20/08/2009

Judite Nove Olhos

Há quem não acredite. Mas Judite era portadora de uma herança incomum!


"Um espanto!", diziam os colegas. "Mas que horror!", exclamavam os professores.


A escola. Um pesadelo vivo.


Judite nem podia chorar, pois de seus nove olhos transbordavam tantas lágrimas que sempre acabava afogada. A cabecinha da menina era uma fonte viva. Três olhos na frente, três atrás, dois acima do ouvido direito, dois acima do esquerdo e um no topo da cabeça. Pobre Judite. Tudo estava à sua vista.


As toucas que seus pais lhe davam de nada adiantavam. O tecido incomodava e irritava seus olhos. Fechados não os podia manter. Afinal, se fechava um, fechava todos. Não podia controlar. O cabelo não existia, a não ser por três pares de sobrancelhas marrons.


Certo dia, Judite descobriu: Seus pais a haviam adotado no convés de um navio. Sua verdadeira mãe, em desespero, naquela época pediu. "Por favor, jovem casal. Fiquem com esta criança, que nove vezes serão bem vistos". Tentados, seus pais aceitaram.


E a velha dríade, sua mãe de sangue, jamais foi vista por outro alguém.


A menina cresceu e se isolou. Foi morar num pântano distante do mundo. A tristeza era tanta que salgou um rio inteiro! E é claro que este rio desaguou onde deveria.


E os diabretes souberam dos nove olhos...

Dizem que contrataram Judite para salgar o mar. Mas os diabretes não contratam ninguém, apenas fazem escravos.

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