Os quatro C's que resultam no grande A

Um singelo rascunho de como eu compreendo atualmente a vida. Contemplação. Compreensão. Carinho. Compaixão. Atributos essenciais para trabalharmos nosso Ser...

A MAGIA NOSSA DE CADA DIA.

Milhares de vozes orgânicas transformadas em ondas de rádio e ondas eletromagnéticas que viajam de maneira invisível e imperceptível, na velocidade da luz...

INSATISFAÇÃO SEXUAL E A OBLITERAÇÃO DO SER.

Sexo é pecado? É antinatural? O que é o SER e o que isso interfere na insatisfação sexual...

O Terror do Amor

Ter amor é opiofágico. É um ciclo vicioso. Uma moeda de dois lados – o lado do ter e do não ter. Enquanto há algo para se consumir, o ter prevalece e a falsa felicidade impera, quando já se consumiu todo amor...

A FELICIDADE NÃO É REAL.

Tampouco a infelicidade. Descubra o porquê...

24/04/2010

Saúde: Danças Circulares


Este sábado participei de uma oficina de Danças Circulares (das 8 até as 17 hrs), confesso que foi uma experiência fantástica! E compartilho aqui um pouco sobre do que é a tal da "Danças Circulares"...

(...) quando surgimos no espaço e nele nos movimentamos, temos que dar 

passos. A escola de dança é a escola do caminhar. O fluxo contínuo da 
corrente do tempo recebe através do contato do pé um compasso. Através 
dos passos determinamos uma medida de tempo e ao mesmo tempo uma 
medida no espaço. O passo torna mensurável, de acordo com a música, o 
ato da dança no espaço e no tempo, vivenciável e possível de ser 
repetido. O nosso pensamento aprende com o pé a acertar o passo, e 
assim construímos uma coluna entre o céu e a terra. (WOSIEN: 2000, p. 40)



Danças Circulares

Quando se fala em Danças Circulares em qualquer lugar do mundo onde esta prática é conhecida, tem-se como principal referência o nome de Bernhard Wosien, bailarino, pedagogo da dança,desenhista e pintor, que dedicou muitos anos de sua vida a coletar danças étnicas.

Em 1976, Bernhard Wosien visitou a Comunidade de Findhorn no norte da Escócia e, a pedido de Peter Caddy, um de seus fundadores, ensinou pela primeira vez uma coletânea de Danças Folclóricas para os residentes. Bernhard Wosien já havia passado dos 60 anos e, encontrou nos grupos de Danças Folclóricas, o que estava procurando. Nestas rodas ele vivenciou a alegria, a amizade e o amor, tanto para consigo mesmo como para com os outros.

Além de Findhorn, o legado de Bernhard Wosien também frutificou e continua a frutificar se espalhando pelo mundo de outras formas. Da década de 70 para os dias de hoje, centenas de danças foram incorporadas ao conjunto do que passou a se chamar de "Danças Sagradas Circulares", "Danças Circulares Sagradas", ou somente, "Danças Sagradas". De lá para cá, as danças expandiram cada vez mais por todo o mundo.

"Ao dançar, o mundo é de novo circulado e passado de mão em mão. Cada ponto na periferia do circulo é ao mesmo tempo um ponto de retorno. Se dançarmos um dança matinal, saudando o nascer da aurora dançando, perceberemos, quando nos movimentamos ao longo do circulo, como as nossas sombras, neste circular singular, também descrevem um circulo.Assim, nos percebemos que giramos 360 graus. Sentimos na caminhada uma mudança através da reviravolta conjunta".(WOSIEN,2000; p. 120).

Sobre as Danças: As danças circulares são praticadas em grupos. O grupo, em círculo, segue uma coreografia e, conectados entre si, reúnem energias em busca da harmonia, da consciência do todo. No Círculo não existe hierarquia, e as atitudes de competição são substituídas por atitudes cooperativas, onde os participantes do grupo podem ajudar a superar os erros uns dos outros, manifestando o melhor de cada um.

As Danças Circulares são desenvolvidas visando ampliar o conhecimento, em direção ao bem estar físico, mental, emocional, energético e social. Inúmeros ritmos, cantos e danças, de povos e culturas do mundo são vivenciados. Em meio a momentos de muita descontração e também, momentos de introspecção, a pessoa que está na roda se percebe como um ser humano íntegro.

No trabalho com as pessoas de todas as idades as danças circulares podem sensibilizar, socializar, resgatar valores humanos, incentivar as interações entre os grupos, promover o dialogo amoroso entre as pessoas, desenvolver o senso de organização coletiva através da roda e o senso rítmico pela música e pelo movimento corporal que ela cria, e principalmente "despertar" relacionamentos saudáveis dentro do contexto social em que vivemos.

Dentro das linguagens artísticas tem-se a oportunidade da expressão positiva de angustias, medos sentimentos que são na maioria das vezes expressados de forma inadequada.

Gradativamente o ser humano adquire autocontrole, uma maior consciência corporal, e a responsabilidade por seus atos. A arte oportuniza ao ser humano acessar e desenvolver aspectos de sua personalidade de forma prazerosa, ajustando emoções, organizando e educando pensamentos e sentimentos, auxiliando na formação de indivíduos mais equilibrados.

"Toda composição perfeita consiste de compasso, ritmo e melodia. Em toda composição musical estes três elementos contrapõem-se em interação e tensão vivas e permanentes. O compasso representa a visão espiritual do todo, a clareza e a ordem. O ritmo responde pela vitalidade, pela tensão, pelo pulsar do fluxo sanguíneo. A melodia representa o lado verdadeiramente humano, seu querer da alma e seus sentimentos, em todas as suas nuances". (WOSIEN,2000; p. 14)

Um pouco mais de história

Em Findhorn, as danças, encontraram o seu desenvolvimento e sua expansão. Para esta comunidade, onde já era prática comum o hábito de as pessoas se colocarem em círculo, as danças se fortaleceram, e ali entre os seus moradores a prática de dançar se tornou cotidiana, era uma forma muito eficaz de harmonização grupal.

"Desde a pré-história até os inícios da cristandade, no decorrer do ano as pessoas tentam fazer com eu suas vidas entram em ressonância com a ordem cósmica anual, os ritmos do sol e da lua e com o girar dos planetas, através de cultos e festas". (GABRIELLE- MARIA WOSIEN,2000; p. 27).

A dança circular veio para o Brasil

No Brasil, as danças chegaram em meados da década de 80, através de Sara Marriot, uma senhora, ex-residente de Findhorn que veio residir no Centro de Vivencias Nazaré, em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Como Nazaré foi inspirada em Findhorn e mantinha muitas práticas de trabalho e sintonia grupal, as danças circulares se encaixaram com perfeição no dia-a-dia de Nazaré. Neste local foi criada a Dança e Meditação, onde as danças eram compartilhadas com muita profundidade, como um caminho de autodesenvolvimento através do movimento.

A partir de Nazaré, as danças se disseminaram pelo Brasil.

Alguns marcos importantes nesta história:

Wosein
Em 1995, esteve no Brasil, Anna Barton, primeira focalizadora de Danças Sagradas de Findhorn, que foi aluna de Bernhard Wosien, quando este levou as danças para aquele local pela primeira vez.

