Da janela ela olha...
... Uma rua cinza, um céu preto.
Ao redor das íris, nos olhos meigos, o branco se esconde. Brancura que teima em sair num sorriso. Sorriso vivo de moça encantada. Emaranhada pelas promessas da cidade. Cidade grande que rosna para o mundo e, na valsa, se confunde com uma remessa de favas contadas.
Ela se recompõe, as tranças já não mais trançadas. Um suspiro. Uma rua vazia. Uma encruzilhada. Aguarda os sonhos. Sonhos quentes e frios que auscultam o febril coração. Moça jovem, que da janela se põe para longe de casa. Casa com um e depois casa com outro. Quem mais há de volver?
A pele é leite e o cabelo é noite. Dos seios singelos, o aconchego de um imenso coração – que a moça, da janela, oculta com todo zelo. Ela é dona de seu destino e não há neste mundo um segundo capaz de lhe render.
Ela acena. Para o nada ela acena. Uma febre de estação. Ou o vazio do anoitecer. Sua pele é leite e seu cabelo é noite.
Ela se vai. Para longe da janela. Ela se vai...
Um suspiro, que também é uma brisa, na noite se faz. E de chapéu coco e fivela presa, como a todo retrô apraz, me desvelo.
Da moça da janela, que não mais lá está. Seu desvario eu sou. Muito Prazer!
Para a janela eu olho...
... Uma moça linda, um mero segredo.
AGRADECIMENTOS: À amiga Ligia Prieto, por ter permitido utilizar sua foto para ilustrar o conto. Thanks!





















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