O álcool é um depressor do Sistema Nervoso Central (SNC). Altera a anatomia das membranas celulares, e, como resultado, reduz a eficiência da condução neuronal, inibindo a sua transmissão. Investigações recentes têm assinalado que o álcool atua sobre os receptores específicos GABA-benzodiazepínicos, no entanto, estabelecer um único mecanismo dos seus efeitos é muito difícil, porque esta droga afeta todos os sistemas neuroquímicos e todos os sistemas endócrinos.
Bebidas alcoólicas
A ideia que se faz do álcool como produto estimulante é falsa, não passa de mito. Na verdade, a sensação estimulante provocada pelo álcool, nada mais é de que a diminuição da inibição. De fato, o álcool é depressivo e a sua ação pode induzir ao sono.
A ação depressiva do álcool no cérebro e no sistema nervoso central reduz a capacidade mental e física diminuindo a habilidade para a realização de tarefas mais complexas como, por exemplo, conduzir um veículo.
Conduzir veículo é tarefa que requer habilidade e prudência, todavia, estes requisitos são facilmente anulados após o motorista ter ingerido bebida alcoólica. Grande parte dos acidentes de trânsito ocorridos no Brasil é consequência direta da embriaguez ao volante, isso porque muitas pessoas ainda acreditam no falso poder estimulante do álcool.
Todo condutor de veículos em estado de embriaguez, mesmo leve, compromete gravemente a sua segurança e a dos usuários da via.
Todo condutor de veículos em estado de embriaguez, mesmo leve, compromete gravemente a sua segurança e a dos usuários da via.
Como o álcool é absorvido pelo organismo
Uma parcela do álcool introduzida no organismo é absorvida pela mucosa da boca. A grande maioria, porém, é absorvida pelo estômago e intestino delgado, e daí vai para a circulação sanguínea. Aproximadamente 90% do álcool é absorvido em 1 (uma) hora.
O processo de absorção do álcool é relativamente rápido (90% em uma hora). Porém o mesmo não ocorre com a eliminação, que demora de 6 (seis) a 8 (oito) horas e é feita através do fígado (90%), da respiração (8%) e da transpiração (2%).
Verdades e mentiras sobre a bebida
- "Vou tomar café forte" - Apesar de estimulante, o café de nada altera o estado de embriaguez.
- "Vou tomar banho frio" - Água fria apenas dá a sensação de "acordar" no instante da ducha. Os efeitos do álcool, porém, permanecem inalterados.
- "Vou tomar vento" - Os efeitos do álcool não se dissipam com um "ventinho". Só o passar do tempo elimina o álcool do organismo.
- "Vou comer antes de beber" - Os efeitos do álcool variam de pessoa para pessoa, mas uma coisa é certa: o álcool sempre produzirá alterações em sua percepção, ainda que você esteja muito bem alimentado.
- "Vou tomar um remédio" - A ciência não conseguiu produzir qualquer droga que elimine os efeitos do álcool. Nenhum comprimido, nenhuma receita milagrosa.
- "Vou beber porque conheço o meu limite" - Ninguém está tão acostumado a beber a ponto de ficar livre dos efeitos do álcool. É difícil saber exatamente a hora de parar. Até porque a primeira função a ser comprometida pela bebida é a capacidade crítica.
- "Vou beber esse tipo de bebida porque é mais fraca." - Não existem bebidas fracas. O que determina o estado de alcoolemia é a quantidade de álcool ingerido. Ingerir 340ml de uísque ou cachaça não faz muita diferença. O certo é que, quem bebe, diminui os reflexos e não pode, de maneira alguma, dirigir.
- O único remédio é o tempo: As medidas citadas anteriormente apenas produzem bêbados despertos, mas tão bêbados quanto antes.
O álcool produz efeitos de maneiras diferentes
É comum ouvir dizer que é a ingestão do álcool em doses determinadas não altera os efeitos psicológicos. Essa afirmação, todavia, é falsa, pois as vezes o indivíduo ingere uma pequena dose cujo efeito é idêntico a ingestão de uma grande dosagem alcoólica. Logo, em quantidades determinadas, o indivíduo é afetado de formas diferentes em diversas oportunidades.