Em 1998, Maria Gabrielle Wosien vem ao Brasil pela primeira vez e continua vindo para conduzir cursos de aprofundamento para os focalizadores brasileiros. 

Em 2003, Friedel Kloke-Eibl veio ao Brasil pela primeira vez e continua vindo agora para orientar cursos de Formação de novos focalizadores.

Hoje as Danças Circulares estão cada vez mais inseridas no contexto social no qual vivemos. Podemos encontrar rodas em diferentes locais num mesmo dia. As danças circulares estão presentes nas escolas, empresas, parques, penitenciárias, hospitais e em outros locais.

Texto elaborado por Giraflor Danças Circulares::

"A dança é a mãe das artes. A música e a poesia existem no tempo; a pintura e a escultura no espaço. Porém a dança vive conjuntamente no tempo e no espaço. O criador e a criação, o artista e sua obra, nela são uma coisa única e idêntica. Os desenhos rítmicos do movimento, o sentido plástico do espaço, a representação animada de um mundo visto e imaginado, tudo isto é criado pelo homem com seu próprio corpo por meio da dança, antes de utilizar a substância, a pedra e a palavra para destiná-las à manifestação de suas experiências exteriores". (Kurt Sachs - História Universal da Dança)

Fonte

22/04/2010

Revisitando o Sistema Daemon – Demônios: A Divina Comédia

Demônios: A Divina Comédia faz um passeio completo pelos nove círculos do Inferno, lar dos Demônios, Anjos Caídos e Perdedores na Guerra Celestial. Totalmente baseado nos livros A Divina Comédia e Paraíso Perdido, Demônios mantém-se fiel ao texto e às descrições de Allighieri e Milton.

Explica cada uma das castas de demônios existentes no Inferno: os Demônios de Arkanun, seres de uma outra dimensão atrasada, heróis e vilões na guerra contra o Demiurge; Anjos Caídos, derrotados na primeira revolução celestial, e os Renegados, originalmente Deuses, mas que foram corrompidos por séculos de propaganda da Igreja. Conheça também os Hellspawns e Death-Knights, guerreiros selecionados entre os melhores matadores e carniceiros da Terra, Incubi e Succubi, os sedutores infernais.

Traz também novos itens mágicos, rituais e magias utilizadas pelos demônios em sua Guerra Celestial; novas Perícias e Aprimoramentos; a história dos Demônios na Terra e da Perseguição da Igreja durante a Idade das Trevas.

Finalmente, Demônios traz a lista com os 200 demônios mais conhecidos e poderosos de todos os tempos, a origem de seus nomes e uma breve descrição de seus poderes.

Conhecendo melhor as castas demoníacas

Anjos Caídos
Os Anjos Caídos foram os primeiros demônios. Eles datam da primeira rebelião da Cidade de Prata, quando Lúcifer juntou um terço dos anjos contra o Criador e, perdendo a batalha, foi banido para a região futuramente conhecida como Inferno. Um anjo cai quando comete algum pecado grave, perde a fé em Demiurge ou por qualquer outro motivo que é banido da Cidade. A partir daí ele se torna um demônio e desenvolve poderes demoníacos.



Death Knights
Não se sabe exatamente a origem desta casta, ela simplesmente surgiu um dia no Inferno. Muitos especulam que tenham se originado dos 140 templários queimados em 1314, outros dizem que esles seriam espíritos muito antigos, vindos de regiões longínquas do plano astral. Os DeathKnights procuram entre os condenados, pessoas capazes de se aliarem a casta, quando algum apresenta as características necessárias é retirado de sua pena e treinado para se tornar um deles.

Daemons
Os daemons, ou daemônios, são as almas dos habitantes de Arkanun, que quando morrem se dirigem para o Inferno. Por não pertencerem a religião cristã, não precisam sofrer as penas dedicadas a eles. Existem incontáveis tipos de daemons, desde demônios aquáticos com aspecto de peixe, passando por criaturas aladas, humanoides com pata de bode e chifres e até dragões (!).






Espectros

Os espectros são almas que foram tocadas e corrompidas pelo que sobrou do espírito vagante de Vampyr após seu combate com o Arcanjo Miguel. Os espectros são criaturas extremamente perversas, que tiveram suas mentes totalmente mudadas pela essência de Vampyr, a mesma essência que deu origem a raça de vampiros conhecida como Ekimmu.

Incubi/Sucubi
Os demônios dos prazeres e orgias. Surgiram quando Lilith, segunda mulher de Adão (Eva foi a terceira), foi para o inferno, onde copulou com daemons, seus filhos foram os primeiros sucubbus (para mulheres)/incubbus (para homens). Possuem 3 Rainhas, Lilith, Britettir (criada com o resto do Barro da Criação) e Ishta (que se juntou as outras duas). Habitam principalmente as cidades de Sodoma e Gomorra, que foram transportadas para o Inferno depois de

destruídas na Terra, no Sexto Círculo.

Hordas
Hordas são grupos de pequenos demônios como Imps ou Gremmylins que foram criados (normalmente com restos de almas) apenas como bucha de canhão para as Legiões Infernais. Todos os integrantes são pequenos demônios fracos e pouco inteligentes, normalmente muito atrapalhados e que só são eficientes quando juntos (e nem tão eficientes assim). Por serem obviamente inferiores, as Hordas são esnobadas por todo o resto do inferno.

Hellspawns
A casta de condenados, chamados de Hellspawns por Merlin, no século V, são resultado das almas dos mortais pecadores que por um motivo ou outro conseguiu atrair a atenção dos poderes reinantes no inferno, e conseguiram ser transferidos de seus castigos para o serviço nas fileiras infernais.

21/04/2010

Lançamento: Guerra Justa




Abalada por uma catástrofe natural de proporções cósmicas, a humanidade reinventa sua religião e se unifica sob o culto do Pontífice – um homem que demonstra ser capaz de prever novas tragédias. Mas há quem duvide do bom uso desse poder e acredite que ele poderia evitar muita morte e sofrimento.



Duas irmãs, a freira Rebeca e a cientista Rafaela, veem-se envolvidas em um perigoso jogo de manipulação da realidade e são transformadas em agentes de uma conspiração que busca minar a influência do culto e desvendar o segredo de suas profecias.

Mas se o culto for destruído, quem protegerá a humanidade de uma natureza cada vez mais descontrolada? Como a conspiração poderá vencer um inimigo capaz de prever cada um de seus passos? E afinal, o que define uma guerra justa?



Sobre o autor:

Carlos Orsi é jornalista especializado em cobertura de temas científicos e escritor. Já publicou os volumes de contos Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005). Seus trabalhos de ficção aparecem em antologias, revistas e fanzines no Brasil e no exterior.

ISBN: 978-85-62942-06-8

Gênero: Ficção Científica, Cyberpunk

Páginas: 152

Preço de capa: R$ 30,90

DISPONÍVEL EM BREVE


20/04/2010

Os quatro C’s que resultam no grande A


Um singelo rascunho de como eu compreendo atualmente a vida. Contemplação. Compreensão. Carinho. Compaixão. Atributos essenciais para trabalharmos nosso Ser...

Dizem que a alma não tem idade, é plena. É o agora, nunca o antes ou o depois. Por isso a criança é plena, o jovem é pleno, o adulto é pleno e o idoso é pleno! Quem assim a vida vê, sabe que não existem amigos nem inimigos, apenas mestres. Todos nós somos grandes instrutores, e com todos aprendemos.

