O ocidente, que se orgulha com alguma razão de ter salvo do
esquecimento muitos aspectos da cultura e do conhecimento orientais, foi
profundamente influenciado pelo tasawwuf, a doutrina dos
faquires. No entanto, quantas pessoas são capazes de dizer o que é isso?
Ioga, shinto, budismo, taoismo e confucionismo, todos tem
seus devotos na Europa e na América. O sufismo, no entanto – última das sanções
místicas dos árabes, persas, turcos e do resto do mundo mulçumano – permanece como
o último livro fechado do Oriente misterioso.
É o sufismo uma religião? Um culto oculto? Um modo de vida?
É, em parte, todas essas coisas e em parte nenhuma delas. Dentre os 400 milhões
de seguidores do islamismo, o tasawwuf detém um poder que nenhum
credo político, social ou econômico conhece ali ou em qualquer parte.
Organizada de maneira semimonástica, semimilitar essa
incrível filosofia era partilhada por elementos tão distintos quanto os antigos
alquimistas árabes – os irmãos da pureza – os guerreiros Mahdist do Sudão e os grandes poetas
clássicos da Pérsia. Sob o nome de faquir (literalmente: humilde) os dervixes
do Império Turco assolaram Viena. Estimulados pela poesia mística sufi, os
afegãos conquistaram a Índia.
E, no reverso da moeda, a literatura e a cultura sufis foram
responsáveis por parte da notável arquitetura e arte da Ásia...
Origem.
Historiadores sufis atribuem sua fundação ao próprio Maomé,
mas já se disse que esse culto esotérico data das primeiras tentativas do homem
para liberar seu ego das coisas materiais – Místicos e magos desse tipo eram
conhecidos na Arábia mesmo antes de Maomé. A maioria dos sufis sustentava que o
culto vem desde o próprio Adão e é na verdade a única “tradição secreta” real
do alto ocultismo. O sufismo é um modo de vida distinto e muito completo, tendo
como alvo a realização do suposto papel do homem (e da mulher) na vida.
Missão.
O homem, dizem os santos sufis, é parte do todo eterno, do
qual derivam todas as coisas e ao qual retornaremos. Sua missão é preparar-se
para esse retorno. Isso só pode ser obtido através da purificação. Quando a
alma humana é corretamente ligada ao corpo e obteve completo controle sobre ele,
então o homem parece em sua forma perfeita: o homem perfeito emerge, de fato,
muito semelhante ao super-homem, possuindo poderes notáveis, que figuram tanto
nas aspirações do ocultismo oriental quanto nas do ocidental.
São estes os passos pelos quais um devoto progride em
direção ao seu fim. Organizado em ordens que lembram as ordens monásticas da
Idade Média, a primeira condição para aceitação do recruta é que ele esteja “no
mundo, mas não seja do mundo”. Esse é o primeiro aspecto importante em que o
culto difere de quase todas as outras filosofias místicas. Pois é fundamental
que cada sufi devote sua vida a alguma ocupação útil. Sendo seu objetivo
tornar-se um membro ideal da sociedade, conclui-se naturalmente que ele não
pode isolar-se do mundo.
Faquir.
Apesar de a palavra faquir ter vindo a ser usada no Ocidente
para indicar um acrobata ou mágico itinerante, seu sentido real é meramente “humilde”.
A humildade do que busca é o primeiro requisito. Ele deve renunciar à sua luta
por objetivos meramente mundanos até que tenha sua razão de viver na
perspectiva correta. Isso, na verdade, não é contraditório. Pois um homem pode
legitimamente gozar as coisas do mundo, desde que tenha aprendido a humildade
em sua aplicação.
O que deu ais sufis – em seus papéis de faquires e dervixes – esse halo de
invulnerabilidade, infalibilidade e superioridade é a aplicação dessa doutrina.
Continua...




0 comentários:
Postar um comentário
Olá, Obrigado por visitar o Liber Imago!
Espero que tenha gostado do conteúdo e, se puder deixar sua opinião,
será de muita valia para que eu possa estar sempre melhorando e
alimentando com material de qualidade o Liber Imago!
Namastê!