29/08/2011

Do Infinito à Existência Finita.

Este artigo é uma tentativa de explicar de maneira ilustrativa e objetiva conceitos universais presentes na maioria dos mitos, religiões e filosofias da humanidade.

A Origem não originada – O Infinito.

Há um consenso em todas as doutrinas esotéricas e exotéricas de que existe uma realidade única, com “r” maiúsculo, e essa Realidade é representada pelo conceito do infinito. Que não possui um início e nem um fim. Algo que em sua infinitude é impossível de ser completamente realizado por nossa finitude. A Fonte de Tudo, a Fonte de Si Mesma.

E para a mente humana – finita – qual seria um símbolo adequado para representar tal essência infinita? Um círculo.

Um círculo perfeito representa o infinito, a Realidade Última.

No círculo não existe um início e nem um fim, não há ponta lateral, superior ou inferior. Existe apenas o Todo. Podemos encontrar este símbolo em todas as culturas existentes, seja na representação do Tao asiático até na serpente engolindo o próprio rabo, vista em culturas ocidentais e povos nativos das Américas.

A Consciência Plena – Deus/Demiurgo/Divindade.

Do Infinito nada se pode tirar e nem delimitar. Logo o Infinito existe e não existe ao mesmo temo. É consciente e inconsciente de Si mesmo. É o Todo e é o Nada.

Para representar a consciência do infinito (pois o Infinito em sua infinitude pode tomar consciência de Si Mesmo), utiliza-se um ponto bem no centro do círculo. A este ponto pode ser designado o papel de  Deus, Demiurgo, YAHVEH  entre outras variações de acordo com a cultura de determinada região. Mas em seu estado bruto. Não há criação, ainda, apenas um latente Criador.

A Inconsciência – O Início da Criação.

Para a Consciência tomar consciência de si, primeiro é preciso que se torne inconsciente de Si Mesma. Então a Consciência se dualiza. Luz e Trevas. Consciência e Inconsciência. Isto está bastante evidente na passagem judaico-cristã onde Deus separa a Luz da Escuridão. Simbolicamente isto é representado através de um risco no meio do círculo perfeito. Tudo o que é divino, angélico, espiritual, sutil e imaterial é representado por um risco vertical. A Dualidade.

Um Mergulho mais profundo – A realidade física/Big Bang.

No anseio de buscar mais profundidade na obtenção da Consciência Plena, a Divindade começa vibrar em uma frequência maior e mais densa. O sutil se condensa e explode em Criação. O Universo Físico é criado. Ou melhor. Ainda está se Criando. Pode-se atribuir a alegoria hindu de Maya (o universo físico – Ilusão). O firmamento criado por Demiurgo. Agora temos uma cruz dentro do círculo, dividindo quatro espaços. Fogo, Água, Ar e Terra. Os elementos responsáveis por formar a matéria. O círculo pode ser considerado como o quinto elemento (Éter, Akasha, Vácuo, Prana, Chi, Vril...), o elemento responsável por animar os demais. Além da cruz dentro do círculo, outro símbolo bastante utilizado para representar este estágio é a estrela de cinco pontas.

O Infinito move o Finito.

Agregando todos os “estágios” e símbolos anteriores temos o que conhecemos por suástica. E não. Isso não é um símbolo nazista. Apesar de Hitler ter utilizado este símbolo em sua campanha nazista, a suástica é muito mais antiga e se encontra em diversas culturas antigas. Como no Hinduísmo, Jainismo, Budismo, Zoroastrismo... Está no emblema da Seicho-No-Ie, na antiga Cruz do Sol escandinava, na bandeira de Kuna Yala (Panamá), em tapeçarias dos índios Navajos (América do Norte) e em diversas outras culturas.
Aqui temos a ideia de que tudo é movido pelo Infinit.
 O Infinito é a Realidade Última responsável por todas as demais realidades. Esta interação é muito bem ilustrada no símbolo do Yin Yang e na roda do Dharma.

Acredito que agora ficou mais fácil de entender alguns símbolos que vemos em diversos lugares e entendermos um pouco mais sobre nós mesmos, não é? O mais importante de tudo isso é perceber que somos parte do Todo e que a identificação com a linha horizontal, ou a vertical, ou algum aspecto dentro do círculo é Ilusão. Afinal o oceano é formado por gotas de água, mas não podemos afirmar que uma gota de água é o oceano, não?

Namastê!


Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira

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