Sendo assim compartilho com vocês, mestres meus, uma fórmula que está me ajudando muito a descobrir sobre mim e a pacificar minhas atitudes! A fórmula é a seguinte:

c + c + c + c = A

O primeiro c significa contemplação; o segundo, compreensão; o terceiro, carinho e o quarto, compaixão. Estes quatro aspectos quando trabalhados interiormente, de forma a somarem-se no âmago de cada ser, resultam no A absoluto, que é pura e simplesmente Amor. Mas para entendermos melhor este amor com "a" maiúsculo é preciso discorrer um pouquinho mais sobre o que cada c representa.

Contemplação

A contemplação é o equilíbrio entre a compulsão e a repulsão. Imaginemos que toda a vida é um imenso jardim com flores em constante desabrochar, cada pétala aberta libera uma fragrância que pode provocar três reações em nós: Repulsão, Compulsão e Contemplação. Quando repudiamos, negamos a oportunidade de desfrutar do desabrochar flóreo, tornamo-nos ignorantes quanto à magia e beleza do jardim e suas flores. Quando agimos compulsivamente, acabamos por querer a flor e seus atributos apenas para nós mesmos e, com isso, acabamos por arrancar a flor da terra que a nutre e a privamos de oxigênio e nutrientes, matando-a rapidamente e ficando sós e com uma experiência curta e frustrante. Mas quando contemplamos, somos capazes de perceber toda a relação da flor com a terra, o ar, o céu, nós mesmos e o mundo que compartilhamos! Passamos a tratá-la com respeito e liberdade, regando-a quando há seca, adubando quando a terra carece de nutrientes e, assim, vemos que a beleza está em todo o jardim e da mesma forma que a flor dá sentido ao jardim, o jardim também dá sentido à flor. A harmonia é estabelecida e damos o primeiro passo para a compreensão.

Compreensão



Nós somos o ambiente em que os outros vivem. Compreender é não julgar, é ver sem ver. Os olhos são plenos e não dicotomizados (Isso é bom ou isso é ruim...). A compreensão surge da constante contemplação. Quando permitimos que as coisas sejam o que elas realmente são, sem dar atributos e qualidades a tudo, podemos compreendê-las! É não julgar, é não acreditar e nem acreditar, mas apenas ouvir, ouvir e ouvir. Enquanto apenas ouvimos, os zumbidos e barulhos ilusórios se enfraquecem diante do constante mantra da sabedoria e, assim, podemos escutar a verdade única de cada um! Compreensão!

Carinho

Quando contemplamos e compreendemos, tomamos conta de que o carinho está em todo lugar. A terra acaricia nossos pés, o vento massageia nossa pele e cabelos, o sorriso acalenta nosso espírito, e assim, infinitamente! Então olhamos para nossas mãos e nos damos conta de que elas foram feitas para curar.

O nosso primeiro lar foi um corpo humano, que nos concebeu, acolheu e forneceu todas as condições para que pudéssemos desfrutar do milagre da vida, e mesmo antes de nosso primeiro inspirar, fomos ajudados por mãos carinhosas a concretizar este milagre! Qual ser vivo, seja homem ou animal, não gosta de um toque carinhoso que nos proporciona uma sensação de bem-estar! O carinho não é apenas físico e tátil, ele pode se manifestar de todas as maneiras possíveis, basta contemplarmos e compreendermos!

Compaixão


Ser carinhoso, caridoso, nos conduz à compaixão. Ser compassivo não é ter pena ou dó do outro, mas sim ser plenamente contemplativo, plenamente compreensivo e plenamente carinhoso! A plenitude nas atitudes e nos pensamentos é a mais pura compaixão. Se um coração compassivo é ferido, ele não se rompe, ele queima. E a chama que dele emana torna-se uma tocha em seu caminho! O caminho, por sua vez, é iluminado pela tocha que, ao invés de se autoconsumir, se transforma em um fogo intenso que consome o portador e o transforma não em uma luz, mas sim em uma sombra consciente e plena de:



 AMOR


Uma forma que muito me fortalece na senda dos quatro C's é a seguinte técnica meditativa do Ho'oponopono:

Sinto Muito. Me perdoe. Te amo. Sou Grato.

Procure sempre pensar nestas quatro orações, não procure por um sentido lógico ou um insight mágico, muito pelo contrário, apenas diga para si mesmo (a) as palavras e as ouça, apenas ouça e, quando menos perceber, sentirá passar pela contemplação, compreensão, carinho e compaixão!

Última observação

Não reclamo nada do que foi dito aqui como saber absoluto, matemática exata ou puro conteúdo egóico de minha pessoa. Mas sim agradeço à vida que permite o saber que aflora a todo o momento de todos os cantos e de todas as formas!

Namastê!


Texto escrito por Leonardo Triandopolis Vieira

19/04/2010

Entrevista com Monja Coen

Entrevista com a Monja Zen Budista, Coen Sensei para o blog Mural do Antena. Ela fala sobre a vida, os ensinamentos de buda, o gosto pelo rock and roll, o casamento ainda muito jovem e a busca por respostas...



15/04/2010

RPG Nacional livre e gratuito! - Utopia d10

Genérico. Flexível. E livre. Esta é a proposta do sistema Utopia d10, criado por Claudio Muniz (Mitsukai e Imortal p/ sistema daemon). Mais um sistema nacional, livre e gratuito! 


Utopia d10                                                                                                                            

14/04/2010

Características Singulares do Budismo Parte 4



Finalizando a série "Características Singulares do Budismo" vamos descobrir mais sobre os Três Selos do Dharma!
IV. A quarta característica: Os Três Selos do Dharma

Os "Três Selos do Dharma" (Três Características da Existência) são uma importante doutrina do Budismo. Os Três Selos do Dharma podem determinar se um dado ensinamento budista é a Verdade Absoluta. Os Três Selos do Dharma são como um carimbo oficial através do qual pode-se reconhecer a autenticidade de mercadorias do cotidiano. Uma doutrina que não esteja em consonância com os Três Selos do Dharma não é um ensinamento completo, mesmo que tenha sido proferida pelo Buda. Por outro lado, uma doutrina que esteja de acordo com os Três Selos do Dharma é um Dharma genuíno, mesmo que não tenha sido pessoalmente transmitida pelo Buda.

Os Três Selos do Dharma são os seguintes: "Todos as coisas condicionadas (samskaras) são impermanentes", "Nenhum dharma (estados condicionados e não-condicionados) tem individualidade substancial" e "O Nirvana é a paz perfeita". Os três axiomas são utilizados conjuntamente para provar a autenticidade do Dharma e, por isso, são denominados os "Três Selos do Dharma".