Independente de algumas pessoas se tornarem mais irritadas ou alegres, em geral, quando bebem ninguém pode prever com precisão seus comportamentos.
Fonte: http://www.consciencia.net
EFEITOS ADVERSOS DO ÁLCOOL SOBRE O SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)
Dr. Osmi Hamamoto (Neurocirurgião, FAMEMA)
Pergunta - Quando a qantidade de álcool (ETANOL) ingerida pode ser um problema para as pessoas?
Dr. Osmi - As diferenças demográficas, socioculturais, educacionais e religiosas determinam diferentes graus de tolerância ao uso e abuso de álcool. Porém o critério mais frequentemente empregado para estabelecer o padrão de uso abusivo de álcool puro consumida e a frequência de consumo:
Classificação dos tipos de bebedores:
A.Bebedor Discreto("bebedor social"):Ingere menos de 212 gramas de álcool por mês.
B.Bebedor Moderado:Ingere de 212 a 540 gramas / mês.
C.Bebedor Excessivo:Ingere mais de 540 gramas / mês.
Pergunta - COMO O ÁLCOOL INGERIDO CHEGA ATÉ O CÉREBRO?
Dr. Osmi - Quando ingerimos o etanol, ele é rapidamente absorvido no trato gastrointestinal, sendo uma quantidade substancial já absorvida ao nível do estômago. Atinge concentração sanguínea máxima em 1 hora e depois é oxidado no fígado por enzimas chamadas desidrogenases alcoólicas, transformando-se em aldeído acético. Ao atingir o sangue, circula até o sistema nervoso que inclui o cérebro, medula espinhal e nervos periféricos.
Pergunta - QUAL A AÇÃO DO ÁLCOOL NO CÉREBRO?
Dr. Osmi - O etanol possui ação puramente depressora sobre as células nervosas, diminuindo os impulsos nervosos. Pode causar efeitos mínimos quando a concentração sanguínea é mínima, em torno de 46 mg / 100 ml de sangue, pode levar ao coma com concentrações em torno de 300 mg / 100 ml e até mesmo à morte quando atinge concentrações em torno de 500 mg / 100 ml.
Pergunta - SE O ÁLCOOL DEPRIME O CÉREBRO, PORQUE QUANDO BEBEMOS, NO INÍCIO HÁ DESINIBIÇÃO, EUFORIA ?
Dr. Osmi - Porque em pequenas quantidades o etanol inicialmente possui efeito depressor sobre os neurônios dopaminérgicos do Sistema Límbico (Região do Cérebro responsável por nossos sentimentos e emoções). Esses neurônios inibem algumas de nossos sentimentos e emoções e portanto ação depressora do álcool sobre neurônios inibitórios leva à EXCITAÇÃO, DESINIBIÇÃO, EUFORIA. Ao continuar ingerindo álcool o mesmo atinge também outras áreas do cérebro, com ação predominantemente excitatória e a partir daí começa haver inibição, sonolência, torpor e até coma.
Pergunta - O ÁLCOOL PODE ALTERAR OS REFLEXOS NEUROLÓGICOS E, PORTANTO LEVAR A ACIDENTES, CASO A PESSOA DIRIJA APÓS BEBER ?
Dr. Osmi - Sim, como dissemos o álcool tem ação depressora sobre o cérebro e pode causar sonolência, desatenção, desconcentração e eventualmente desmaios o que pode acarretar tragédias no trânsito caso a pessoa dirija após ingestão de bebidas alcoólicas. Em um estudo realizado nos EUA em motoristas urbanos, envolvidos ou não em acidentes de trânsito, concluiu-se que:
- Com dosagens sanguíneas de 80 mg / 100 ml há aumento de 4 vezes na probabilidade de ocorrer acidentes;
- Com dosagens de 150 mg / 100 ml há aumento de 25 vezes na chance de ocorrer acidentes.
