22/02/2010

Dos Últimos Dragões




 
– Pai, por que eu só sonho com dragões? – questionou o jovem rapaz, que havia recém completado sete anos.

– Por quê? – suspirou o pai, que ajustava a gravata ao redor do pescoço.

– É. Desde o meu aniversário de cinco anos. Não me lembro de uma noite sequer em que eu não tenha sonhado com estas criaturas fantásticas.

– Oras Carlos... – o pai calçava os sapatos. – Você deve estar lendo muitos quadrinhos e histórias de fantasia ultimamente.

– Não!

O pai, vendo que os olhos do garoto ganhavam um semblante reptiliano, suspirou profundamente.

– Está bem, mas antes eu quero que você se acalme. Ok? Pois vou abrir logo o jogo. Afinal de contas, neste mundo, somos apenas eu e você. Não é?

O garoto se refez.

– Vá até a estante ali – o pai indicou com a cabeça – e me traga aquele livro com a capa de "pele de cobra".

Carlos pegou o livro. Abriu-o e não entendeu uma palavra do que estava escrito.

– Não entendo uma letra sequer. Em que língua está?

– Na língua dos... Dragões.

Agora eram os olhos do pai que assumiam um semblante reptiliano.

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