1. Todos os samskaras são impermanentes.

"Todos as coisas condicionadas (samskaras)" refere-se a todas as formas e ações deste mundo. De acordo com a doutrina budista, nenhuma dessas formas ou ações é permanente. Tal impermanência pode ser ilustrada através dos seguintes pontos:

1. Os "três períodos do tempo" fluem contínua e ininterruptamente. Isso mostra que todos os samskaras são impermanentes.

2. Todos os dharmas originam-se de causas e condições e, portanto, são impermanentes.

O que significa dizer "os três períodos de tempo" fluem continuamente? Esses períodos são: passado, presente e futuro. Do ponto de vista temporal, todos os dharmas são impermanentes porque, nem por um instante, permanecem imutáveis, surgindo e desaparecendo a cada momento. Os dharmas do passado já estão extintos. Os dharmas do futuro ainda não chegaram a existir. Os dharmas do presente extinguem-se assim que surgem. Assim, todos os dharmas são impermanentes. Por que dizemos que todos osdharmas, que surgem devido a causas e condições, são impermanentes? Uma vez que todos os dharmas são formados pela combinação e unificação de diferentes condições, a desintegração das causas e condições necessárias resulta na eliminação dos dharmas. Como as causas e condições são impermanentes, qualquer dharma que surja delas é conseqüentemente impermanente também. Por exemplo, um ser humano renasce como resultado de seu carma anterior. Do nascimento à morte e da morte ao nascimento, as vidas passam perpetuamente por passado, presente e futuro. A vida é verdadeiramente impermanente.

O funcionamento de nossa mente é também impermanente. Nossos pensamentos surgem e desaparecem constantemente, mudando a todo momento. Da mesma forma, todos osdharmas deste universo surgem e desaparecem a cada instante. Sua existência é um processo contínuo. Os fenômenos terrenos do surgimento, manutenção, degeneração e destruição; as mudanças sazonais da primavera, verão, outono e inverno e o próprio ciclo da vida do nascimento, envelhecimento, adoecimento e morte: tudo flui como um rio. Nada jamais permanece imutável nesse fluxo contínuo.

Costumamos classificar os sentimentos humanos em três categorias: sentimentos agradáveis, desagradáveis e aqueles que não são nem agradáveis nem desagradáveis. É claro que sentimentos desagradáveis são sofrimento (duhkha). Entretanto, sentimentos agradáveis também são duhkha porque eles também findam. A saúde e a beleza, por exemplo, resultam em sentimentos agradáveis, mas sua perda pode gerar sofrimento. Sentimentos que não são nem de felicidade, nem de tristeza, trazem-nos sofrimento por causa da mudança [intrínseca a eles]. Exemplos disso são os sentimentos resultantes da passagem do tempo, da brevidade da vida e da impermanência de todos os dharmas. Esse movimento perpétuo de mudanças causa intolerável angústia nas pessoas — esse é o sofrimento da impermanência. É por isso que os ensinamentos budistas afirmam que todos os samskaras são impermanentes e que todos os sentimentos são duhkha.

2. Nenhum dharma tem individualidade substancial.

Quando, anteriormente, abordamos a afirmação "todos os samskaras são impermanentes", discutimos que nada é permanente do ponto de vista temporal. Agora, se considerarmos o ponto de vista espacial, nada pode existir independentemente. Nós, seres humanos, gostamos de nos aferrar à nossa individualidade e acreditar que "eu" ou "minha individualidade" existem: minha cabeça, meu corpo, meus pensamentos, meus pais, meu cônjuge e meus filhos. Desenvolvemos "apego à individualidade" com relação ao que acreditamos ser. Desenvolvemos apego aos objetos que nos cercam. Temos a tendência de olhar para o mundo tendo o "eu" como centro de tudo, como se nada pudesse existir sem esse "eu". Contudo, de acordo com a profunda e racional perspectiva dos ensinamentos budistas, na verdade, a tal individualidade permanente e independente não existe. Por quê? Para considerarmos que uma entidade tenha individualidade, quatro pré-requisitos precisam ser preenchidos: a entidade precisa necessariamente ser permanente, autônoma, imutável e independente.

Analisemos então o corpo humano, entidade que tendemos a considerar como sendo "eu". Desde o momento do nascimento, e ao longo das várias décadas da vida de uma pessoa, o corpo humano passa por constantes mudanças fisiológicas de nascimento e morte à medida que cresce, amadurece e envelhece. De que forma, então, poderia ser permanente e imutável? O corpo humano é formado pela combinação e unificação dos quatro grandes elementos e dos cinco agregados; é originado quando se apresentam as condições necessárias para tal unidade e deixa de existir quando tais condições desaparecem. Como, então, poderia ele ser autônomo? O corpo humano é o local onde todas as variedades de sofrimento se reúnem: sofrimentos fisiológicos, tais como fome, frio, doença, fadiga; e sofrimentos mentais e emocionais, que incluem ira, ódio, tristeza, medo e frustração. Quando vivencia todos esses sofrimentos, o corpo não consegue se libertar. Como poderia ele, então, ser independente e soberano? Podemos observar, portanto, que a "individualidade", como definida anteriormente, não existe aqui. Assim, os ensinamentos budistas afirmam que nenhum dharma tem individualidade substancial.

A ausência de uma individualidade substancial, anatman, é o alicerce do Caminho do Meio, é o ensinamento fundamental do Budismo. A ausência de uma individualidade substancial é um ensinamento singular que distingue o Budismo de outras doutrinas religiosas ou filosóficas.

3. O Nirvana é a paz perfeita

Essa afirmação significa que as coisas acabarão por alcançar um estado de paz, independentemente de quão caóticas estejam no mundo. Não importa que as coisas pareçam diferentes, no fim tudo será igual. O estado de Nirvana é, na verdade, de paz e igualdade. De acordo com o Budismo, o resultado de se alcançar o estado de Nirvana é que todas as aflições e o ciclo de nascimento e morte são exterminados, o sofrimento deixa de existir, a felicidade eterna é alcançada, a sabedoria perfeita torna-se realidade e todas as ilusões são erradicadas. As pessoas comuns acreditam que o Nirvana só pode ser alcançado depois da morte. Na verdade, a definição de Nirvana é "sem nascimento nem morte". Nirvana significa a extinção do apego, a eliminação do atmagraha (aferro à noção de "individualidade") e do dharma-graha (aferro à crença de que as coisas são reais), a erradicação dos obstáculos gerados pela impureza e dos impedimentos ao conhecimento. Significa dar um fim ao ciclo de nascimento e morte. Nirvana é liberação. A impureza é cativeiro. Um criminoso acorrentado não é livre, da mesma forma que não o são os seres vivos agrilhoados por cobiça, raiva e ilusão. Praticando o Dharma e se purificando, os seres vivos liberam-se e alcançam o Nirvana. Esse processo é o único caminho para o Nirvana.

Na época do Buda, seus discípulos viajavam a diferentes lugares para ensinar o Dharma, depois de terem alcançado o Nirvana. Seus exemplos nos fazem compreender que o Nirvana não é algo para ser alcançado fora do contexto dos dharmas. Todos os dharmas eram originalmente Nirvana. No entanto, uma vez que a mente dos seres vivos está obscurecida pela ignorância, pela ilusão, pelo apego e pela crença de que a individualidade e os dharmas têm existência substancial que pode ser alcançada, as pessoas encontram obstáculos, impedimentos e cativeiro em todos os lugares. Se pudermos ser como os sábios budistas que entenderam que tudo se origina por causa da Gênese Condicionada, então, ainda que continuemos a existir neste mundo, perceberemos que toda a existência está em permanente mutação e não tem uma verdadeira natureza individual. Não mais seremos apegados, estaremos libertos onde quer que estejamos. Liberação é Nirvana.