Portanto no Reino Unido é ilegal dirigir com uma concentração sanguínea de etanol superior à 80 mg / 100 ml.
Pergunta - QUAIS AS COMPLICAÇÕES QUE O ÁLCOOL PODE CAUSAR NO SISTEMA NERVOSO ?
Dr. Osmi - As complicações podem ser de 2 tipos:
- As agudas: Que são decorrentes da ingestão excessiva e isolada de álcool;
- As crônicas: Decorrentes da ingestão excessiva e frequente (diária) de álcool ao longo de meses ou anos.
Dentre as complicações agudas que ocorrem no SNC, podemos destacar a chamada intoxicação alcoólica aguda, que clinicamente pode se manifestar como:
A) Intoxicação patológica: É uma situação onde o indivíduo após ingerir bebida alcoólica torna-se irracionalmente furioso, violento, destrutivo.
B) "Blackout": Ocorre uma lacuna de memória em que o indivíduo não se lembra de eventos e ações ocorridas durante um período de bebedeira, durante o qual o seu estado de consciência parecia adequado.
C) Coma: Emergência médica onde o indivíduo pode apresentar insuficiência respiratória sendo necessário entubação e ventilação mecânica para evitar lesões cerebrais definitivas e sequelas.
Pergunta - E QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES NEUROLÓGICAS DECORRENTES DO ALCOOLISMO CRÔNICO ?
Dr. Osmi - Dentre as complicações crônicas podemos ter:
- Abstinência alcoólica: Inicia-se 6 a 24 h após a abstinência absoluta ou relativa da ingestão de álcool. Caracteriza-se por ansiedade, inquietação, irritabilidade, insônia, tremor, aumento da frequência cardíaca, aumento da pressão arterial, aumento da transpiração corporal e da temperatura. No segundo ou terceiro dia há alucinação, desorientação no tempo e espaço, confusão, delírio, agitação, taquicardia, sudorese, hipertermia, caracterizando o "Delirium Tremens (D.T.)", que geralmente melhora após 3 ou 4 dias. Em casos mais graves pode haver distúrbios metabólicos, desidratação, convulsões e até mesmo óbito.
- Síndrome de Wernicke-Korsakoff: Caracteriza-se por desorientação, confusão, amnésia, dificuldade para deambular e confabulação. Pode iniciar-se de forma aguda (horas ou dias) e às vezes subaguda ( semanas), após a ingestão excessiva de álcool.
- Demência Alcoólica: É um quadro de origem multifatorial (Efeito tóxico direto do etanol sobre os neurônios, traumatismo craniano, deficiência nutricional), mostrando sinais de lesão nos Lobos Frontais do cérebro e alterações da personalidade. Caracteriza-se por apatia, tendência à mentira, redução da capacidade de julgamento, perda do interesse pelo ambiente e pela sua aparência, perda das habilidades viso-espaciais e da memória.
- Miopatia: O alcoolismo é uma das causas mais comuns de lesão de células musculares esqueléticas e excreção de mioglobina (proteína existente nos músculos) pelos rins levando a uma miopatia que é caracterizada por dor intensa, câimbras musculares, necrose muscular. Pode ainda levar à lesões renais e insuficiência renal.
- Polineuropatia periférica: É o acometimento de nervos periféricos, geralmente dos membros inferiores, causando dormência, diminuição da sensibilidade, sensação de choque, queimação, e até anestesia nos pés e mãos, podendo levar à lesões nestes órgãos por redução da sensibilidade táctil, térmica e dolorosa.
Pergunta - ESSAS LESÕES NO SNC SÃO REVERSÍVEIS CASO HAJA INTERRUPÇÃO DA INGESTÃO DE ÁLCOOL?
Dr. Osmi - Depende do tipo, da extensão e do grau da lesão. A miopatia e a polineuropatia são exemplos de problemas que podem melhorar após a interrupção do alcoolismo, porém quase todas as outras lesões melhoram em maior ou menor grau com o tratamento adequado e interrupção da ingestão de álcool.




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