"A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais..." (Marcelo Gleise)
Como vimos AQUI, a música na antiguidade possuía um cunho místico, filosófico e de caráter divino. E foi neste berço que ela foi concebida e modelada.
Imerso nesta realidade, por volta de 502 a.C., o filósofo Pitágoras descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, agradáveis, obedecem a uma relação matemática simples.
Usando uma lira ele demonstrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, assim satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto. Construindo assim, uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros!
Tá, mas o que isto tem a ver com esoterismo, religião, natureza e filosofia?
A resposta é simples, pois foi a partir daí que se deu um enorme pulo para um melhor entendimento da relação da música – da maneira como ela era concebida e aplicada na antiguidade – com tudo o que existe no universo. Como a escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece as relações simples entre os números inteiros.
Não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Formas podem ser aproximadas por quadrados, triângulos, esferas, etc., e estas figuras podem ser descritas por números. Do mesmo modo que a corda da lira gera sons harmônicos para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza e de tudo que se manifesta! E Pitágoras conseguiu objetivar esta harmonia de maneira matemática (quer mais objetivo do que isso!).
Levando em conta a contribuição do filósofo, fica muito mais fácil de compreender todo o simbolismo e importância que os povos antigos davam para a música:
- Manifestação Divina (Criação);
- Poder da Natureza;
- A Criação se deu através da música (vibração/harmonia)
- Ferramenta para se harmonizar e sintonizar com o Eu Divino;
- Ferramenta para alterar e controlar seres e substâncias;
- Era o principal motivo pelo qual, instrumentos musicais, como sinos, chocalhos, tambores, flautas e trombetas eram utilizados tantos pelos sacerdotes em suas operações teúrgicas, como pelos guerreiros em suas ações contra seus inimigos como forma de, não só atrair auspícios divinos, mas também utilizar o som como arma psíquica;
- etc.
Bom, para um post já está suficiente, não? E para o próximo preparem-se, pois vamos descobrir o mistério das escalas musicais!