Hoje apresentei as quatro características únicas do Budismo. Espero que esta palestra tenha aprofundado a compreensão de vocês e que sirva como um primeiro degrau para futuras investigações sobre Budismo. Que todos usufruam de saúde mental e corporal, felicidade e sucesso!

Hsing Yün

12/04/2010

Revisitando o Sistema Daemon – Anjos: A Cidade de Prata


Anjos com toda certeza é um RPG obrigatório para os fãs do gênero Horror pessoal. Aliás, Anjos é um jogo de Horror Celestial! Confira...

Anjos: A Caidade de Prata inclui toda a história e background da Cidade de Prata, a maior e mais importante cidade de Paradísia, o Reino dos Céus, com a descrição de todos os seus distritos e dos anjos que lá vivem.

Anjos explica detalhadamente as cinco castas que habitam a Cidade de Prata: Corpore, os anjos da Guarda; Protetore, os anjos cabalísticos; Captare, os caçadores de demônios; Recípere, os negociantes de almas e Nimbus, os governantes celestiais para serem utilizados como personagens ou NPCs em sua campanha; traz regras para construção de personagens em qualquer tempo (presente, futuro, Idade Média ou Antiguidade), poderes angelicais, itens mágicos, armas, magias e rituais utilizados pelos anjos em suas batalhas contra as forças das trevas; traz ainda novas perícias e novos Aprimoramentos compatíveis com o Sistema Daemon.

Inclui também a lista com descrição dos 250 anjos mais poderosos e famosos de todos os tempos, para serem utilizados como NPCs ou ideias para aventuras. O livro é um suplemento para a o universo Trevas/Arkanun, mas também é um Módulo Básico e pode ser utilizado independentemente, pois traz todas as regra do Sistema Daemon.

Vamos conhecer um pouquinho mais sobre as castas angélicas:

Corpore

A esta Casta pertence a grande maioria dos Anjos da Cidade de Prata. Anjos que pertençam a essa Casta tem maior afinidade com magia, sendo mais comuns magos nela do que em outras castas. Apesar do nome de outra casta parecer indicar essa ocupação (os Protetore), os Corpore é que são designados como Anjos da Guarda, mas apenas para os cristãos merecedores.





Captare

Os Captare são a Casta guerreira da cidade dos anjos. Responsáveis pela caça/captura/eliminação de demônios, anjos caídos e outros infiéis, os Anjos que pertencem a esta caça são treinados no Distrito de Marte, com auxílio das valkírias, no manuseio de espada e outras artes da guerra. Das valkírias nórdicas também a influência sobre suas vestimentas.






Protetore

Anjos Cabalísticos, os Protetore são a casta mais abrangente, englobando dentro de si Serafins (os primeiros e mais poderosos Anjos da Cidade de Prata), os Querubins (Anjos com aparência de bebês; eram muito retratados nos quadros renascentistas), Tronos (os anjos amantes e adoradores da música), Virtudes (atuam como uma força especial, como "anjos de preto"), Dominações (uma espécie de elite militar, algo como uma SWAT celestial), Potências (os Anjos amantes e protetores da natureza), Anjos e Arcanjos (os guerreiros e mensageiros de deus) e Pricipados (Anjos responsáveis pelo controle de uma cidade na Terra).



Nimbus

Os Anjos diplomatas da Cidade de Prata. A maioria eram juízes, advogados ou políticos quando em vida, por isso existem muito poucos deles na Cidade (a maioria vai direto para o inferno). Os Nimbus mais antigos são os grandes jogadores celestiais que, juntamente com seus irmãos caídos, manipulam a humanidade numa espécie de jogo de xadrez celestial.






Recípere

Os Recíperes são os Anjos responsáveis pelas Almas dos mortais, e também atuam muitas vezes como negociadores/mercadores delas. São os responsáveis pelo encaminhamento dessas almas e por transformá-las (quando merecido) em novos Anjos, da casta que melhor couber a esta alma. Juntamente com os Nimbus são a Casta mais facilmente corrompida, pois lidam com assuntos onde há muito poder em jogo.

11/04/2010

Características Singulares do Budismo Parte 3


Dando continuidade aos textos sobre as Características Singulares do Budismo, vamos ver o que Hsing tem a nos dizer sobre o conceito Shunyata...

De modo geral, as pessoas não compreendem o conceito de shunyata (vazio), pois pensam que shunyata é o nada. Essa é uma interpretação errônea. Já falamos sobre o fenômeno da Gênese Condicionada, que significa que todos os dharmas se originam de causas e condições e findam como resultado de causas e condições. Todos os dharmassurgem por causa da combinação correta de causas e condições e findam como consequência da desintegração das causas e condições que resultaram em sua formação. Portanto, a natureza de todos os dharmas é o vazio. Ou seja, os dharmas não têm uma verdadeira natureza específica e, portanto, são descritos como "vazios".

Geralmente, as pessoas limitam a definição de shunyata a "nada absoluto", ainda que considerem a existência como sendo real. De acordo com os ensinamentos budistas, a existência, que surge como resultado da Gênese Condicionada, é ilusória, ainda que não exclua o vazio. Similarmente, shunyata, a natureza fundamentalmente vazia de toda existência, significa a não substancialidade, mas não elimina a existência.
 Esse é o conceito de Gênese Condicionada com natureza de vazio.

Gostaria de explicar o que é shunyata da seguinte maneira:

1. Os quatro grandes elementos são fundamentalmente vazios; os cinco grandes agregados não têm existência verdadeira.

O significado infinito do Budismo Mahayana é shunyata e não o "nada absoluto". É um conceito construtivo e revolucionário, utilizado pelos mahayanistas para explicar a existência do mundo e do universo. "Os quatro grandes elementos são fundamentalmente vazios; os cinco grandes agregados não têm existência verdadeira" — foi como o Buda explicou a natureza de todos os eventos e fenômenos deste mundo e do universo, depois de ter se iluminado. Todos os dharmas existem por causa da combinação dos quatro grandes elementos. Quais são eles? São terra, água, fogo e ar. A terra tem a propriedade da solidez; a água, a da umidade; o fogo, a do calor; e o ar, a da mobilidade. Por que dizemos que terra, água, fogo e ar são os grandes elementos? Porque tudo neste mundo e no universo é formado por esses quatro elementos. Uma xícara, por exemplo, é fabricada levando-se ao fogo a argila que foi moldada em forma de xícara. A argila pertence ao elemento terra. Adiciona-se água à argila para que possa ser moldada e, então, ela é levada ao fogo. Depois disso, a xícara é resfriada e é seca pelo ar. Assim, todos os quatro grandes elementos participam da formação de uma xícara.

Da mesma forma, o ser humano também é formado pela união dos quatro grandes elementos. Por exemplo: nossa pele, cabelo, unhas, dentes, ossos e músculos pertencem ao elemento terra. Sangue, saliva e urina, ao elemento água. O calor corporal pertence ao elemento fogo e a respiração e o movimento, ao elemento ar. Assim, caso um dos elementos esteja em desequilíbrio, adoecemos. Se os quatro grandes elementos se desintegrarem, deixamos de existir.

