08/03/2010

Elefante

Toda a vida de Celestino foi cercada por uma única obsessão, descubra neste novo conto o que encantou tanto o menino, o homem e o velho...






Carne e cimento, dizem. Assim são feitos os elefantes.

Carne e cimento.

Mas havia algo que Celestino não conseguia compreender. Se cimento naquele animal existia, como conseguia tão imenso ficar! Perguntou diretamente ao guia do safári. Sem resposta ficou, afinal o homem era muito alto para escutar as inquietações de um pigmeu estrangeiro.

Celestino cresceu.

Formou-se biólogo.

Sua pesquisa acadêmica resultou em um tomo de mais de seiscentas páginas. O tema?

Elephas Maximus, o tal do elefante.

A sua obra máxima desvendava todos os segredos daquele animal, o colosso de trombas. Só pecava em não discorrer sobre como os elefantes conseguiam crescer com a tez cimentada.

Cicatriz que não se fechou, desde o guia do safári...

Celestino envelheceu.

Adoeceu.

Flertou com a Morte.

Mas antes do suspiro final, ele pôde, enfim, compreender.

As rachaduras na pele!

Sim, as rachaduras na pele! E naquele instante, Celestino percebeu que quanto mais velho o animal era, mais rachaduras sua pele continha. A pele cimentada, não aguentando o volume do animal, logo rachava!

E Celestino morreu. Com um enorme sorriso estampado no rosto, todo rachado pela idade, morreu.

E, dizem, consigo levou para o céu o segredo do crescimento dos elefantes.

2 comentários:

Muito interessante. Adoro coisas assim... curtas, pois para se dizer muito, não se precisa de mais do que meia dúzia de palavras.

na...

na verdade o q interessa é q escreve bem.

conto bom!

Postar um comentário

Olá, Obrigado por visitar o Liber Imago!
Espero que tenha gostado do conteúdo e, se puder deixar sua opinião,
será de muita valia para que eu possa estar sempre melhorando e
alimentando com material de qualidade o Liber Imago!

Namastê!