: humilde) os dervixes do Império Turco assolaram Viena. Estimulados pela poesia mística sufi, os afegãos conquistaram a Índia.

E, no reverso da moeda, a literatura e a cultura sufis foram responsáveis por parte da notável arquitetura e arte da Ásia...

Origem.

Historiadores sufis atribuem sua fundação ao próprio Maomé, mas já se disse que esse culto esotérico data das primeiras tentativas do homem para liberar seu ego das coisas materiais – Místicos e magos desse tipo eram conhecidos na Arábia mesmo antes de Maomé. A maioria dos sufis sustentava que o culto vem desde o próprio Adão e é na verdade a única “tradição secreta” real do alto ocultismo. O sufismo é um modo de vida distinto e muito completo, tendo como alvo a realização do suposto papel do homem (e da mulher) na vida.

Missão.

O homem, dizem os santos sufis, é parte do todo eterno, do qual derivam todas as coisas e ao qual retornaremos. Sua missão é preparar-se para esse retorno. Isso só pode ser obtido através da purificação. Quando a alma humana é corretamente ligada ao corpo e obteve completo controle sobre ele, então o homem parece em sua forma perfeita: o homem perfeito emerge, de fato, muito semelhante ao super-homem, possuindo poderes notáveis, que figuram tanto nas aspirações do ocultismo oriental quanto nas do ocidental.

São estes os passos pelos quais um devoto progride em direção ao seu fim. Organizado em ordens que lembram as ordens monásticas da Idade Média, a primeira condição para aceitação do recruta é que ele esteja “no mundo, mas não seja do mundo”. Esse é o primeiro aspecto importante em que o culto difere de quase todas as outras filosofias místicas. Pois é fundamental que cada sufi devote sua vida a alguma ocupação útil. Sendo seu objetivo tornar-se um membro ideal da sociedade, conclui-se naturalmente que ele não pode isolar-se do mundo.

Faquir.

Apesar de a palavra faquir ter vindo a ser usada no Ocidente para indicar um acrobata ou mágico itinerante, seu sentido real é meramente “humilde”. A humildade do que busca é o primeiro requisito. Ele deve renunciar à sua luta por objetivos meramente mundanos até que tenha sua razão de viver na perspectiva correta. Isso, na verdade, não é contraditório. Pois um homem pode legitimamente gozar as coisas do mundo, desde que tenha aprendido a humildade em sua aplicação.

O que deu ais sufis – em seus papéis de  faquires e dervixes – esse halo de invulnerabilidade, infalibilidade e superioridade é a aplicação dessa doutrina.

Continua...

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