29/06/2009

Pitágoras e sua contribuição para o entendimento da Relação: Música e Universo

"A música, dentre as artes, é a mais misteriosa. Como podem os sons invocar emoções tão fortes, alegrias e tristezas, lembranças de momentos especiais ou dolorosos, paixões passadas e esperanças futuras, patriotismo, ódio, ternura? Quando se pensa que sons nada mais são que vibrações que se propagam pelo ar, o mistério aumenta ainda mais..." (Marcelo Gleise)


Como vimos AQUI, a música na antiguidade possuía um cunho místico, filosófico e de caráter divino. E foi neste berço que ela foi concebida e modelada.



Imerso nesta realidade, por volta de 502 a.C., o filósofo Pitágoras descobriu uma relação matemática entre som e harmonia. Ele mostrou que os sons que chamamos de harmônicos, agradáveis, obedecem a uma relação matemática simples.



Usando uma lira ele demonstrou que o tom de uma corda, quando soada na metade de seu comprimento, é uma oitava acima do som da corda livre, assim satisfazendo uma razão de 1:2. Quando a corda é soada em 2:3 de seu comprimento, o som é uma quinta mais alto; em 3:4, uma quarta mais alto. Construindo assim, uma escala musical baseada em razões simples entre os números inteiros!



Tá, mas o que isto tem a ver com esoterismo, religião, natureza e filosofia?



A resposta é simples, pois foi a partir daí que se deu um enorme pulo para um melhor entendimento da relação da música – da maneira como ela era concebida e aplicada na antiguidade – com tudo o que existe no universo. Como a escala era de caráter tonal, os pitagóricos associaram o que é harmônico com o que obedece as relações simples entre os números inteiros.



Não só a música que ouvimos, mas todas as harmonias e proporções geométricas que existem na natureza podem ser descritas por relações simples entre números inteiros. Formas podem ser aproximadas por quadrados, triângulos, esferas, etc., e estas figuras podem ser descritas por números. Do mesmo modo que a corda da lira gera sons harmônicos para determinadas razões de seu comprimento, os padrões geométricos do mundo também geram as suas melodias: a música se torna expressão da harmonia da natureza e de tudo que se manifesta! E Pitágoras conseguiu objetivar esta harmonia de maneira matemática (quer mais objetivo do que isso!).



Levando em conta a contribuição do filósofo, fica muito mais fácil de compreender todo o simbolismo e importância que os povos antigos davam para a música:



- Manifestação Divina (Criação);


- Poder da Natureza;


- A Criação se deu através da música (vibração/harmonia)


- Ferramenta para se harmonizar e sintonizar com o Eu Divino;


- Ferramenta para alterar e controlar seres e substâncias;


- Era o principal motivo pelo qual, instrumentos musicais, como sinos, chocalhos, tambores, flautas e trombetas eram utilizados tantos pelos sacerdotes em suas operações teúrgicas, como pelos guerreiros em suas ações contra seus inimigos como forma de, não só atrair auspícios divinos, mas também utilizar o som como arma psíquica;


- etc.



Bom, para um post já está suficiente, não? E para o próximo preparem-se, pois vamos descobrir o mistério das escalas musicais!

2 comentários:

Excelente, LD! Muito interessante a história de Pitágoras sobre as cordas. Não sabia que tinha sido ele, já naquele tempo, que bescobriu isso! Eram os filósofos racionalistas se manifestando, procurando dar explicações racionais para tudo que existisse, retirando do mero acaso, ou das manifestações divinas para os fatos mundanos.

A parte do final do seu post me remeteu a "A Arte da Guerra" de Sun Tzu, que faz menção à importância dos tambores na motivação dos guerreiros.

Muito bom! Aguardo a continuação.

Excelente, LD! Muito interessante a história de Pitágoras sobre as cordas. Não sabia que tinha sido ele, já naquele tempo, que descobriu isso! Eram os filósofos racionalistas se manifestando, procurando dar explicações racionais para tudo que existisse, retirando do mero acaso, ou das manifestações divinas, a explicação para os fatos mundanos.

A parte do final do seu post me remeteu a "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, que faz menção à importância dos tambores na motivação dos guerreiros.

Muito bom! Aguardo a continuação.

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