Assim, podemos observar que o corpo físico é formado pela combinação dos quatro grandes elementos. Além disso, a mente, de acordo com nossa compreensão usual, é apenas a combinação dos cinco agregados: matéria (rupa), sensação (vendana), percepção (samjna), formações mentais (samskara) e consciência (vijnana). A vida é o resultado da combinação de causas e efeitos que não têm em si um caráter verdadeiro e independente. Um corpo físico com consciência não é nada mais que um ser que existe como resultado de uma combinação de fatores. Quando a força unificadora dessas causas e condições se exaure, a combinação prévia desses fatores se dissolve e o ente vivente deixa de existir. Onde está, então, a verdadeira e independente individualidade? Assim, o Buda ensina que "os quatro grandes elementos são fundamentalmente vazios; os cinco agregados não têm existência verdadeira".

Certa vez, Tung-p'o Su, da dinastia Sung, foi visitar o mestre Ch'an Fo Yin. Quando Tung-p'o Su chegou, o mestre Fo Yin estava ensinando o Dharma e, assim que viu o visitante, disse-lhe: "Senhor Su, de onde o senhor está vindo? Não temos lugar para que se sente".

Tung-p'o Su imediatamente respondeu: "Mestre, se não há assento, por que é que o senhor não me empresta seus quatro grandes elementos e cinco agregados (seu corpo) para que eu os utilize como assento para meditar?"

O mestre Fo Yin disse: "Vou lhe fazer uma pergunta e, caso a resposta seja satisfatória, permitirei que me use como assento. Caso contrário, então, por favor, deixe-me seu cinto de jade como presente. Eis a pergunta: meus quatro grandes elementos são todos vazios e meus cinco agregados não têm existência verdadeira. Posso, então, perguntar aonde o senhor vai se sentar?"

Tung-p'o Su não conseguiu responder e, assim, tirou seu cinto de jade, que havia sido um presente do imperador, e partiu.

Essa história nos faz perceber que o corpo humano, essa combinação ilusória dos quatro grandes elementos e dos cinco agregados, não tem em si uma natureza substancial que possamos agarrar.

2. O que é shunyata?

No ensinamento Mahayana, shunyata integra os "Três Selos do Dharma". Shunyata é a Verdade Suprema, um importante conceito no Budismo e uma característica única do Budismo que o distingue de outros ensinamentos terrenos.

A maioria das pessoas não compreende o que significa shunyata, e acredita que seja a nulidade completa, o nada. De forma nenhuma. Shunyata é, na verdade, a mais profunda e maravilhosa filosofia. Quem consegue compreender shunyata compreende o Budismo como um todo. O que é, então, shunyata? É absolutamente impossível explicar o significado de shunyata com apenas uma frase. O Tratado sobre o Mahayana oferece dez definições de shunyata que, apesar de não conseguirem explicar totalmente o seu significado, se aproximam muito disso.

As dez definições de shunyata apresentadas pelo tratado são as seguintes:

Shunyata tem o significado da não obstrução. Assim como o espaço, pode ser encontrado em todos os lugares e não obstrui nenhuma existência material.

Shunyata tem o significado da onipresença. Assim como o espaço, a tudo permeia e alcança todos os lugares.

Shunyata tem o significado da igualdade. Assim como o espaço, não discrimina e trata tudo da mesma forma.

Shunyata tem o significado da vastidão. Assim como o espaço, é vasto, ilimitado e incomensurável.

Shunyata tem o significado do amorfo. Assim como o espaço, não tem forma ou feitio.

Shunyata tem o significado da pureza. Assim como o espaço, é sempre puro.

Shunyata tem o significado da imobilidade. Assim como o espaço, está sempre imóvel, totalmente além de qualquer forma de surgimento ou degeneração.

Shunyata tem o significado da negação absoluta. Nega todos os fatos e teorias.

Shunyata tem o significado do esvaziamento do próprio shunyata. Nega todos os conceitos de uma natureza individual independente, assim como destrói todo apego ao conceito de shunyata.

Shunyata tem o significado do inatingível. Assim como o espaço, não pode ser alcançado ou agarrado.

Essas dez definições não conseguem descrever perfeitamente a verdade de shunyata. Entretanto, juntas, fornecem um vívido quadro para que possamos compreender melhor esse importante ensinamento budista.

3. Como perceber shunyata?

1. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória da continuidade. Toda a existência é vazia porque todos os fenômenos são impermanentes. Assim como no rio Yang Tze, as ondas de trás empurram as da frente, a nova geração substitui a anterior. O tempo continua ininterrupto e os acontecimentos mundanos são sempre o sofrimento, o vazio e a impermanência. Através da continuidade da impermanência, pode-se ver o vazio.

2. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória dos ciclos. Todos os dharmas do universo são governados pela Lei de Causa e Efeito. Uma causa transforma-se em efeito, que por sua vez torna-se causa. Por exemplo, quando há quantidade apropriada de luz, ar, água e terra, uma semente pode germinar, florescer e frutificar. Quando as condições externas necessárias estão presentes, as sementes dessas frutas germinam, florescem e frutificam novamente. Nesse caso, a fruta, que era o efeito, transforma-se em causa. Através desse ciclo contínuo, no qual a causa transforma-se em efeito e efeito em causa, pode-se ver shunyata.

3. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória das combinações. Todos os dharmas surgem devido à união harmoniosa de várias causas e condições. O corpo humano, por exemplo, é feito da união harmoniosa de pele, músculos, ossos, sangue e vários fluidos corporais. Se o corpo humano fosse subdividido em seus componentes, não se encontraria um corpo humano independente. Assim, podemos compreender shunyata através da Gênese Condicionada.

4. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória da relatividade. Todos os dharmas deste universo são relativos, tais como um pai em relação ao filho e um professor em relação ao aluno. Por exemplo, quando o filho se casa e tem um filho, torna-se pai. Da mesma forma, o aluno que aprende o suficiente pode, então, tornar-se professor. Assim, todas as coisas são relativas e, portanto, irreais e vazias.

5. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória das aparências. Não existe um padrão definido ou medida para analisar as aparências. Por exemplo, a luz de uma vela pode ser muito intensa para os olhos, até o momento em que uma lâmpada elétrica seja acesa: a luz da vela passa, então, a ser tênue. A velocidade de um automóvel pode parecer alta, até que seja comparada à de um avião. Esses exemplos nos permitem perceber que a aparência de todos os eventos e de todos os fenômenos é vista sem um padrão determinado; podemos, portanto, perceber shunyata.

6. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória dos termos. Atribui-se a cada dharma neste universo um nome diferente. Esses nomes não têm substancialidade e são, portanto, vazios. Uma criança recém-nascida, por exemplo, é chamada de "bebê". Ao crescer, é chamada de "moça". Ao casar-se, é chamada de "senhora". Ao ter seus filhos, estes a chamam de "mãe". Ao envelhecer e ter netos, passa a ser chamada de "avó". De "bebê" a "avó", ela continuou sempre a mesma pessoa e, no entanto, os títulos foram diferindo. Assim, podemos compreender shunyata através da ilusão dos termos.

7. Shunyata pode ser percebido através da natureza ilusória dos diferentes pontos de vista. Diferentes pessoas com diferentes mentalidades terão diferentes pontos de vista a respeito da mesma coisa ou fato. Um exemplo: em uma noite de nevasca, um poeta declamando em uma janela, dentro de uma casa quentinha e confortável, espera que a neve continue por toda a noite, para que possa usufruir de uma paisagem mais bela. Enquanto isso, um mendigo, tremendo de frio, espera que a neve cesse logo para que possa sobreviver àquela noite. Assim, podemos compreender shunyata através dos diferentes pontos de vista.


Termina na parte 4...

10/04/2010

RPG Nacional livre e gratuito! - Nexus RPG

De autoria de João Carlos F. Lucena, vamos conhecer este competente sistema de rpg que utiliza apenas dados de 6 faces e não deixa nada a desejar em relação aos sistemas que estão no mercado!


Nexus                                                                                                                            

09/04/2010

Saúde – Animais também sofrem com o Fumo


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vício do cigarro é considerado a principal causa de mortes evitáveis em todo o mundo. E esta causa não se restringe aos humanos, os animais também! Confira...

O termo fumante passivo é bastante conhecido. Refere-se àquele que é prejudicado pelo fumo embora não fume. Então, quando alguém está em um ambiente fazendo uso de cigarros, quem está por perto acaba inalando os componentes nocivos do tabaco. E não apenas pessoas, os animais também.

O cachorro, o gato, o papagaio etc., o seu bichinho de estimação, ele é mais um inocente que sofre com os malefícios do fumo. Eles ficam sujeitos a rinite, outras irritações nasais e até mesmo ao câncer. Alguns estudos realizados comprovam estes efeitos nocivos.

O veterinário Marcello Roza, em sua dissertação para Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, relatou o resultado de uma pesquisa feita com 30 cães da raça yorkshire. Metade deles tinha donos fumantes, e sem exceção apresentaram problemas no sistema respiratório, fruto da exposição à nicotina, ao alcatrão e a outros componentes de cigarros e a outros produtos à base de tabaco.

"Se ele soubesse falar, pediria para você parar de fumar!"
Estudos do Departamento de Bioestatística e Epidemiologia da Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, concluíram que gatos que vivem em casa de fumantes são duas vezes mais vulneráveis ao linfoma felino do que os que não são expostos à fumaça do tabaco. Esse risco cresce quanto maior for o tempo em que são obrigados a inalar as substâncias tóxicas. O linfoma felino bota as defesas do animal no chão — e ele morre.

Então, não fumar é, além de cuidar da sua saúde, também preservar a saúde do seu animal de estimação, que sempre está ao seu lado quando você precisa de companhia.

07/04/2010

Os Chackras Iluminados

Um vídeo bem didático e ilustrativo discorrendo sobre os Chakras. Vale a pena dar uma conferida!




06/04/2010

Meu Derrame de Percepção

Palestra da Dra. Jill Bolte Taylor, neurocientista de Harvard, sobre sua experiência com um derrame em 1996.



05/04/2010

Características Singulares do Budismo Parte 2


Continuando com a série de 4 posts sobre as Singularidades do Budismo segundo Hsing Yün. Agora o assunto é Gênese Condicionada...

II. A Segunda Característica: Gênese Condicionada

O Buda Shakyamuni, fundador do Budismo, iluminou-se sentado sob a árvore Bodhi, em Bodhgaya, na Índia. Qual foi a verdade que ele compreendeu quando se iluminou? Ele compreendeu o Princípio de Causa e Condição e a verdade da Gênese Condicionada. Percebeu que o princípio de todos os fenômenos surge de causas e condições e que a Gênese Condicionada é uma verdade imutável da vida e do universo. Durante os 49 (alguns dizem 45) anos em que ensinou o Dharma, o Buda dirigiu seus esforços a elucidar a verdade da Gênese Condicionada para os demais. A Gênese Condicionada é outra característica singular que diferencia o Budismo de outras religiões.

A Gênese Condicionada baseia-se na Lei de Causa e Efeito. Toda a existência (bhava) surge de causas e de condições. A existência de todas as coisas deste universo é interdependente. Em termos gerais, algo tão grande quanto o mundo e algo tão pequeno quanto um grão de poeira, uma flor ou uma folha de grama — tudo surge devido a causas e condições. O Princípio da Gênese Condicionada não é algo que possa ser explicado através da erudição acadêmica; deve ser vivenciado e realizado através da própria prática. Antes de o Buda renunciar à vida secular, já era bem versado na filosofia dos quatro Vedas, nas cinco ciências e na filosofia das 96 religiões praticadas em seu tempo. Depois de seis anos de práticas ascéticas e de meditação, ele finalmente compreendeu o Princípio da Gênese Condicionada e alcançou a condição de Buda.

Havia um brâmane, chamado Shariputra, que praticava o Bramanismo havia muito tempo e tinha muitos seguidores; no entanto, ele ainda não havia compreendido a Verdade. Um dia, Shariputra andava por uma rua de Rajagrha quando encontrou Asvajit, um dentre os primeiros cinco discípulos do Buda. Asvajit havia sido profundamente influenciado pelos ensinamentos do Buda, e sempre os colocava em prática. O porte e a aparência de Asvajit conquistavam o respeito daqueles que o viam. Shariputra perguntou-lhe respeitosamente: "Quem é você? Quem é seu professor? O que ele lhe ensina?"

Asvajit respondeu: "Todos os dharmas surgem devido a causas e condições; todos os dharmas cessam devido a causas e condições. É isso que o Senhor Buda, o grande sramana, sempre ensina".

Nesse contexto, a palavra dharma significa tudo na vida, todos os fenômenos do universo. "Todos os dharmas surgem devido a causas e condições" significa que todos os objetos e fenômenos deste universo surgem devido à combinação de muitas causas e condições. Quando essas causas e condições se ausentam, objetos e fenômenos deixam de existir.

Ao ouvir isso, Shariputra ficou extasiado. Ele comunicou a maravilhosa novidade a seu bom amigo, Maudgalyayana. Os dois, juntamente com seus próprios discípulos, foram seguir o Buda. Sob o seu ensinamento, Shariputra tornou-se um expoente de sabedoria entre seus discípulos, enquanto Maudgalyayana tornou-se o mais proeminente quanto a poderes sobrenaturais. Assim, podemos ver que o Princípio da Gênese Condicionada é a Verdade.

Podemos compreender o conceito da Gênese Condicionada através de três aspectos:

1. Efeitos surgem de causas

Hetupratyaya é a palavra em sânscrito para causa e condição. Hetu é a causa primária; pratyaya é a condição, ou condições, secundária. Hetu é a força direta da qual surge o fruto (efeito), enquanto pratyaya é a força indireta. Todos os fenômenos do universo surgem devido a uma combinação de muitas e diferentes causas e condições. Sem causas e condições adequadas, nenhum fenômeno pode existir. Isso é o que significa "dharmas não surgem por si próprios". Como exemplo, tomemos um grão de soja, que é a semente, a causa principal. Água, solo, luz solar, ar e fertilizante são as condições secundárias. Caso essas causas e condições se combinem de maneira correta, a semente poderá germinar, florescer e frutificar. Assim, o fruto resulta de causas. Se, no entanto, o grão de soja tivesse sido armazenado em um granário ou plantado em cascalho, ele teria permanecido semente para sempre. Na falta de condições externas necessárias, uma semente não consegue germinar e frutificar.

Do ponto de vista temporal, os fenômenos sociais de um determinado período talvez pareçam não ter conexão com os de um período posterior. Contudo, se analisarmos cuidadosamente esses fenômenos, logo nos daremos conta de que qualquer sociedade, de qualquer período, não poderia ter surgido sem a existência da que a antecedeu. Tomemos uma tocha, como exemplo. Quando a chama de uma tocha é transmitida a outra, ambas continuam sendo entidades distintas. Entretanto, existe uma relação sutil entre elas. A chama da nova tocha é a continuação da antiga chama. No fluxo do tempo, é impossível encontrar uma entidade isolada de todas as outras.

Do ponto de vista espacial, parece que um dharma não tem nenhuma relação com outro. No entanto, analisando cuidadosamente, veremos que existem relações de causa e condições entre os dharmas. Por exemplo, hoje estamos tendo a oportunidade de nos encontrar aqui, e isso é um efeito. A formação do efeito resultou de muitas e variadas causas e condições. Vocês me convidaram a vir e a proferir uma palestra, eu estava disponível, a escola nos permitiu utilizar suas instalações e todos vocês tiveram o interesse de vir aqui me ouvir. Graças à combinação simultânea dessas condições é que esta palestra teve êxito em sua realização. Se apenas uma dessas condições tivesse falhado, não teria sido possível realizá-la. Portanto, o surgimento de qualquer tipo de existência é o resultado de causas e condições.

A existência de um indivíduo também depende de causas e condições. Mesmo com todo o avanço da ciência e da tecnologia e com a possibilidade de inventar e produzir objetos, ainda assim, não conseguimos inventar a vida em si: ela resulta de causas e condições. A junção do esperma de um pai com o óvulo de uma mãe origina uma nova vida. A partir de então, a vida humana só terá continuidade se necessidades físicas forem satisfeitas através de vários itens fornecidos por agricultores, operários e comerciantes. Como analogia, tomemos uma casa: ela é construída quando cimento, madeira, tijolos e outros materiais de construção são colocados juntos e de forma correta. Uma casa não existe se esses componentes forem eliminados. O mesmo acontece com um ser humano. Se a pele, a carne, o sangue e os ossos forem separados, a pessoa deixará de existir. Assim, todos os dharmas resultam de causas e condições.

Quando falamos sobre a formação da vida, surge sempre uma pergunta que desde há muito incita debate, que é a seguinte: "Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?" Se a galinha tiver nascido primeiro, de onde ela veio? Se o ovo tiver nascido antes, de onde veio o ovo? O ovo ou a galinha: quem nasceu primeiro?

O Budismo não se preocupa com esse tipo de questões sobre que entidade nasceu primeiro, nem sobre o começo ou o fim. O Budismo fala sobre um "círculo", que não tem começo nem fim. O Conceito da Gênese Condicionada é justamente esse algo, sem começo nem fim. Qual hetupratyaya vem antes e qual vem depois? Isso não pode ser determinado porque qualquer fenômeno surge devido à combinação de muitos hetupratyayas. Por exemplo, o relógio na parede funciona continuamente da meia-noite ao meio-dia e do meio-dia de volta à meia-noite. Qual é o começo? Qual é o fim? É muito difícil dizer, porque isso não tem começo ou fim. Com esse exemplo, pode-se compreender que os hetupratyayas são interdependentes e inter-relacionados. "Isto existe, portanto aquilo existe; isto surge, portanto aquilo surge; isto não existe, portanto aquilo não existe; isto cessa, portanto aquilo cessa". Esse verso é a melhor definição da Gênese Condicionada.

2. Todos os fenômenos existem em consonância com a Verdade

O Princípio da Gênese Condicionada é sutil e complexo. É profundo e difícil de ser compreendido. Não pode ser analisado através de técnicas científicas, nem elucidado através da metafísica. No Sutra Agama, o Buda disse que a Gênese Condicionada é uma característica singular do ensinamento budista. É uma verdade do universo que não pode ser encontrada em ensinamentos seculares.

A Gênese Condicionada, que postula que todos os fenômenos existem em consonância com a Verdade, é baseada na Lei de Causa e Efeito. Quem planta sementes de feijão colherá feijão. Quem planta sementes de melão colherá melões. Uma semente de melão não resultará em feijão e uma semente de feijão não germinará melões. Uma causa específica resultará em um efeito específico: essa é a verdade exposta pela Lei de Causa e Efeito. As verdades deste mundo devem estar em harmonia com as condições de "assim era originalmente, assim é inevitavelmente e assim é universalmente". A Verdade não pode ser modificada por discussões e não precisa ser descrita em palavras. Ela simplesmente é. O Buda disse, por exemplo, que tudo o que surge desaparecerá um dia. Do ponto de vista temporal, tal afirmação aplica-se a passado, presente e futuro. Do ponto de vista espacial, essa afirmação é verdadeira em todos os lugares do mundo. Não importa qual seja nosso grau de desenvolvimento cultural ou de avanço tecnológico, não se pode fugir do fato de que tudo o que surge, desaparece. Nunca surgirá um fenômeno que não esteja de acordo com a Verdade. É isso que significa dizer: "todos os fenômenos existem em consonância com a Verdade".

3. O surgimento da existência depende de shunyata

Como se originaram todos os dharmas de nosso universo? De acordo com o Princípio da Gênese Condicionada, o surgimento de todos os dharmas depende de shunyata (vazio). Sem o vazio, não existiriam fenômenos. Por quê? Porque sem o vazio não poderia haver a existência. Vazio não significa inexistência, ao contrário do que se poderia pensar com base na utilização usual do vocábulo. Shunyata é a "natureza do vazio" em todos os fenômenos. Se não fosse por essa natureza de vazio, os fenômenos jamais manifestariam seu valor e função de existência. A função dos fenômenos é a aplicação do vazio. Vamos supor que quiséssemos construir uma casa. Além do material, tal como madeira, cimento, vergalhões e tijolos, precisaríamos também de um projeto, de uma planta e de medidas. E, obviamente, antes de mais nada, precisaríamos de espaço vazio, sem o que, independentemente da qualidade do material e da beleza da planta, a casa simplesmente não poderia ser construída. Assim, somente onde existe vazio, os eventos e fenômenos podem surgir.

A simples menção da palavra "vazio" geralmente amedronta as pessoas, porque elas interpretam, erroneamente, que a religião budista requer a negação de tudo. No entanto, de acordo com o Budismo, o "vazio" é a base de toda existência. Hoje, por exemplo, estamos aqui reunidos porque existe espaço. Caso não houvesse, não poderíamos estar aqui. O corpo humano é outro exemplo de "vazio". De acordo com o Budismo, existe muito espaço no corpo humano. Uma pessoa pode existir porque seu nariz é vazio, porque sua boca é vazia e porque seu trato digestivo é vazio. Agora, imaginem se o nariz, a boca e o sistema digestivo não fossem vazios: será que conseguiríamos sobreviver? Será que a vida conseguiria, ainda assim, existir?

Sem espaço, casas não podem ser construídas. Se uma bolsa não estiver vazia, não pode carregar nada. Se o universo não fosse vazio, a vida humana não poderia existir. Assim, só há "existência" onde há "vazio". Sem shunyata, nenhum dharma poderia resultar das condições e, assim, não haveria o surgimento nem o fim de nada.

Baseado nesse fenômeno da existência, no capítulo sobre as Quatro Nobres Verdades do Sastra Madhyamika, Nagajuna disse: "Por causa de shunyata todos os dharmas podem surgir; se não houvesse shunyata, nenhum dharma poderia surgir".